- XIV. Há três graus no mundo spiritual e três graus no mundo natural, até hoje desconhecidos, segundo os quais se faz todo influxo.
16. Pela investigação das causas proveniente dos efeitos se descobre que há graus de dois gêneros: um no qual estão os anteriores e os posteriores, e o outro no qual estão os maiores e os menores. Os graus que distinguem os anteriores dos posteriores devem ser chamados de graus de altura e, também, discretos; mas os graus em que os maiores e menores se distinguem entre si devem ser chamados de graus de largura e, também, contínuos.
[2] Os graus de altura ou discreto são como gerações e composições de um oriundo de outro, como, por exemplo, de algum nervo , que é oriundo das fibras, e fibras sendo oriundas de fibrilas, ou de alguma porção de madeira, pedra ou metal oriunda das partes e essas partes sendo oriundas de partículas. Mas os graus de largura ou contínuos são como os aumentos e diminuições do mesmo grau de altura quanto a sua largura, altura e profundidade, tal como os volumes de águas, ou de ar, ou do éter, maiores e menores, e como as grandes e pequenas massas de madeira, pedra ou metal.
[3] Todas e cada uma das coisas em ambos os mundos, o espiritual e o natural, por criação, estão nesses dois gêneros de graus. Todo o reino animal neste mundo está nesses graus no geral e no particular; todo o reino vegetal e todo reino mineral igualmente, e como a expansão atmosférica desde o Sol até à Terra.
[4] Há, por conseguinte, três graus de atmosferas segundo os graus de altura discretamente distintos, tanto no mundo espiritual quanto no mundo natural, porque um e outro têm o seu sol. Mas, as atmosferas do mundo espiritual derivam de sua origem o fato de serem substanciais, enquanto as atmosferas do mundo natural derivam de sua origem o fato de serem materiais. E visto que as atmosferas descendem de suas origens segundo esses graus, e elas são continentes da luz e do calor como se fosse veículos condutores **, segue-se que há três graus de luz e de calor. E como a Luz no mundo espiritual é, em sua essência, a sabedoria, e o Calor ali é, em sua essência, o amor, conforme foi demonstrado num artigo próprio acima, segue-se também que há três graus de sabedoria e três graus de amor; por conseguinte, três graus de vida, pois são graduados pelas coisas pelas quais passam.
[5] Daí é que há três céus: o supremo, que também se chama terceiro, onde estão os anjos do grau supremo; o médio, que também se chama segundo, onde estão os anjos do grau médio; e o mais externo, que também se chama primeiro, onde estão os anjos do último grau. Esses céus são também distintos segundo os graus de sabedoria e de amor. Os que estão no céu mais externo estão no amor de conhecer os veros e os bens; os que estão no céu médio, no amor de os compreender; e os que estão no céu supremo, no amor de saber, isto é, de viver segundo as coisas que conhecem e entendem.
[6] Porquanto os céus angélicos foram distintos em três graus, por isso a mente humana é distinta em três graus, pois ela é uma imagem do céu, isto é, um céu na mínima forma. Daí é que o homem pode se tornar um anjo de um desses três céus, e isto se faz segundo a recepção da sabedoria e do amor provenientes do Senhor. Torna-se anjo do céu mais externo se apenas recebe o amor de conhecer os veros e bens; anjo do céu médio se recebe o amor de compreendê-los; e anjo do céu supremo se recebe o amor de saber, isto e, de viver segundo os veros e bens. Que a mente humana seja distinta em três regiões segundo os céus é o que se vê no memorável inserido na obra Amor Conjugal, n. 270. Por aí é evidente que todo influxo espiritual para o homem e no homem a partir do Senhor desce por esses três graus, e é recebido pelo homem segundo os graus de sabedoria e de amor em que se encontra.
[7] O conhecimento desses graus é hoje da maior utilidade, porquanto muitos que não os conhecem permanecem no último grau e neste se prendem, no qual estão os sentidos de seu corpo, e, pela ignorância, que é a escuridão do entendimento, não podem ser elevados à luz espiritual que está acima deles. Assim é que o naturalismo invade como que espontaneamente assim que se esforçam para explorar e esquadrinhar alguma coisa a respeito da alma e da mente humana e sua racionalidade, e ainda mais se for a respeito do céu e da vida após a morte. Daí se tornam, comparativamente, como aqueles que se põem nas ruas com um telescópio nas mãos, olhando o céu e fazendo vãs predições. E também como aqueles que, de todo objeto que vêem e de toda coisa que ouvem, tagarelam e também raciocinam, sem que haja nisso qualquer coisa racional do entendimento. Mas estes são como açougueiros que se crêem peritos em anatomia, porque examinaram as vísceras do boi e da ovelha exteriormente e não interiormente.
[8] A verdade, porém, é que pensar pelo influxo do lúmen natural não iluminado pelo influxo da luz espiritual não é outra coisa senão sonhar e, pelo pensamento sobre isso, falar; assim, é fazer-se tolo. Mas, a respeito desses graus, muitas coisas se vêem na obra Do Divino Amor e da Divina Sabedoria [Sabedoria Angélica], publicada em Amsterdã no ano de 1763, ns. 173 a 281.