. - XV. Os fins estão no primeiro grau, as causas no segundo e os efeitos no terceiro.
17. Quem não vê que o fim não é a causa, mas produz a causa, e que a causa não é o efeito, mas produz o efeito, e que, conseqüentemente, são distintamente três que se seguem em ordem? O fim com o homem é o amor de sua vontade, pois aquilo que o homem ama, isso ele se propõe e tem em intenção. A causa com ele é a razão de seu entendimento, pois por ela o fim procura as causas médias ou eficientes. E o efeito é a operação do corpo por estes e segundo estes. Há, assim, três coisas no homem que se seguem em ordem do mesmo modo como se seguem os graus de altura. Quando esses três se apresentam, então o fim está dentro da causa e, pela causa, o fim está no efeito, pelo que esses três coexistem no efeito. Daí é que se diz na Palavra que cada um deve ser julgado segundo as suas obras, pois o fim ou amor de sua vontade, a causa ou a razão de seu entendimento, e os efeitos, que são as obras de seu corpo, estão aí juntamente, bem como a qualidade do homem todo.
[2] Aqueles que não conhecem essas coisas e não distinguem os objetos da razão não podem deixar de terminar as idéias de seu pensamento no átomo de Epicuro, ou nas mônadas de Leibnitz ou nas substâncias simples de Wolff, fechando assim o seu entendimento com um obstáculo, por assim dizer, de modo que nem mesmo pela razão possa pensar sobre o influxo espiritual, pois não pode pensar em progressão alguma, pois, como disse o autor a respeito de sua substância simples, ela, ao ser dividida, cai no nada. Assim, pois, o entendimento permanece em seu primeiro lúmen, que vem meramente dos sentidos corpo, sem avançar a um grau além, donde sucede que não se sabe outra coisa senão que o espiritual é um natural tênue e também que as bestas tenham um racional assim como do homem, que a alma seja um sopro do vento tal como o que se expira do peito quando se morre, além de muitas outras coisas que não são da luz, mas da escuridão.
[3] Visto que todas as coisas no mundo espiritual e todas as coisas no mundo natural avançam segundo esses graus, como se disse no artigo acima, é evidente que a inteligência propriamente é conhecê-los e discernir entre eles, vendo-os na ordem. Por eles todo homem também é conhecido quanto à sua qualidade, quando se conhece o seu amor, porque, como foi dito, o fim que é da vontade, as causas que são do entendimento e os efeitos que são do corpo seguem de seu amor, assim como a árvore da semente e o fruto da árvore.
[4] Há três gêneros de amor: amor do céu, amor do mundo e amor de si. O amor do céu é espiritual, o amor do mundo é material e o amor de si é corporal. Quando o amor é espiritual, são espirituais todas as coisas que dele seguem, como as formas de sua essência. De modo semelhante, se o amor principal é o do mundo ou das riquezas, por conseguinte, se é material, também são materiais todas as coisas que dele seguem, como os derivativos seguem do princípio. Igualmente, se o amor principal é o amor de si ou o de sua importância acima todos os outros, por conseguinte, se é corporal, são também corporais todas as coisas que dele seguem. A razão disso é porque nesse amor só tem em vista a si mesmo e, assim, imerge no corpo os pensamentos de sua mente. Por isso é que foi dito logo acima que conhece o homem todo aquele que conhece algum amor reinante e, ao mesmo tempo, as progressões dos fins para as causas e das causas para os efeitos - os quais se seguem, os três, em ordem segundo os graus de altura. Assim os anjos do céu conhecem cada um com quem falam; percebem seu amor pelo som de sua linguagem, pela face vêem a sua imagem e pelos gestos do corpo a sua forma [figuram].