LJ 36

O Juízo Final - E a Babilônia Destruída
Emanuel Swedenborg
Ocorrido no mundo espiritual em 1757
E mandará seus anjos com grande voz de trombeta, e ajuntarão seus escolhidos desde os quatro ventos, desde um fim dos céus até o outro. (Mateus 24:30)

. Agora se dirá alguma coisa a respeito disso: que não há fé se não há caridade. Imagina-se que há fé quando se crê nos doutrinais da igreja e que assim há fé nos que crêem. Mas crer somente não é a fé. Querer e fazer o que se crê, isso é a fé. Os doutrinais da Igreja, quando são apenas cridos, não estão na vida do homem; eles estão apenas em sua memória e, por conseguinte, no pensamento do homem externo, e não entram em sua vida, senão quando eles estão em sua vontade e assim em suas ações. Só aí então que, pela primeira vez, a fé está no espírito do homem, pois o espírito do homem, cuja vida é a vida mesma do homem, é formado por sua vontade e pelo seu pensamento, tanto quanto este procede da vontade. A memória do homem e o pensamento dela derivado, são como um átrio pelo qual se faz a introdução. Quer se diga vontade ou amor, é o mesmo, pois cada um ama o que quer e quer o que ama; e a vontade é o receptáculo do amor. E o entendimento, cuja função é pensar, é o receptáculo da fé. O homem pode saber, pensar e compreender muitas coisas, mas as que não concordam com a sua vontade ou com o seu amor, ele as rejeita de si. Quando ele está só, medita segundo a sua vontade ou o seu amor, é por isso que ele também as rejeita após a vida do corpo, quando vive no espírito, isso porque só permanece em seu espírito aquilo que entrou em sua vontade ou em seu amor, como acaba de ser dito.
Depois da sua morte, todas as outras coisas são encaradas como coisas que não são suas, e por não pertencerem ao seu amor, ele as rejeita de junto de si e as tem por aversão. Mas é outra coisa quando o homem não somente crê nos doutrinais da Igreja, os quais são tirados da Palavra, como também os quer e os faz. Então a fé é formada, pois a fé é a afeição do vero por se desejar o vero porque ele é o vero. Com efeito, querer o vero porque ele é o vero, é o espiritual mesmo do homem, pois isso é diferente do natural - que é querer o vero não pelo vero, mas pela glória, a fama e o lucro. O vero, considerado separadamente da glória, da fama e do lucro, é espiritual porque em sua essência ele é Divino. Por isso, querer o vero por que ele é o vero é também reconhecer e amar o Divino. Estas duas coisas foram absolutamente conjuntas e também são encaradas como uma no Céu, pois o Divino que procede do Senhor no Céu é o Divino Vero (vide a obra "O Céu e o Inferno" parágrafos 128 a 132), e são anjos dos Céus os que o recebem e fazem dele coisa de sua vida. Estas explicações foram dadas para que se saiba que a fé consiste não só em crer, como também em querer e fazer; que assim não há fé se não há caridade; e que a caridade ou o amor é querer e fazer.

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