. Que a fé seja tão rara dentro da igreja hoje em dia, e que dificilmente possa se dizer que ela exista, foi feito evidente por muitos, tanto por sábios como por simples, cujos espíritos foram examinados depois da morte no tocante à fé que tiveram neste mundo. Descobriu-se que cada um deles havia pensado que a fé consistia meramente em crer e persuadir a si mesmos que tal coisa é de tal modo. E os mais sábios dentre eles colocaram a fé inteiramente em crer com convicção ou confiança que se é salvo pela paixão e pela intercessão do Senhor. Havia apenas alguns que sabiam que não há fé se não há caridade ou amor, mas até então não sabiam o que é a caridade para com o próximo, nem a diferença que há entre pensar e querer. A maior parte dentre eles rejeitou a caridade, dando as suas costas para ela, e dizendo que a caridade nada faz, mas que a fé é que faz tudo. Quando lhes foi dito que a caridade e a fé são um, como a vontade e o entendimento; e que a caridade reside na vontade e a fé no entendimento, e que separar uma da outra é como separar a vontade e o entendimento, eles não compreenderam. Vi claramente então que raramente há alguma fé hoje. É o que também lhes foi mostrado ao vivo. Os que estavam na persuasão que tinham a fé foram conduzidos a uma sociedade angélica onde havia a fé real, e quando houve comunicação entre eles, percebeu-se claramente que não tinham fé alguma, o que eles confessaram perante muitos posteriormente. A mesma coisa foi mostrada por outros meios aos que tinham professado a fé e imaginado ter crido, mas não tinham vivido a vida da fé, que é a caridade; e cada um deles confessou que não tinha tido fé porque nenhuma coisa da fé estivera na vida de seu espírito, mas tinha havido fé apenas exteriormente em algum pensamento quando viviam no mundo natural.
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