Texto Completo
Dos Arcanos Celestes
47. Do interno e do externo no homem. Que se saiba no mundo cristão que o homem tem um interno e um externo, ou que há o homem interno e o externo, mas que pouco se saiba a respeito da qualidade de um e de outro (n. 1889 e 1940). Que o homem interno seja o espiritual, e o externo o natural (n. 978, 1015, 4459, 6309 e 9701-9709). Que o homem interno, que é espiritual, seja formado à imagem do céu, e o externo, que é natural, à imagem do mundo; de que maneira; e que por isso o homem foi chamado microcosmo pelos antigos (n. 3628, 4523, 4524, 6057, 6314, 9706, 10156 e 10472). Que, assim, no homem estejam conjuntos o mundo espiritual e o mundo natural (n. 6057 e 10472). Que daí o homem seja tal que pode olhar para o céu acima e para o mundo abaixo (n. 7601, 7604 e 7607). Que esteja na luz do céu e veja daí quando olha para cima, mas que esteja na luz do mundo e veja daí quando olha para baixo (n. 3167 e 10134). Que exista no homem uma descida do mundo espiritual no natural (n. 3702 e 4042).
Que o homem interno, que é espiritual, e o homem externo, que é natural, sejam completamente distintos entre si (n. 1999, 2018, 3691 e 4459). Que a distinção seja como a que existe entre a causa e o efeito, e como entre o anterior e o posterior, e que não haja um contínuo (n. 3691, 4154, 5145, 5146, 5711, 6275, 6284, 6299, 6326, 6465, 8603, 10076, 10099 e 10181). Que, por conseguinte, a distinção seja entre o céu e o mundo, ou entre o espiritual e o natural (n. 4292, 5032, 5620 e 5639). Que os interiores e os exteriores do homem não sejam contínuos, mas distintos segundo os graus, e cada grau é terminado (n. 3691, 4145, 5114, 6326, 6465, 8603 e 10099). Que não possa compreender o interno e o externo do homem aquele que não percebe as distinções entre os interiores e os exteriores do homem segundo os graus (n. 5146, 6465, 10099 e 10181). Que as coisas que estão no grau superior sejam mais perfeitas do que as que estão no grau inferior (n. 3405). Que os três graus no homem sejam segundo os três céus (n. 4154). Que os exteriores no homem sejam mais afastados do Divino, sendo, por isso, relativamente obscuros; e que sejam gerais (n. 6451); e, também, relativamente desordenados (n. 996 e 3855). Que os interiores sejam mais perfeitos porque estão mais próximos ao Divino (n. 5146 e 5147). Que haja no interno milhares e milhares de coisas que, no externo, aparecem como uma geral (n. 5707). Que, daí, o pensamento e a percepção sejam mais claras quanto mais forem interiores (n. 5920). Que resulte daí que o homem deve estar nos internos (n. 1175 e 4464).
Que os interiores que são da mente, no homem que está no amor e na caridade, sejam realmente elevados pelo Senhor, e que do contrário olhariam para baixo (n. 6952, 6954 e 10330). Que o influxo e a iluminação vindos do céu sejam no homem uma real elevação dos interiores pelo Senhor (n. 7816 e 10330). Que o homem seja elevado em relação às coisas espirituais (n. 9922). Que o homem venha à luz, assim, à inteligência na proporção que é elevado dos externos para os interiores, e que isto seja ser tirado das coisas sensuais, como foi dito pelos antigos (n. 6183 e 6313). Que a elevação do externo para os interiores seja como da névoa à luz (n. 4598).
Que o influxo vindo do Senhor seja pelo homem interno no externo (n. 1940 e 5119). Que os interiores possam influir nos exteriores e não o contrário; assim, que haja influxo espiritual e não físico, a saber, do homem espiritual no natural, e não do natural no espiritual (n. 3219, 5119, 5259, 5427, 5428, 5477, 6322, 9109 e 9110). Que o Senhor, pelo interno, onde há o que é pacífico, governe o externo, onde há o que é tumultuoso (n. 5396). Que o interno possa ver todas as coisas no externo, mas não o contrário (n. 1914, 1953, 5427, 5428 e 5477).
Que, enquanto vive no mundo, o homem pense no externo desde o interno, assim, no natural desde o espiritual, e aí se apresente naturalmente aquilo que ele pensa (n. 3679). Quando o homem pensa no bem, que seja do interno ou espiritual no externo ou natural (n. 9704, 9705 e 9707). Que o homem externo pense e queira segundo a conjunção com o interno (n. 9702 e 9703). Que haja um pensamento interior e um exterior; a qualidade de um e de outro (n. 2515, 2552, 5127, 5141, 5168 e 6007). Que não sejam percebidos pelo homem, enquanto vive no mundo, o pensamento e a afeição que há no interno, mas o pensamento e a afeição que há daí no externo (n. 10236 e 10240). Mas que, na outra vida, os externos sejam tirados, e o homem então seja posto em seus internos (n. 8870). Que, então, os internos se mostrem quais são (n. 1806 e 1807).
Que o interno produza o externo (n. 994 e 995). E que o interno então se reviste de coisas tais pelas quais possa operar o efeito no externo (n. 6275, 6284 e 6299); e pelas quais então possa viver no externo (n. 1175 e 6275). Que o Senhor conjunte o homem interno ou espiritual ao homem externo ou natural, quando o regenera (n. 1577, 1594, 1904 e 1999). Que o homem externo ou natural seja reduzido à ordem pelo interno ou espiritual, e que seja subordinado (n. 9708).
Que o externo deva ser subordinado e sujeito ao interno (n. 5077, 5125, 5128, 5786, 5947 e 10272). Que o externo tenha sido criado para servir ao interno (n. 5947). Que o interno deva ser o senhor e o externo o ministro e, em certo respeito, o servo (n. 10471).
Que o externo deva estar em correspondência com o interno, a fim de haver conjunção (n. 5427, 5428 e 5477). Qual é o externo quando corresponde ao interno, e qual é quando não corresponde (n. 3493, 5422, 5423, 5427, 5428, 5477 e 5511). Que no homem externo haja coisas que correspondem e concordam com o interno, e que haja coisas que não correspondem nem concordam (n. 1563 e 1568).
Que o externo tenha sua qualidade oriunda do interno (n. 9912, 9921 e 9922). Quanta beleza tem o homem externo quando é conjunto ao interno (n. 1590). E quanta feiura quando não é conjunto (n. 1598). Que o amor ao Senhor e a caridade para com o próximo conjuntem o homem externo ao interno (n. 1594). Que não haja frutificação a menos que o homem seja conjunto ao externo (n. 3987).
Que os interiores influam sucessivamente nos exteriores, até o extremo ou último, e que aí existam e subsistam juntamente (n. 634, 6239, 9215 e 9216). Que não somente influam sucessivamente, mas formem o simultâneo no último, e em que ordem (n. 5897, 6451, 8603 e 10099). Que todas as coisas interiores sejam mantidas em conexão desde o primeiro pelo último (n. 9828). Que daí também haja nos últimos a força e o poder (n. 9836). Que, também por isso, haja respostas e revelações pelos últimos (n. 9905 e 10548). Que, assim, o último seja mais santo do que os interiores (n. 9824). Que, assim, ‘o primeiro e o último’ signifiquem, na Palavra, todas e cada uma das coisas, assim, o todo (n. 10044, 10329 e 10335).
Que o homem interno seja aberto ao que está na ordem Divina, e fechado ao que não está na ordem Divina (n. 8513). Que não haja conjunção do céu com o homem externo sem o interno (n. 9380). Que os males e falsos fechem o homem interno e façam com que o homem esteja somente nos externos (n. 1587 e 10492); principalmente os males oriundos do amor de si (n. 1594). Que os interiores sejam fechados até o sensual, que é o último, se o Divino for negado (n. 6564). Que o interno nos inteligentes e eruditos do mundo que se confirmam pelos conhecimentos contra as coisas que são do céu e da igreja sejam mais fechados do que nos tais símplices (n. 10492).
Que o homem interno esteja na luz do céu e o externo na luz do mundo; que, por isso, os que estão no externo sem o interno, isto é, aqueles em quem o interno foi fechado, não cuidem das coisas que são do céu e da igreja (n. 4464 e 4946). Que nem mesmo suportem as coisas internas na outra vida (n. 10694, 10701 e 10707). Que em nada creiam (n. 10396, 10400, 10411 e 10429). Que amem a si mesmos e ao mundo acima de todas as coisas (n. 10407, 10412 e 10420). Que os seus interiores, ou as coisas que são do pensamento e da afeição, sejam feios, imundos e profanos, qualquer que seja a aparência nos externos (n. 1182, 7046, 9705 e 9707). Que as ideias de seu pensamento sejam materiais e absolutamente não espirituais (n. 10582). Além disso, quais são aqueles em que foi fechado o interno, que olha para o céu (n. 4459, 9709, 10284, 10286, 10429, 10472, 10492, 10602 e 10683).
Que os veros e bens sejam multiplicados na proporção que é aberto o interno, que é espiritual; e que os veros e bens desvaneçam na proporção que é fechado o interno, que é espiritual (n. 4099). Que a igreja esteja no homem interno espiritual, porque está no céu, e não no externo sem ele (n. 10698). Daí é que a igreja externa no homem nada é sem a interna (n. 1795). Que o culto externo sem o culto interno seja um culto nulo (n. 1094 e 1175). Daqueles que estão no interno da igreja, do culto e da Palavra, daqueles que estão no externo em que há o interno e daqueles que estão no externo sem o interno (n. 10683). Que o externo seja duro sem o interno (n. 10683).
Que o homem meramente natural esteja no inferno, a menos que se torne espiritual pela regeneração (n. 10156). Que todos os que estão no externo sem o interno, ou em quem o interno espiritual foi fechado, estejam no inferno (n. 9128, 10483 e 10489).
Que os interiores do homem sejam realmente voltados segundo os amores (n. 10702). Que em todas e cada uma das coisas deva haver um interno e um externo, para que subsistam (n. 9473).
Que ‘acima’ e ‘alto’, na Palavra, signifiquem o interno (n. 1725, 2148, 4210 e 4599). Daí, que na Palavra ‘superior’ seja interior, e ‘inferior’ seja exterior (n. 3084).