Texto Completo
. Também, o amor de si é tal que, quando se lhes soltam os freios, isto é, quando são removidos os vínculos externos – que são os temores por causa da lei e de suas penas, e pela perda da reputação, da honra, do lucro, da função e da vida – mais se precipita, a ponto de querer governar não somente sobre toda a terra, mas também sobre o céu e sobre o Divino mesmo; nunca tem limite algum ou fim. Isto jaz encerrado em cada um que está no amor de si, ainda que não seja evidente diante do mundo, onde os ditos freios e vínculos o retêm. E quem é assim, onde encontra impossibilidade, aí subsiste até que seja possível. Por estes e outros motivos é que o homem que está em tal amor não sabe que essa cobiça insana sem limite se acha aí encerrada. Que, no entanto, isto seja assim, ninguém pode deixar de ver nos poderosos e nos reis, para os quais não há freios, vínculos e impossibilidades, e que se precipitam e subjugam províncias e reinos o quanto têm sucesso, e aspiram poder e glória além dos limites. E ainda mais naqueles que estendem o domínio ao céu e transferem para si todo poder Divino do Senhor, e continuamente cobiçam mais.