Texto Completo
. Há dois gêneros de domínio: um é do amor para com o próximo e outro é do amor de si. Esses dois domínios são, em sua essência, inteiramente opostos entre si. Quem domina pelo amor para com o próximo quer o bem de todos, e nada mais ama do que prestar usos, assim, servir aos outros (para eles, servir aos outros é quere-lhes bem, fazer-lhes benefícios e prestar-lhes usos). Este é o seu amor e este é o prazer de seu coração. Esse, também, quanto mais é elevado às dignidades, mais se alegra também, mas não por causa das dignidades, e sim por causa dos usos, os quais pode então prestar em maior abundância e em maior grau. Tal é o domínio nos céus. Quem, todavia, domina pelo amor de si não quer bem a ninguém, mas somente a si e aos seus. Os usos que presta são por causa de sua honra e glória, que são para ele os únicos usos. Servir aos outros, para ele, é para que seja servido, honrado e para dominar. Almeja as dignidades não por causa dos bens que presta, mas para estar na eminência e na glória e, daí, no prazer de seu coração.