Texto Completo
. A piedade é pensar e falar piamente, dedicar-se muito às preces, então comportar-se humildemente, frequentar os templos e aí escutar devotamente as pregações, participar frequentemente, todos os anos, do sacramento da Ceia e, semelhantemente, das demais coisas do culto segundo os estatutos da igreja. Mas a vida de caridade é querer bem e fazer o bem ao próximo, agir em toda obra pelo justo e o equitativo pelo bem e o vero, do mesmo modo que em toda função. Em resumo, a vida de caridade consiste em prestar usos. A primeira coisa nessa vida consiste no culto Divino e a segunda coisa naquelas outras. Por isso, quem separa uma vida da outra, a saber, quem vive a vida de piedade e não, ao mesmo tempo, a vida de caridade, não presta culto a Deus. Até pensa em Deus, porém não por Deus, mas por si, porque em si pensa continuamente e não no próximo; e, se pensa no próximo, despreza-o se também não for tal. E também pensa a respeito do céu como recompensa. Daí, em sua mente está o mérito e também o amor de si, como também o desprezo e a negligência dos usos e, assim, do próximo, e, ao mesmo tempo, a fé de que se é isento de culpa. Daí se pode ver que a vida de piedade separada da vida de caridade não é a vida espiritual, que deve estar no culto Divino. (Conferir com Mateus 6:7, 8).