Texto Completo
. Que o sentido interno seja principalmente para os anjos e também para os homens. A fim de que se saiba o que é o sentido interno, qual ele é e de onde vem, dir-se-á aqui, em resumo. No céu se fala e se pensa diferentemente do mundo; no céu, espiritualmente, no mundo, naturalmente. Por isso, quando o homem lê a Palavra, os anjos que estão no homem percebem-na espiritualmente, enquanto os homens a percebem naturalmente. Daí, os anjos estão no sentido interno, enquanto os homens estão no externo, mas esses sentidos fazem, contudo, um só pela correspondência.
Que a Palavra seja entendida pelos anjos nos céus diferentemente dos homens nas terras, e que eles tenham o sentido interno ou espiritual, enquanto os homens têm o externo ou natural (n. 1887 e 2395). Que os anjos percebam a Palavra no sentido interno e não no sentido externo (por experiência dos que falaram comigo desde o céu, quando eu lia Palavra, n. 1769-1772). Que as ideias e também a linguagem angélicas sejam espirituais, enquanto as ideias e a linguagem humanas sejam naturais; que, por isso, o sentido interno, que é espiritual, seja para os anjos (ilustrado pela experiência, n. 2333). Que, todavia, o sentido literal da Palavra sirva às ideias espirituais dos anjos como meios, comparativamente como as palavras da linguagem fazem para o sentido do assunto no homem (n. 2143). Que as coisas que são do sentido interno da Palavra caiam em coisas tais que são da luz do céu, assim, na percepção angélica (n. 2618, 2619, 2629 e 3086). Que as coisas que os anjos percebem da Palavra lhe sejam, por isso, preciosas (n. 2540, 2541, 2545 e 2551). Que os anjos não entendam um vocábulo sequer do sentido da letra da Palavra (n. 64, 65, 1434 e 1929). Que tampouco conheçam os nomes das pessoas e dos lugares que há na Palavra (n. 1434, 1888, 4442 e 4480). Que os nomes não possam entrar no céu, nem serem ali enunciados (n. 1876 e 1888). Que todos os nomes na Palavra signifiquem coisas, e que sejam mudados em ideias de coisas no céu (n. 768, 1888, 4310, 4442, 5225, 5287 e 10329). Que, também, os anjos pensem abstratamente das pessoas (n. 6613, 8343, 8985 e 9007). Quão elegante é o sentido interno da Palavra, ainda que haja meros nomes (por exemplos oriundos da Palavra, n. 1224, 1888 e 2395). Que, também, muitos nomes numa série, no sentido interno, exprimam uma só coisa (n. 5095). Que todos os números na Palavra também signifiquem coisas (n. 482, 487, 647, 648, 755, 813, 1963, 1988, 2075,2252, 3252, 4264, 6175, 9488, 9659, 10217 e 10253). Que os espíritos também percebam a Palavra no sentido interno, na proporção que seus interiores forem abertos no céu (n. 1771). Que o sentido da letra da Palavra, que é natural, seja mudado num só momento em espiritual nos anjos, por ser correspondência (n. 5648). E isto sem se ouvir e sem se conhecer o que há no sentido da letra ou externo (n. 10215). Assim, que o sentido da letra ou externo esteja somente no homem, e não passe adiante (n. 2015). Que haja o sentido interno da Palavra e também um sentido íntimo ou supremo (a respeito deles, n. 9407, 10604, 10614 e 10627). Que os anjos espirituais, isto é, os que são do reino espiritual do Senhor, percebam a Palavra no sentido interno, e que os anjos celestes, isto é, os que são do reino celeste do Senhor, percebam a Palavra no sentido íntimo (n. 2157 e 2275).
Que a Palavra seja para os homens e também para os anjos, acomodada a uns e outros (n. 7381, 8862 e 10322). Que seja a Palavra que une os céus e as terras (n. 2310, 2495, 9212, 9216 e 9357). Que a conjunção do céu com o homem seja por meio da Palavra (n. 9396, 9400, 9401 e 10452). Que, por isso, ela seja chamada ‘aliança’ (n. 9396), porque ‘aliança’ significa conjunção (n. 665, 666, 1023, 1038, 1864, 1996, 2003, 2021, 6804, 8767, 8778, 9396 e 10632). Que haja um sentido interno na Palavra porque a Palavra desceu desde o Senhor até o homem, através dos três céus (n. 2310 e 6597). E que, assim, tenha sido acomodada aos anjos dos três céus e também aos homens (n. 7381 e 8862). Que daí a Palavra seja Divina (n. 2989 e 4989). E que seja santa (n. 10276). E que seja espiritual (n. 4480). E que a Palavra seja inspirada pelo Divino (n. 9094). Que isto seja a inspiração (n. 9094).
Que o homem que foi regenerado também esteja realmente no sentido interno da Palavra, ainda que o ignore, porque para ele o homem interno foi aberto, o qual tem percepção espiritual (n. 10400). Mas que, nele, o espiritual da Palavra influa nas ideias naturais e assim se apresente naturalmente, porque, enquanto ele vive no mundo, pensa no natural (n. 5614). Que, assim, a luz do vero nos que são iluminados venha do interno deles, isto é, do Senhor pelo interno (n. 10691 e 10694). Que também por esse caminho a santidade influa naqueles que têm a Palavra como santa (n. 6789). Visto que o homem regenerado está realmente no sentido interno da Palavra e, aí, em sua santidade – ainda que o ignore – que, por isso, após a morte, ele venha por si mesmo a esse sentido, e não esteja mais no sentido da letra (n. 3226, 3342 e 3343).