- 1.1 Jesper Swedberg
Emanuel Swedberg foi um eminente cientista e político da Suécia no século 18. Tem o seu busto em uma praça em Estocolmo, próximo a uma rua que leva seu nome. Seu túmulo se encontra na nave da catedral de Upsalla, à direita, em frente ao túmulo do famoso botânico Lineu.Parlamentar e membro fundador da Academia Real de Ciências da Suécia, Swedenborg é um dos heróis da história de sua pátria.
Seu pai, Jesper Swedberg, foi um bispo luterano;seu avô, Daniel Isaacsson, pai do bispo Jesper, foi proprietário de minas na região de Fahlun; e seu avô materno, Albrecht Behm, além de ter feito fortuna no campo da mineração e da metalurgia, foi membro do Conselho de Mineração, mesmo cargo que Emanuel viria aocupar mais tarde.
Jesper Swedberg nasceu em 1653 e seguiu a carreira eclesiástica;foiordenado bispo na Igreja Luterana aos 29 anos, em1682, e designado para a função de Capelão da Cavalaria da Guarda. Por causa de sua exemplar atuação nessa incumbência, quatro anos mais tarde ele foi nomeado Capelão da Corte Real. Sua carreira incluiriam, ainda, a posição de reitor e pastor na cidade de Vingaker, professor da Universidade de Uppsala, em 1692, reitor da mesma universidade em 1694 e bispo da cidade de Skara, em 1702.
O credo seguido na Igreja Luterana enfatiza, como se sabe, a primazia da fé para a salvação. Mas, apesar de ser pastorluterano, Jesper entendia que a fé não devia ter primazia a ponto de anular ou diminuir o valor das obras. De fato, sua pregação era que a verdadeira fé somenteé possível se estiver aliada às obras, as quais ele definia como uma vida produtiva, de ações úteis para com o próximo. Em outras palavras, ele entendia que a fé devia estar casada com a caridade, esta última considerada em sua concepção mais ampla, isto é, abrangendo todas as formas de virtudes e benefícios.Em seus escritos, ele dizia que a fé, se fosse dissociada de uma vida de santificação, não seria outra coisa senão uma persuasão demoníaca.
A despeito de a confissão luterana ser, praticamente, a religião oficial da Suécia, na época de Jesper o ensino religioso na igreja recebia pouquíssima atenção. A Bíblia ainda era um artigo de luxo, devido ao seu alto custo de impressão; poucas pessoas podiam possuir um exemplar e dentre essas, naturalmente, poucas eram as que a liam.Diante disso, um dos grandes projetos de vida de Jesper Swedberg era expandir o conhecimento da Palavra de Deus a todos, alcançando até as camadas mais simples e pouco instruídas da população sueca. Ele chegou a escrever e mandar imprimir, às suas próprias custas, algumas obras doutrinárias, que, infelizmente, não tiveram aceitação e ficaram encalhadas.
Em 1691, o rei Carlos XII o nomeou para compor uma comissão encarregada de fazer a tradução do Antigo Testamento para um sueco mais acessível, a partir do hebraico1. Essa comissão incluía o colega de Jesper em Uppsala, Dr. Ericus Benzelius. Em menos de um ano o trabalho foi concluído, sendo a maior parte feita por Jesper. No entanto, esse esforço foi em vão e seu objetivo frustrado, pois a impressão de uma Bíblia popular contrariava os interesses de editores.
Mas Jesper ainda teve ânimo para compilar um novo hinário oficial de sua confissão, em sueco, que continha alguns hinos de sua própria composição. E, fora do campo eclesiástico, escreveu uma GrammaticaSvecana, publicada em 1722, e um dicionário, que só veio a ser impresso em 2008.
O bispo Jesperera um homem íntegro, mantinha hábitos simples evivia modestamente, apesar dos cargos importantes que ocupava. Sua atitude sempre foi irrepreensível, tanto nos deveres eclesiásticos quanto nas posições que ocupou de professor e reitor na Universidade de Uppsala. Tinha um grande coração, sendo piedoso e caridoso como poucos. Quando inaugurou uma grande casa que mandou construir em Uppsala, ele poderia ter convidado para a solenidade os seus colegas do corpo docente universitário e as autoridades civis e eclesiásticas de sua cidade e seu país. Mas, em vez disso, ele ofereceu um grande banqueteaos mendigos,indigentes e os mais pobres da cidade, sendo que ele e sua família serviram às mesas. Jesper seguia literalmente o que diz o evangelho de Lucas:
“Quando fizeres um jantar, ou uma ceia, não chames teus amigos, nem teus irmãos, nem teus parentes, nem [teus] vizinhos ricos, para que também eles em algum tempo te não tornem a convidar, e te seja recompensado. Mas, quando fizeres convite, chama os pobres, aleijados, mancos, [e] cegos. E serás bem-aventurado, porquanto não têm com que to recompensar; porque recompensado te será na ressurreição dos justos” (Lucas 14:12-14.
Mesmo tendo os pés no chão no que diz respeito à observância prática dos ensinamentos da Palavra, Jesper enfatizava a realidade do mundo espiritual e afirmava que os anjos convivem com os homens, como ministros da vontade de Deus. De um modo inusitado para um bispo luterano, ele afirmava que tinha recebido de Deus alguns dons espirituais, especialmente o dom de cura, que se manifestava em certas ocasiões.
Seu pouco apego aos bens terrenos ficou patente por toda a sua vida, porque ele morreu pobre, apesar de ter a sorte de descender de uma família rica e receber parte da herança do pai, à qual se juntava a herança recebida pela esposa. A maior parte de suas posses foi gasta na publicação dos seus livros doutrináriossem fins lucrativos eno custeio de obras beneficentes.
Quanto à esposa de Jesper, Sara Behm, pouco se sabe, mas ela também descendia de uma família rica, especialmente por parte do pai, Albrecht Behm. Ela e Jesper estavam casados por 12 anos quando Sarah morreu aos 30 anos, em 1695. Jesper se casou novamente, em 1697, com Sara Bergia e, segunda vez viúvo, casou-se em 1720 com KristinaArrhusia. Com as três esposas ele teve nove filhos.
É curioso que, apesar de o sobrenome da família de Sarah ser Behn, e o da família de Jesper ser Isaacsson, Jesper teve o sobrenome ‘Swedberg’, e seu filho, Swedenborg. A razão disso era que, naquela época, era comum que as famílias adotassem diferentes sobrenomes para seus filhos, a fim de homenagear algum amigo ou uma personalidade influente, ou mesmo um lugar. Por isso, Daniel Isaacsson adotou para os seus filhos o sobrenome que homenageava a sua pátria, ‘Swed’, mais ‘berg’, que quer dizer ‘montanha’ em várias línguas germânicas. E, mais tarde, em 1719, em reconhecimento aos excelentes serviços prestados por Jesper à coroa e ao país, a rainha Ulrica Eleonora elevou a família dele à nobreza, mudando-lhe o sobrenome para ‘Swedenborg’.
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