- 1.3. O jovem engenheiro
Apesar do pouco entusiasmo por parte do pai, o jovem engenheiro viajou para a Inglaterra em 1710 e de lá escreveu para o amigo e cunhado, dizendo que estudava Newton diariamente, e estava muito ansioso para conhecer o famoso cientista inglês. Além disso, tinha aproveitado sua estada em Londres para adquirir livros e alguns instrumentos para suas pesquisas científicas: um telescópio, vários tipos de quadrantes, prismas, microscópios, balanças e câmara escura, fabricados por William Hunt e Thomas Everard. Ficou quase sem dinheiro e esperava que, se sobrasse algum, comprar um compressor de ar.3
Sem dúvida alguma, o rapaz herdou do pai uma visão muito prática do mundo, porque, ainda que estivesse empenhado na especialização de conhecimentos teóricos como os da matemática, física e história, ele também tinha muito interesse em aprender profissões e ofícios práticos dos mais diversos, porque, em sua correspondência com Benzelius, em 1711, ele relata que, em Londres, tinha resolvido se hospedar em oficinas, a fim de aprender diversos ofícios. Assim, primeiro esteve em uma relojoaria, em seguida,numa carpintaria e, depois, na oficina de um fabricante de instrumentos matemáticos.4
E ele levava muito a sério sua intenção de aprender tudo o que lhe fosse útil, pois, além da técnica de encadernação de livros, aprendeu também os processos de fabricação de vidros e lentes, e de gravação de chapas metálicas, com as quais fabricou um modelo de globo terrestre para a Universidade de Uppsala, diante da recusa de um fabricante europeu de fornecer as chapas para isso.
Enquanto esteve na Inglaterra, procurou estar em contato com professores e cientistas famosos, e conheceu pessoalmente os astrônomos Halley e Flamsteed, pois estava particularmente interessado em submeter o seu método astronômico para determinar a longitude terrestre à apreciação dessas celebridades. Sobre isso, escreveu a Benzelius:
“No tocante à astronomia, já reúno conhecimentos que me serão muito úteis no estudo dessa ciência. Embora no início meu cérebro doesse, as longas especulações teóricas não me são mais tão penosas. Examinei detidamente todas as proposições para determinar a longitude terrestre, mas nenhuma me convenceu. Então decidi formular meu próprio método, com base na Lua; o método parece à prova de erro e estou certo de que é o melhor proposto até aqui. Dentro em breve submeterei essa minha proposição à Sociedade Real de Ciências. Se a proposição merecer a acolhida daquela entidade, vou publicá-la aqui ou na França. Já descobri também vários novos métodos para observar a Lua, os planetas e as estrelas. O que trata especificamente da Lua e seus paralaxes deverá ser publicado brevemente. Agora ando ocupado com os meus estudos de álgebra e geometria avançada; tenciono estar em condições de dar continuidade às descobertas feitas por Polhammar”.5
E, de fato, poucos anos depois ele apresentou sua teoria à comunidade científica sueca, que a publicou em 1718 na revista científica Acta LiterariaSueciae. E, em 1722,a teoria foi publicada na Alemanha pela Acta Eruditorum, de Leipzig.
Mantendo o foco no seu objetivo dessa temporada fora de seu país, Swedenborg também esteve por algum tempo na Alemanha e na França, sempre procurando trocar experiências com autores de tratados científicos dos mais diversos campos e aprender o máximo possível com eles. Sua intenção final era, ao regressar ao seu país, ajudar a promover o avanço tecnológico em diversas áreas do ensino e da indústria. Chegou mesmo a sugerir a criação de uma cadeira de Mecânica na Universidade de Uppsala, mas sua proposta esbarrou no orçamento limitado. E, com a intenção de divulgar suas experiências científicas e sua aprendizagem, ele criou um periódico dedicado à ciência, intitulado DaedalusHyperboreus, o qual dedicou ao monarcasueco Carlos XII, que apreciava sua leitura e debatia os assuntos com o jovem escritor.
Enquanto isso, seu pai, mais objetivo e mais prático, não perdia oportunidade de convencer o rei de que seu filho recém-formado poderia ser útil ao país, se tivesse oportunidade de se dedicar formalmente ao reino nas áreas em que vinha se instruindo. E foi assim que, finalmente, aos 28 anos, o jovem cientista e engenheiro Emanuel Swedberg foi nomeado em 1716, pelo rei Carlos XII, para a posição de Assessor Extraordinário do Conselho de Mineração, instituição equivalente a um Ministério das Minas e Energias. Pouco depois de receber essa nomeação, foi-lhe também oferecida a posição de catedrático docurso de Astronomia a ser implantado na Universidade de Uppsala, mas ele entendeu que no Conselho de Mineração teria mais chance de fazer carreira e, por conseguinte, seria mais útil ao seu país. Seus motivos foram assim relatados ao seu cunhado, Dr. Benzelius:
“Espero ser útil no cargo que me foi confiado, como espero também obter as vantagens inerentes; meu cargo atual está apenas a um degrau de um posto superior, enquanto em Uppsala não teria qualquer perspectiva de promoção; ademais, acho que o rei não gostaria de me ver deixar meu cargo atual. Com respeito ao Conselho, vou tentar diligentemente especializar-me em mecânica, física, e química, e familiarizar-me com todos os fatos pertinentes a essas ciências, a fim de calar a boca daqueles que dizem que entrei para o Conselho pela janela”.6
Como engenheiro e assessor do Conselho, ele trabalhava diretamente com os recursos e técnicas da área de mineração, onde desenvolveu e implantou métodos, criou equipamentos e sugeriu melhorias naquela indústria. Mas sua engenhosidade não se restringia àquela área, sendorequisitada para outros empreendimentos, sendo o mais famoso deles o que se referiu ao cerco de Frederikstad. Na guerra contra a Noruega, alguns navios dinamarqueses ficaram bloqueados pelas forças inimigas. Então, para livrá-los do cerco, o jovem Swedberg fez construir um sistema de trilhos e guindastes pelos quais a frota de 8 naus de guerra foi transportada por terra a uma distância de 14 milhas, onde foi novamente lançada ao mar.
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