- 1.5. Cientista e político
Quando a sua família recebeu o título de nobreza, em 1719, Swedenborg, por ser o primogênito, passou também a ter assento na Casa dos Nobres, que era uma parte do parlamento sueco.Ele foi parlamentar muito ativo de 1723 até 1761 e, durante esse tempo, apresentou projetos legislativos que se referiam principalmente ao sistema financeiro. O primeiro registro preservado de sua atividade parlamentar data de 5 de fevereiro de 1723. Em seu discurso nessa data, ele atribui as dificuldades financeiras do país a três causas: o déficit da balança comercial, as perdas de território na guerra contra a Noruega e os gastos vultosos com a própria guerra. Como solução, ele sugeria o incentivo à exploração dos recursos naturais do país, o incremento da exploração do ferro e do cobre e o investimento na indústria nacional, a fim de substituir os produtos importados.
“Num importante memorando, datado de 10 de setembro de 1726, Swedenborg advogava a implantação de grandes projetos siderúrgicos no país, para beneficiamento do ferro extraído das minas. Nesse memorando, incluiu desenhos da maquinaria necessária para o projeto, os quais ainda se encontram nos arquivos do Conselho de Mineração. No memorando em questão, Swedenborg chama a atenção do Conselho de Mineração para o fato de milhares e milhares de toneladas de ferro gusa sueco serem embarcados, anualmente, para a Holanda, com altíssimos custos de frete e taxas alfandegárias. Esse ferro, depois de beneficiado, era vendido em Sauerland, Liège e outros mercados na Europa, com lucros extraordinários. Swedenborg argumentava que o estabelecimento de novas siderúrgicas iria estimular os pequenos industriais suecos a aumentar sua produção, criando, destarte, um excesso de bens manufaturados que se tornaria item importante na pauta de exportação do país. Para reforçar seu argumento, Swedenborg afirmava que “o ferro exportado de Liège não era de boa qualidade e que o ferro produzido na Suécia — com a implantação dessas novas usinas — iria pouco a pouco provocar a queda no preço desse ferro de qualidade inferior”.7
Outras questões foram abordadas pelo parlamentar com igual atenção, incluindo uma sugestão, em 1755, de limitar a venda de bebida alcoólica, porque, segundo ele, “o abuso do álcool será a razão da queda do povo sueco”. No entanto, a maioria de suas propostas era engavetada, como acontece normalmente nas casas legislativas.
A última atuação de Swedenborg no parlamento se deu no ano de 1761, ocasião em que fez um discurso intitulado “Manifesto sobre a integridade do país e a preservação da liberdade”. Nessa fala, Swedenborg apoiava que três senadores cassados por questões políticas tivessem seus mandatos restituídos, e alertava quanto à implantação de uma monarquia absolutista na Suécia, defendida por um dos partidos da casa.
A sua nomeação para o Conselho de Mineração fora graças à consideração que o rei Carlos XII tivera para com Jesper, seu pai. E, antes de ser nomeado Assessor, Swedenborg publicava o seu Daedalus, como foi já dito, o qual era dedicado ao monarca sueco.O rei Carlos lia a publicação e tinha longas conversas com Swedenborg sobre os assuntos trazidos e sobre matemática. Talvez essa empatia se devesse, também, ao fato de o rei ser somente seis anos mais velho do que o jovem engenheiro.No entanto, apesar de ter privado da amizade do seu rei e, depois, de ter sido agraciado com o título de nobreza pela rainha sucessora, Swedenborg mantinhauma firme posição contra uma monarquia absolutista, defendendo que nenhum monarca deveria estar acima da lei. E era, também,contra uma suposta autoridade Divina que alguns monarcas se arrogavam, afirmando que nenhum individuo pode se arrogar autoridade Divina para exercer poder sobre os outros.
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