- 1.6. O filósofo
De meados dos anos 1730 em diante pode-se notar uma gradativa mudançade enfoquenos seus estudos e interesses.Às suas realizações e publicações no campo da mineralogia, matemática e astronomia vão se juntando as observações filosóficas e psicológicas. E quando dizemos ‘filosofia’ entendam-se investigações que abrangem temas tão vastos quanto à origem dos elementos naturais, o magnetismo, a fisiologia e o habitáculo da alma no corpo humano, pontos que ele abrangeu em várias obras dessa fase, tais como o Principia, que foi a introdução do Opera Philosophica et Mineralia, ÆconomiaRegniAnimalis, RegnumAnimale e De Cultu et Amore Dei. Assim, ao mesmo tempo em queinvestigava os elementos químicos que compunham as ligas metálicas, ele também se dedicava a estudar a anatomia do cérebro humano para descobrir onde ali reinava ou residia a alma.Na introdução da obra RegnumAnimale (O Reino da Alma) ele explicita os seus objetivos ao penetrar nesse campo de investigação:
“É meu intento examinar, física e filosoficamente, a anatomia total do corpo. O objetivo do trabalho é o conhecimento da alma, pois esse conhecimento será a coroação de todos os meus estudos. Portanto, para prosseguir nas minhas investigações e resolver os problemas pertinentes, decidi utilizar o método analítico; acho que sou o primeiro a usar declaradamente esse método. Para atingir esse formidável objetivo, é meu intento pesquisar integralmente o microcosmo que é a alma; pois seria vão procurá-la em outro lugar que não no seu reino. Estou determinado a não me dar tréguas, até que tenha alcançado meu objetivo, até que tenha atravessado o reino universal animal e chegado à alma. Portanto, espero que através dessa contínua introspecção, eu possa abrir todas as portas que me levarão a ela e, então, contemplar a própria alma, com a permissão Divina.”8
A fim de embasar suas reflexões, nas oportunidades que teve em suas viagens, ele assistiu a aulas e conferências sobre anatomia, algumas vezes participando diretamente de dissecações, além de conversar com anatomistas famosos na França, Holanda e Itália. Contudo, mais do que nas próprias observações, ele baseou suas análises na sabedoria de cientistas e filósofos célebres, como listou na introdução de sua obra, a saber, Eustachius, Malpighi, Ruysch, Leeuwehoek, Harvey, Morgagni, Ieussens, Lancisi, Winslow, Ridley, Boerhaave, Wepfer, Heister, Steno, Valsalva, Duverney, Nuck, Bartholm, Bidloo e Verheyen. E diz:
“Utilizando os Escritos e estudos desses homens ilustres e amparado em sua autoridade, estou decidido a iniciar e completar meu projeto de desvendar as coisas que a Natureza supostamente mantém na obscuridade. Aqui e ali, tomei a liberdade de inserir os resultados de minhas próprias experiências, mas somente de forma esparsa, pois achei que seria melhor utilizar o conhecimento de outros”.9
Ao mesmo tempo em que escrevia o RegnumAnimale, Swedenborg também escrevia o De Cultu et Amore Dei (Do Culto e do Amor de Deus), que é mais um tratado filosófico do que teológico, como se entende tradicionalmente esse campo, uma vez que, nessa obra, Swedenborg aborda o tema da criação sob um ponto de vista cientifico, a partir do sol como centro, e sugere a formação dos reinos mineral, vegetal e animal derivando-se um do outro, até o homem, mas todo o processo sob os auspícios de uma Mente Divina. Por conseguinte, Swedenborg partia do princípio de que toda criação procede de Deus como a Substância primeira e Única, da qual todas as substâncias derivam sua existência e subsistência. Seria impossível, para ele, alguma substância proceder do nada: “É impossível que alguma coisa exista do nada; nada pode ser produzido do nada”, conforme já postulara Platão.
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