SW 23

A Doutrina Cristã Revelada através de Emanuel Swedenborg
Cristóvão R. Nobre
"E JEHOVAH será Rei sobre toda a terra: Nesse Dia JEHOVAH será Um e o Nome d'Ele Um." (Zc. 14:9)

- 2.8. Da Ordem Divina
Swedenborg dedica um longo capítulo de uma de suas obras a esse assunto, como matéria de teologia. AOrdem é considerada como uma espécie de Lei instituída por Deus para reger todas as coisas e à qual Ele mesmo se submete. Muitas ideias extravagantes podem surgir na mente do homem que não compreende a Ordem e não sabe que foi segundo ela que Deus criou o universo.
Desde a antiguidade muitos filósofos têm-se dedicado a observar os fins, as causas e os efeitos das coisas. Observando o estado, a composição e o funcionamento de todas as coisas dos três reinos naturais, eles descobriram que há leis que as governam. Um bom exemplo é Newton, que descobriu a lei da gravidade, e outros igualmente esclarecidos descobriram leis no campo da física, da química e da biologia.
A obra da criação Divina não foi um processo aleatório nem fruto do acaso. Longe disso, por ser o Amor mesmo e a Sabedoria mesma, Deus estabeleceu leis da Ordem segundo as quais tudo havia de existir e subsistir, em todos os reinos do mundo natural e espiritual. Os órgãos do corpo humano funcionam dentro dessas Leis Divinas da Ordem, assim como as operações da mente humana, constituídas por vontade e entendimento. Não há a menor célula no corpo humano na qual não foi inscrita uma regra da Ordem e segundo a qual ela funciona. Se ela deixar de funcionar de acordo com a Ordem, se destrói e perece. Assim também os processos mentais de pensamento, sentimento e memória. Cada menor parte de todo ser e todo elemento criado tem sua regra prescrita, e o funcionamento de todas as partes em conjunto faz a harmonia do todo, dentro da Ordem, caso contrário elas não poderiam subsistir perpetuamente.
“Devemos ter como certo que, no universo, todas e cada uma das coisas foram criadas em sua ordem para que subsistam por si mesmas e que foi assim desde o começo, para que se conjuntem com a Ordem universal, a fim de que as ordens singulares subsistam na ordem universal, e assim façam um”. 43
Todavia, o conceito do que é a ordem e sua importância fica ainda mais claro para nós quando aplicado à ordem nos governos humanos. Ele diz:
“Quem não vê que não há império, reino, ducado, república, cidade, casa, que não seja estabelecido sobre leis que constituem a ordem e a forma de seu governo? em cada um desses estados as leis de justiça estão em primeiro lugar, as leis políticas em segundo e as leis econômicas em terceiro; se comparadas com o homem, as leis de justiça fazem a cabeça, as leis políticas seu corpo e as leis econômicas suas roupas; é mesmo por isso que estas (as leis econômicas) podem ser mudadas como a roupa.”44
Esta explicação da Ordem em que as instituições foram criadas é surpreendentemente simples e de uma objetividade admirável: a ordem correta no Estado ou nas instituições só existe quando as matérias da justiça são as principais, as civis são as secundárias e as econômicas, as últimas. Devemos refletir com mais atenção sobre as aplicações deste ensinamento, mas já de imediato encontramos aqui a razão da existência de tantas coisas nocivas nas instituições humanas.
É o que acontece, como sabemos, em nosso país, quando claramente as leis econômicas estão em primeiro plano, as leis civis em segundo e as de justiça em terceiro, ou seja, todas as coisas giram e funcionam em torno da economia e de seus resultados, decorrendo daí o desequilíbrio, as carências e as injustiças sociais. Porque a justiça é o princípio que deve preexistir na aplicação das leis civis e econômicas, e nunca as leis econômicas sem se levar em conta o que é justo e verdadeiro em favor de cada cidadão. Assim, observando a existência de tantas distorções nos vários níveis de nossa sociedade, e compreendendo que isto decorre da inversão de valores, podemos compreender, de modo inverso, o que seria a ordem, a versão correta dos valores, e que benefícios essa ordem correta traria a qualquer sistema.
“Mas quanto ao que concerne à Ordem na qual a Igreja foi instaurada por Deus, consiste em que Deus está em todas e cada uma das coisas da Igreja e que é em relação ao próximo que a ordem deve ser exercida; as Leis desta Ordem são em tão grande número quanto há verdades na Palavra; as Leis que concernem a Deus fazem a cabeça, as Leis que concernem ao próximo fazem seu corpo e as cerimônias fazem as roupas, pois se estas últimas não contiverem as outras em sua Ordem, seria como se o corpo fosse posto a nu e exposto ao calor do verão e ao frio do inverno; ou como se se tirasse de um templo as paredes e o teto, e que se deixasse o santuário, o altar e o púlpito expostos às diversas intempéries das estações”. 45

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