SW 31

A Doutrina Cristã Revelada através de Emanuel Swedenborg
Cristóvão R. Nobre
"E JEHOVAH será Rei sobre toda a terra: Nesse Dia JEHOVAH será Um e o Nome d'Ele Um." (Zc. 14:9)

- 3.3. Humilhação e glorificação
Enquanto o Senhor esteve no mundo, Ele passou por dois estados espirituais, chamados de glorificação e exinanição ou esvaziamento. Esses estados ocorreram porque estavaem andamento um processo de união entre o Humano e o Divino: o Humano se tornava cada vez mais Divino e este cada vez mais natural, como foi dito acima.
Voltando ao tema das hereditariedades do Senhor, sabemos que Ele, ao se submeter à Ordem e se fazer conceber em Maria, recebeu no Seu natural as duas hereditariedades, interna e externa, de que todo ser humano é dotado, sendo que a interna procede do pai e a externa da mãe. Assim, em palavras simples, a alma vinha do Pai, JEHOVAH, e a mente natural vinha da mãe. (Lembremo-nos de que o corpo material é aí considerado como mero invólucro, vindo, por conseguinte dos elementos da natureza). Ao ser gerado, portanto, o Humano com que o Senhor entrou no mundo não era Divino nem diferente de qualquer outro indivíduo, a não ser pelo fato infinitamente singular de a alma ali ser o próprio Deus.
Assim, para que aquele humano pudesse se tornar Divino, era indispensável que esses elementos hereditários maternos na mente fossem antes removidos, uma vez que nada tinham em comum com a Divindade, e até lhe eram contrários. Esses elementos eram as tendências para o mal em que todo ser humano nasce. Então, a parte nesse processo em que havia o esvaziamento daqueles aspectos impróprios se chamou exinanição; e a implecção ou enchimento com o Divino, que passava a ocupar o espaço do que fora esvaziado, chamou-se glorificação.
Noprofeta Isaías encontramos uma referência clara a essafase de esvaziamento ou exinanição:
“Até à morte Ele exauriu (exinanivit) Sua alma” (Isaías 53:12).
Enquanto estava nesse estado deexinanição o Senhor estava em humilhação diante do Pai, ou seja, a mente externa diante da Mente suprema. E note-se que o termo usado por Swedenborg é “humilhação”, não “humildade”, porque humilhação é um estado devergonha, um abatimento ou uma tristeza por causa de sua condição. Enquanto no Humano, o Senhor percebia a enorme distância que existia entre o meramente humano e o Ser Divino, entre o homem, cuja natureza fora corrompida e deteriorada pelo pecado, e o Criador, que o havia criado para a vida eterna.A exinanição era, portanto, um esvaziamento das inclinações más de toda a raça humana transmitidas involuntariamente por Maria quando o concebeu.
No estado de exinanição, o Senhor falava com o Pai como se estivesse fora e distante do Pai, como outra pessoa.Quando, porém, aquelainclinação enferma e mortal era vencida e removida, isto é, quando o Senhor esvaziava o humano daquela tendência nociva, o Divino fazia a implecção da mente externa, e daí resultava a glorificação, que era a união entre o Humano e o Divino, e a paz consequente. Era, então,quando o Senhor falava como sendo o próprio Deus, porque de fato era Divino quanto àquele aspecto glorificado de Sua mente natural.
Estes dois estados do Senhor, a saber, exinanição e glorificação, têm, por conseguinte, estreita relação com o processo pelo qual a criatura humana deve passar, se quiser nascer de novo.
“A ordem Divina é que o homem se disponha à recepção de Deus e se prepare para ser um receptáculo e um habitáculo onde Deus possa entrar e habitar como em Seu templo... para que de natural se torne espiritual.”52
Também nós precisamos ter consciência de que há males e tendências infernais em nossa natureza humana, sejam procedentes do hereditário, sejam adquiridos por nosso mal ativo, que precisam ser removidas. A Verdade do Senhor, que molda e forma o plano de nossa consciência, é que nos faz ver que precisamos nos “esvaziar” daqueles aspectos letais do caráter, para que possamos receber uma nova vontade e sermos feitos “filhos de Deus”.

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