SW 48

A Doutrina Cristã Revelada através de Emanuel Swedenborg
Cristóvão R. Nobre
"E JEHOVAH será Rei sobre toda a terra: Nesse Dia JEHOVAH será Um e o Nome d'Ele Um." (Zc. 14:9)

- 4.1.4. Do Senhor como a Palavra
O evangelho de João, no capítulo 1, diz que Deus era a Palavra e, mais adiante, no cap. 14, o Senhor diz Ele é a Verdade.Ora, quando pensamos no Senhor, imaginamos, evidentemente, um Homem Divino, com uma face, mãos pés, olhos e uma aparência definida conforme a percepção que cada um de nós tem. E quando ouvimos o termo “verdade”, por mais que nos esforcemos, sempre imaginamos um nome em si, alguma coisa abstrata, uma qualidade que depende do indivíduo a que é atribuída. Semelhantemente, quando pensamos novocábulo“Palavra”, pensamos no livro chamado Bíblia ou na fala do Senhor, quando proferia algum ensinamento. É assim, porque nosso pensamento natural está ligado obrigatoriamente aos limites de espaço (ou objetos) e tempo.
Esta é, por conseguinte, a razão pela qual temos dificuldade em entender claramente quando o Senhor diz que Ele é a Verdade, ou que Ele se tornou a Palavra. Mas a obraVerdadeira Religião Cristã nos ajudará bastante a entender como o Senhor é a Palavra. Lemos:
“Poucas pessoas compreendem como o Senhor é a Palavra, pois se pensa que o Senhor, pela Palavra, pode iluminar e ensinar os homens, e que isso não é a razão para que Ele possa ser chamado “a Palavra”. Saiba-se, porém, que cada homem é a sua vontade e o seu entendimento, e assim um homem se distingue de outro. E como a vontade é o receptáculo do amor, portanto, de todos os bens que pertencem a esse amor, e o entendimento é o receptáculo da sabedoria, portanto, de todos os veros que pertencem a essa sabedoria, segue-se que cada homem é seu amor e sua sabedoria, ou seu bem e seu vero.”63
A vida de uma pessoa, sua essência, consiste exatamente nas coisas que são recebidas na vontade, pois constituem o seu ser. Por isso, se se excluem as afeições que são da vontade, acaba a vida. A vida é o influxo e a consequente recepção do Divino Amor e da Divina Sabedoria na vontade e no entendimento. Não existe outra coisa na criatura humana que seja espiritual ou que se defina como vida senão a atuação do calor espiritual do Sol dos céus, que é o Divino Bem, e o esclarecimento da luz daquele Sol, a Divina Sabedoria.
O Senhor se tornou a Divina Verdade ou Palavra executando somente aquilo que era da Palavra e estava na Palavra, e nada mais além da Palavra, porque que toda a Palavra só trata d’Ele, no sentido interno. Ainda que aparentemente os históricos e proféticos da Palavra falem literalmente de reis, nações e guerras, no sentido espiritual tudo aquilo é símbolo das lutas que o Senhor travaria para glorificar o Humano, redimindo assim a raça humana. Tudo o que havia nas profecias, sem exceção, falava dessa obra suprema do Senhor, que Ele iria realizar, e isto era o que estava representado nos rituais e símbolos representativos do culto da Igreja Judaica. Por meio daquelas profecias, toda a Obra Divina era como se estivesse já no presente para os anjos, embora não tivessem sido feitas efetivamente no plano natural.
Quando, portanto, o Senhor veio ao mundo, começou a dar cumprimento a todas aquelas coisas que estavam previstas, ou seja, cumpriu as profecias, fazendo que a presença d’Ele no mundo não fosse mais pela Palavra, mas fisicamente. Todas as coisas que haviam sido ditas na Palavra foram reunidas e realizadas na mente Divina, em ações e pensamentos, que eram o Divino Bem e a Divina Sabedoria. E, quando estava na cruz, Ele disse: “Está consumado” para afirmar que ali se findava o cumprimento das profecias de Sua obra no natural. Acabava-se o processo de cumprir as Escrituras; as tendências meramente humanas, de Maria, foram plenamente rejeitadas, e o Humano, agora sem nenhum impedimento vinha se unir plenamente ao Divino. Assim Ele se fazia a Palavra em carne e ossos, realmente. “A Palavra se fez carne... e vimos a Sua glória”.
O Senhor, quando se transfigurou, mostrou-Se aos discípulos como a Palavra nos últimos (Mateus 17:2, Lucas 9:28), falando com Moisés e Elias, que apareceram na glória.
“Por Moisés se entende a Palavra que foi escrita por ele em geral, a Palavra histórica; e por Elias, a Palavra profética. O Senhor como a Palavra nos últimos também foi representado diante de João no Apocalipse 1: 13 a 16; ali, todas as coisas de Sua descrição significam os últimos do Divino Vero ou a Palavra”.
“Que o Senhor tenha cumprido todas as coisas da Palavra, isto é evidente pelas passagens onde se diz que por ele foram cumpridas a Lei, a Escritura, e que tudo foi consumado (...) Jesus entrou na sinagoga e se levantou para ler; então lhe deram o livro de Isaías, o profeta; Ele desenrolou o livro e achou o lugar onde estava escrito: O Espírito de JEHOVAH está sobre mim; por isso Ele Me ungiu; para anunciar o evangelho aos pobres Ele me enviou, para curar os quebrantados de coração; para anunciar aos cativos a liberdade, aos cegos a vista, e para anunciar o ano favorável do Senhor. Depois, enrolando o livro, disse: Hoje foi cumprida esta Escritura em vossos ouvidos” (Lucas 4: 16 a 21).64

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