- 4.4.2. Arrependimento x penitência
A primeira coisa do novo nascimento ou regeneração é, obviamente, deixar de fazer o mal, como está bem claro em Isaías 1:16.Masninguém pode se afastar do mal sem primeiro vê-lo, reconhecê-lo e confessá-lo ao Senhor. E ninguém pode fazer nada disso sem se examinar. Assim, o autoexamee o arrependimento são a primeira coisa da regeneração.
O termo “arrependimento” é entendido geralmente como um remorso ou dor de consciência quando se reconhece a própria falta. Todavia, esse remorso, por si mesmo, nada produz, se em seguida a pessoa não renunciar ao mal. Por isso, na terminologia latina dos seus Escritos,Swedenborg empregou o termo “pænitentia”, com um significado mais amplo envolvendo todo o processo de se examinar, reconhecer e confessar o pecado, e,em seguida, abster-se efetivamente de pensar, querer e cometer aquele pecado. Não se trata, pois, da penitência que se entende vulgarmente como o pagamento de pena e compensação pelo pecado.
“Confessar os pecados é conhecer os males, vê-los em si, reconhecê-los, considerar-se culpado e, por causa deles, condenar-se. Isto, quando feito diante de Deus, é confessar os pecados. Fazer penitência é, depois de assim confessar os pecados e de um coração humilde suplicar a remissão, desistir deles e viver uma vida nova segundo os preceitos da caridade e da fé. Quem vive a vida da caridade e da fé faz penitência diariamente, reflete sobre os males que há em si, reconhece-os, guarda-se deles e suplica o auxílio do Senhor.” 75
A penitência, de acordo com esse entendimento, pode envolver ou não o remorso, porque, quando se examina e vê o seu pecado, o cristão tem o dever de se abster, mesmo quando não sente remorso algum. De fato, o pecado que não traz remorso, mas, ao contrário, dá prazer ao pecador, esse é o mais nocivo para a sua alma, pois é como um tumor maligno que se espalha silenciosamente. Realmente, não é tão difícil deixar o mal do que se arrependeu e pelo qual sentiu dor no coração, mas é dificílimo deixar o pecado que se tornou prazer e parte de sua vida, pois nesse a pessoa está imersa e não sente remorso ou arrependimento algum; ao contrário, sente como prazer.
A mera confissão de boca, sem reflexão sobre os males específicos, nada produz. Reconhecer-se pecador de um modo geral é como a pessoa ir a uma consulta e dizer ao médico que se sente doente, de um modo geral, pedindo-lhe remédio, mas sem mencionar sintoma algum, nem se submeter a exames. É claro que, no caso do Senhor, há uma diferença porque Ele conhece perfeitamente as nossas enfermidades;todavia, nós mesmos também precisamos conhecê-las, a fim de sermos tratados delas com nossa cooperação e como se fosse por nossa própria ação.Por isso é que precisamos nos examinar frequentemente ou, no mínimo, todas as vezes que nos prepararmos para a Santa Ceia.
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