- 4.6.Da Santa Ceia
Os rituais de sacrifícios, holocaustos e libações, que constituíam todo o culto da Igreja Israelita e Judaica, foram substituídos, na Igreja Cristã, pelo pão e o vinho da Santa Ceia. Este é, portanto, um rito e um sacramento que tem um significado espiritual, sendo muito mais do que se apresenta diante dos olhos.Mas, para compreender que benefícios são e o que ela representa, é preciso conhecer as correspondências do pão e do vinho, porque
“Sem algum conhecimento das correspondências das coisas naturais com as coisas espirituais, é impossível saber quais são os usos e os benefícios da Santa Ceia.”79
A correspondência da Santa Ceia pode ser resumida desta forma: “O que as coisas naturais são para o corpo, assim as espirituais que lhes correspondem são para a mente”.Na instituição da Santa Ceia, o Senhor partiu o pão e, dando-o aos discípulos, disse: “Tomai e comei; esta é a Minha carne”. E, quanto ao vinho, o Senhor disse: “Este cálice é a nova aliança no Meu sangue”. É óbvio que não estava se referindo à Sua carne nem ao Seu sangue físicos, mas a coisas espirituais que eram representados por Sua carne e Seu sangue, assim como pelo pão e o vinho. O Senhor se referia ao Seu Divino Amor e à Sua Divina Sabedoria, pois assim como o pão e o vinho sustentam o corpo, assim o Amor e a Sabedoria do Senhor sustentam o amor e a fé da alma humana.
O corpo espiritual que é gerado no homem pelo Senhor é edificado pelos elementos espirituais que derivam do Divino Amor e da Divina Verdade, ou seja, a caridade e a fé, pois esses formam e edificam o caráter do homem regenerado exatamente como o pão e o vinho nutrem e edificam seu corpo natural. O homem “come a carne e bebe o sangue” do Senhor quando recebe em sua vontade o amor de Deus e, em seu entendimento, a sabedoria de Deus, os quais, no homem, se convertem em bem e verdade, ou caridade e fé. Essa recepção é essencial, pois é a recepção da própria vida espiritual, conforme o Senhor disse:
“Quem come a minha carne e bebe o meu sangue permanece em mim, e eu, nele ... tem a vida eterna, e eu o ressuscitarei no último dia”(João 6:56, 54).
Quando a pessoa participa da Santa Ceia, comendo o pão e bebendo o vinho, e conserva na mente a ideia desse seu significado, e no coração sentimentos puros e verdadeiros de amor ao Senhor e ao próximo, dá-se no seu espírito um estado de comunhão com o céu, assim, conjunção com o Senhor. 80
É evidente que não é o mero ato físico de comer e beber o pão e o vinho que produz esses efeitos no espírito do homem, pois esse ato é apenas uma figura ou correspondência da determinação que o homem tem de admitir em sua vontade as afeições celestes inspiradas pela Palavra e deixar que essas afeições se convertam nela em procedimento de retidão, justiça, honestidade e utilidade para com o seu semelhante. E, do mesmo modo, admitir em seu entendimento os ensinamentos da Palavra, permitir que esses ensinamentos modifiquem seu modo de entender e ver as coisas, e saiam de sua boca como palavras de verdade e sinceridade.
“Por aí é evidente que o homem, quanto toma o pão, que é o corpo, é conjunto ao Senhor pelo bem do amor a Ele e proveniente d’Ele; e, quando toma o vinho, que é o sangue, é conjunto ao Senhor pelo bem da fé n’Ele e proveniente d’Ele. Cumpre saber, porém, que a conjunção com o Senhor pelo sacramento da Ceia se faz somente naqueles que estão no bem do amor e da fé no Senhor e provenientes do Senhor. Nesses há, pela Santa Ceia, a conjunção, e nos outros há presença e não conjunção.”81
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