- 4.11. Dasegunda vinda do Senhor
“Então aparecerá no céu o sinal do Filho do Homem; todos os povos da terra se lamentarão e verão o Filho do Homem vindo sobre as nuvens do céu com poder e grande glória” (Mateus 24:30).
O Senhor prometeu que viria novamente ao mundo, e a expectativa do Seu segundo advento faz parte do cotidiano cristão. Quase todos interpretam literalmente as palavras da promessa do seu retorno baseando-se, entre outras passagens, nesta de Atos dos Apóstolos:
“Ditas estas palavras, foi Jesus levado às alturas, à vista deles (discípulos), e uma nuvem O encobriu de seus olhos. E, estando eles com os olhos fitos no céu, enquanto Jesus subia, eis que dois varões vestidos de branco se puseram ao lado deles e lhes perguntaram: Varões galileus, por que estais olhando para as alturas? Esse Jesus, que dentre vós foi recebido em cima no céu, há de vir assim como para o céu O vistes ir”(Atos 1:9-11).
É porque compreende literalmente essas duas passagens93, de Mateus e dos Atos, que o mundo cristão aguarda uma vinda física do Senhor. Todavia, a mesma interpretação literal apresenta dificuldades quando se consideram as outras coisas que o Senhor falou também a respeito de Sua Vinda:
“Em verdade vos digo que alguns há, dos que aqui estão, que não provarão a morte até que vejam vir o Filho do Homem no seu Reino” (Mateus 16:28);
“Dizia-lhes também: Em verdade vos digo que, dos que aqui estão, alguns há que não provarão a morte sem que vejam chegado o Reino de Deus com poder” (Marcos 9:1);
“E em verdade vos digo que, dos que aqui estão, alguns há que não provarão a morte até que vejam o Reino de Deus”(Lucas 9:27).
Como os cristãos da Igreja primitiva interpretavam literalmente esses três versículos, por isso alguns achavam que Jesus voltaria ainda no tempo de vida deles, ainda mais porque o Senhor havia dito, também, referindo-se à vinda do Filho do homem e do reino de Deus:
“Em verdade vos digo que não passará esta geração até que tudo aconteça” (Lucas 21:32).
E foi também segundo o mesmo entendimento literal que Paulo, ao escrever aos Tessalonicenses, disse:
“Nós, os que ficarmos vivos para a vinda do Senhor, não precederemos os que dormem. Porque o mesmo Senhor descerá do céu com alarido, e com voz de arcanjo, e com a trombeta de Deus; e os que morreram em Cristo ressuscitarão primeiro; depois, nós, os que ficarmos vivos, seremos arrebatados juntamente com eles nas nuvens, a encontrar o Senhor nos ares, e assim estaremos sempre com o Senhor” (1Tessalonicenses 4:15-17).
É óbvio que aqueles a quem Jesus se referia morreram, ou, “provaram a morte”, sem terem visto as coisas espantosas acontecerem. É óbvio, também, que aquela geração passou, e quase nada do que fora predito aconteceu fisicamente. E é fato, ainda, que Paulo morreu aguardando o cumprimento físico das palavras do Senhor.
Temos, então, uma questão séria a resolver, da qual não poderemos escapar sem formarmos uma conclusão lógica: se formos interpretar literalmente a imagem do Filho do homem vindo fisicamente numa nuvem material, teremos de admitir que a promessa d’Ele falhou para aqueles que aguardaram ver esse dia antes de morrerem.Ora, sabemos que as palavras do Senhor são verdadeiras, e Suas promessas não falham, pois Ele disse que não passaria um til ou um iota da lei sem que tudo se cumprisse, e a Sua Palavra é a Lei.
Então, se cremos que a palavra do Senhor nunca falha, não podemos tomar como verdades literais esses dois grupos de versículos, já que a compreensão literal de um inviabiliza a compreensão literal do outro. Por conseguinte, a única maneira de conciliarmos os dois grupos de passagens aparentemente antagônicas é interpretando-os como parábolas que contêm um sentido interior ou espiritual. Caso contrário, teremos de fechar os olhos para uma parte da Palavra de Deus e fazer de conta que tais coisas nunca foram ditas.
Se, todavia, entendermos que as palavras do Senhor são espírito e vida, saberemos que não existe contradição nem falha em Suas promessas, e tudo o que Ele falou há de se cumprir, mas espiritualmente. Isto se aplica, portanto, a toda a Palavra, e não somente àquelas cuja interpretação literal seria impossível ou absurda, como, por exemplo, ao que Ele nos diz sobre “cortarmos a mão”, “arrancarmos um olho”, o que entra pela boca não contamina, um terço das estrelas caindo na Terra, e assim por diante.
Portanto, os Escritos de Swedenborg ensinam que o segundo advento do Senhor não é uma vinda física, visto que o Humano do Senhor foi glorificado, “foi para o Pai”, e não pode mais estar materialmente no mundo físico, mas é uma vinda em Espírito, como o Espírito da Verdade que nos há de guiar a toda verdade. Sua Vinda nas nuvens do céu, entendida espiritualmente, quer dizer Sua manifestação no sentido literal das Escrituras, que são as nuvens, e a abertura do sentido espiritual da Palavra. E ele designou um servo seu, a quem preparou e ordenou que descrevesse esseadvento espiritual, assim como João viu o Seu advento em visão profética. Vejamos, porém, a declaração do próprio autor:
“O advento do Senhor não é um advento para destruir o céu visível e a terra habitável, e criar um novo céu e uma nova terra, como muitos acreditaram até o presente, porque não compreenderam o sentido espiritual da Palavra. Este advento do Senhor, que é o segundo, se deu a fim de que os maus sejam separados dos bons, e aqueles que creram e creem no Senhor sejam salvos, e a fim de que com eles sejam formados um novo céu angélico e uma nova igreja nas terras. E sem este advento “nenhuma carne se salvaria” (Mateus 24:22). Este segundo advento do Senhor é um advento não em pessoa, mas na Palavra que procede d’Ele e que é Ele mesmo. Este advento do Senhor é feito por intermédio de um homem, diante do qual o Senhor se manifestou em pessoa, e encheu com seu Espírito, para ensinar por Ele as doutrinas da Nova Igreja por meio da Palavra.”94
É compreensível que hoje o mundo tem dificuldade e em aceitar a alegação de alguém que diz que o Senhor mesmo lhe apareceu. Mas devemos considerar que Senhor apareceu a Paulo no caminho para Damasco, apareceu a João na ilha de Patmos e aparece a quem Ele quer. Nosso conceito acerca dessa possibilidade, ou impossibilidade, em nada limita a ação d’Ele.
E há que se compreender, também, que alguns, diante desse testemunho de Swedenborg, se lembrem das palavras de Paulo:
“Mas, ainda que nós mesmos ou um anjo do céu vos anuncie outro evangelho além do que já vos tenho anunciado, seja anátema” (Gálatas 1:8),
como é a verdade. No entanto, estas revelações não são, absolutamente, outro evangelho. Muito pelo contrário, reforçam a verdade fundamental e essencial do mesmo evangelho, de que o Senhor Deus Jesus Cristo reina, e reafirma que cada palavra que foi inspirada e escrita pelos evangelistas é santa, viva e não passará, sequer quanto a um til ou iota.
Mostrar, realçar e enaltecer a divindade e a soberania do Senhor Jesus Cristo, o mesmo Deus e JEHOVAH dos antigos que veio ao mundo, fez-se carne, habitou entre nós, ressurgiu glorificado e recebeu no Seu Humano todo o poder e glória: este é o propósito das doutrinas do sentido espiritual da Palavra.
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