TU 94

Terras no Universo
Emanuel Swedenborg
O Universo, é somente um meio para que existam terras e nelas seres humanos, dos quais o Reino Celeste é formado.

. Eu via uma espécie de objeto belíssimo e flamejante, de uma cor que variava, primeiro púrpura, depois um vermelho brilhante; essas cores também reluziam lindamente da chama; via, além disso, uma mão à qual esse objeto inflamado se fixava, primeiro às costas da mão, depois, à palma ou à parte interna da mão, e dali tocava a mão de leve em todo o seu redor. Isso durou algum tempo; em seguida, essa mão se afastou a uma distância com o objeto flamejante e, onde ela se deteve, houve uma grande claridade; nessa grande claridade a mão desapareceu e, então, esse objeto flamejante transformou-se numa ave, que logo de começo tinha as mesmas cores que o objeto flamejante, e as cores igualmente brilhavam; mas essas cores foram sucessivamente mudadas e, com as cores, também o vigor de vida na ave. Ela voava por todos os lados, primeiro ao redor da minha cabeça, depois para frente em direção a uma espécie de um compartimento estreito que se assemelhava a um santuário; e à medida que voava mais para frente, a vida a abandonava, e transformou-se enfim em pedra; primeiro, ficou então da cor de pérola, em seguida de cor escura, mas, embora sem vida, ainda assim voava. Enquanto essa ave voava ao redor de minha cabeça, e estava ainda no vigor anterior de vida, apareceu um espírito que se elevava da parte de baixo pela região do meu dorso para a região de meu peito; daí tentava arrebatar essa ave; mas como ela era tão bela, os espíritos que se encontravam ao meu redor o impediram, pois mantinham todos sua vista na ave. Mas esse espírito, que se elevara de baixo, persuadiu-os fortemente de que o Senhor estava consigo e que, assim, fazia isso pelo Senhor. Ainda que na sua maioria não tivessem acreditado nisso, entretanto não o impediram mais de arrebatar a ave. Todavia, como nesse momento o céu influía, não conseguiu segurá-la e, num instante, retornou-a de sua mão à liberdade. Quando isso terminou, os espíritos que estavam ao meu redor e tinham observado atentamente essa ave e suas transformações sucessivas, conversaram a esse respeito entre si; e isso por um longo tempo. Percebiam que tal visão não podia senão simbolizar alguma coisa celestial; sabiam que o objeto flamejante simboliza o amor celestial e as suas afeições; a mão à qual o objeto se fixava simboliza a vida e a sua força; as mudanças de cores simbolizam as variedades da vida quanto à sabedoria e à inteligência; do mesmo modo também a ave, mas, com essa diferença, que o objeto inflamado simboliza o amor espiritual e o que pertence a esse amor (o amor celestial é o amor ao Senhor e o amor espiritual é a caridade para com o próximo; vide item no 33); e às mudanças de cores e, ao mesmo tempo, às de vida na ave, até o ponto em que se tornou pedra, simbolizam as transformações sucessivas da vida espiritual no que diz respeito à inteligência. Sabiam, também, que os espíritos que sobem de baixo pela região do dorso para a região do peito estão numa forte persuasão de que estão no Senhor e, disso, crêem que todas as coisas que fazem, mesmo as coisas más, fazem-nas pela vontade do Senhor. Todavia não puderam disso saber quem eram os que deviam ser entendidos por essa visão. Enfim, foram instruídos pelo céu que eram os habitantes de Marte; seu amor celestial, em que ainda estão muitos dentre eles, foi simbolizado pelo objeto flamejante que se fixou à mão; e a ave, no começo, quando estava na beleza de suas cores e no vigor de sua vida, simbolizava seu amor espiritual. Mas o fato de que essa ave se transformou em pedra e sem vida, e, enfim, ficou de uma cor escura, simbolizava os habitantes que se afastaram do bem do amor e estão no mal, e, entretanto, ainda assim crêem que estão no Senhor; algo semelhante foi simbolizado pelo espírito que se elevava e queria arrebatar a ave.

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