TU 96

Terras no Universo
Emanuel Swedenborg
O Universo, é somente um meio para que existam terras e nelas seres humanos, dos quais o Reino Celeste é formado.

. Visto que pela ave de pedra também foram representados os que estão nos simples conhecimentos sem estarem em vida alguma do amor, e como, por conseguinte, não possuem eles qualquer vida espiritual, é aqui permitido mostrar, sob forma de um apêndice, que a vida espiritual está só naqueles que estão no amor celeste e, daí, nos conhecimentos; e que o amor em si contém toda espécie de conhecimento que se relaciona a esse amor. Sejam, por exemplo, os animais da terra e também os animais [que voam no] céu ou aves. Eles têm o conhecimento de todas as coisas que pertencem a seu amor; seus amores são de nutrir-se, de alojar-se em segurança, de propagar sua espécie, de criar seus filhotes e, entre alguns, de prover suas necessidades para o inverno; conseqüentemente, têm todo conhecimento que lhes é necessário, pois este está presente nesses amores e influi nos amores como em seus próprios receptáculos. Entre alguns desses animais esse conhecimento é tal que o ser humano não pode deixar de admirar-se dele. O conhecimento lhes é inato, e é chamado instinto, mas pertence ao amor natural em que eles estão. Se o ser humano estivesse em seu amor, que é o amor a Deus e para com o próximo (este amor é próprio do ser humano, pelo qual ele se distingue dos animais, e é o amor celeste), então, ele estaria não somente em todo conhecimento necessário, mas também em toda a inteligência e sabedoria, pois estas influiriam do céu nesses amores, isto é, do Divino por meio do céu. Mas como o ser humano não nasce nesses amores, mas, sim, nos amores contrários, a saber, nos amores de si e do mundo, é por isso que não pode deixar de nascer em toda ignorância e falta do saber. Contudo é guiado por meios Divinos a algo de inteligência e de sabedoria, mas ainda assim não efetivamente em coisa alguma, a menos que os amores de si e do mundo sejam afastados e, assim, o caminho para o amor a Deus e para com o próximo seja aberto. Que o amor a Deus e o amor para com o próximo tenham em si toda inteligência e toda sabedoria pode-se ver pelas pessoas que, no mundo, estiveram nesses amores; quando, após a morte, chegam ao céu, lá sabem e amam coisas que nunca tinham conhecido antes e, ainda mais, pensam e falam, como os outros anjos, tais coisas que o ouvido nunca escutou e de que a mente nunca teve conhecimento, as quais são inefáveis; e isso porque esses amores têm em si a faculdade de receber tais coisas.

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