. Que o homem que não é espiritual possa, todavia, pensar racionalmente e, daí, falar como o homem espiritual, é porque o entendimento do homem pode ser elevado à luz do céu, que é a verdade, e ver por essa luz; mas a vontade do homem não pode ser da mesma maneira elevada ao calor do céu, que é o amor, e por ele agir. Daí vem que a verdade e o amor não fazem um no homem, a menos que seja espiritual. Daí vem, também, que o homem pode falar; é mesmo o que faz a diferença entre o homem e o animal. Pelo fato de o entendimento poder ser elevado ao céu, quando a vontade ainda não o foi, resulta que o homem pode ser reformado e tornar-se espiritual; porem só é reformado e se torna espiritual quando a vontade é também elevada. Dessa faculdade do entendimento, mais do que da faculdade da vontade, resulta que o homem, qualquer que seja, mesmo o mau, pode, como o homem espiritual, pensar racionalmente e daí falar. Mas se todavia ele não é racional, é porque o entendimento não conduz a vontade, mas a vontade o entendimento. O entendimento somente ensina e mostra o caminho, assim como foi dito na Doutrina sobre a Escritura Santa (n. 115); e enquanto a vontade não está, junto com o entendimento, no céu, o homem não é espiritual, nem por conseguinte racional. Porque, quando está entregue à sua vontade ou ao seu amor, rejeita de seu entendimento as coisas racionais sobre Deus, o céu e sobre a vida eterna, e em seu lugar admite coisas que concordem com o amor de sua vontade, e as chama racionais. Mas essas coisas devem ser vistas nos tratados Sobre a Sabedoria Angélica.
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