VRC &48

A Verdadeira Religião Cristã
Emanuel Swedenborg
Contendo toda a teologia da Nova Igreja

- Ao que precede ajuntarei êste Memorável. Um dia eu conversava com dois Anjos, um era do Céu oriental e o outro do Céu meridional, quando êles perceberam que eu meditava sôbre os Arcanos da sabedoria concernente ao Amor, êles me disseram: Tens algum conhecimento dos jogos da sabedoria em nosso mundo? Respondi: Ainda não; e eles disseram: Há vários deles e aquêles que amam os veros pela afeição espiritual ou porque são veros e que a sabedoria existe pelos veros, se reúnem a um sinal dado e discutem e decidem questões que pertencem a um entendimento muito profundo. Então me tomaram pela mão, dizendo: Segue-nos e verás e ouvirás; o sinal da reunião foi dado hoje. Fui conduzido através de uma planície para uma colina e ao pé da colina, um pórtico de palmeiras, continuado até em cima; entramos ai e subimos; e sôbre a cabeça ou o cume da colina vi um Bosque entre, as árvores, do qual um terreno elevado formava uma espécie de Teatro onde havia uma plataforma pavimentada com pedrinhas de diversas cores; em torno, desta Plataforma em quadrado haviam sido colocadas cadeiras sôbre as quais estavam assentados os amadores da sabedoria; e no meio do Teatro estava uma mesa e sôbre ela tinha sido colocado um Papel selado. Os que estavam assentados nas cadeiras nos convidaram a tomar cadeiras ainda vagas; e eu respondi: Fui conduzido aqui por dois Anjos para ver e escutar e não para me sentar; e então êstes dois Anjos foram ao meio da Plataforma em direção à mesa e romperam o sêlo do papel e leram diante daqueles que estavam assentados os arcanos da sabedoria escritos sôbre o papel, os quais iam ser discutidos e desenvolvidos; tinham sido escritos pelos Anjos do terceiro Céu e enviados sôbre a mesa; havia três Arcanos, o PRIMEIRO: 0 que é a imagem de Deus e o que é a Semelhança de Deus, segundo as quais o homem foi criado? 0 SEGUNDO: Por que o homem não nasce na ciência de amor algum, quando entretanto as bestas e os pássaros, tanto nobres como ignóbeis, nascem ciências de todos os seus amores? 0 TERCEIRO: Que significa a Árvore da Vida; que significa a Arvore da ciência do bem e do mal; e que significa a ação de comer dessas árvores? Em baixo estava escrito: Reuni as três decisões em uma única sentença, e escreveia-a sôbre um nôvo papel e recolocai-o sôbre esta mesa; se a sentença, na balança, parece de pêso e justa, o premeio da sabedoria será dado a cada um de vós. Após esta leitura os dois Anjos se retiraram e foram levados para os Céus. E então aquêles que estavam assentados nas cadeiras começaram a discutir e desenvolver os Arcanos que lhes eram propostos e falaram em ordem; primeiro os que estavam sentados no Setentrião, em seguida os que estavam no Ocidente, depois os que estavam no Oriente; e tomaram o Primeiro assunto da discussão, que era: 0 QUE E' A IMAGEM DE DEUS E 0 QUE E' A SEMELHANÇA DE DEUS, SEGUNDO AS QUAIS 0 HOMEM FOI CRIADO? E então leu-se primeiro diante de todos os assistentes estas passagens do Livro da Criação: "Deus disse: Façamos o homem à nossa Imagem, à Semelhança de Deus êle, o fez'' (1, 26 e 27). "No dia em que Deus criou o homem, à Semelhança de Deus Êle o fez'' (V, 1).
Aquêles que estavam sentados no Setentrião falaram primeiro, dizendo que a Imagem de Deus e a Semelhança de Deus são as duas Vidas inspiradas no homem por Deus, isto é, a Vida da vontade e a Vida do entendimento, pois está dito: "Jehovah Deus inspirou nas narinas de Adão uma alma de Vidas e o homem foi feito alma vivente" (Gen. 11, 7). Pelo que parece ser ,entendido que Êle lhe inspirou a vontade do bem e a percepção do vero e assim uma alma de vidas; e como a vida lhe foi inspirada por Deus, a Imagem e a Semelhança significam a integridade nêle segundo o amor e a sabedoria e segundo a justiça e o julgamento. Aqueles que estavam sentados no Ocidente foram favoráveis a esta opinião, acrescentando entretanto que o estado de integridade que lhe foi inspirado por Deus, é contínuamente inspirado a cada homem depois dele, mas que está no homem como em um receptáculo, e que o homem sendo um receptáculo é a imagem e semelhança de Deus. Em seguida os Terceiros em ordem, a saber, aquêles que estavam sentados ao Meio-Dia, disseram: A Imagem de Deus e a Semelhasça de Deus são duas cousas distintas, mas unidas no homem por criação e vemos como numa espécie de luz interior que o homem pode destruir a imagem de Deus, mas não a semelhança de Deus; isto se apresenta como através de um véu, no fato de Adão ter retido a semelhança de Deus após ter perdido a imagem de Deus, pois após a maldição lê-se estas palavras: "Eis, o homem é como um de nós, sabendo o bem e o mal" (Gen. 111, 22). E em seguida é chamado semelhança de Deus (Geri. V, 1), mas deixemos falar os nossos co-associados que estão sentados no Oriente e estão por conseqüência em uma luz superior sôbre o que é própriamente a imagem de Deus e -o que é própriamente a semelhança de Deus. E então, depois que o silêncio se restabeleceu, os que estavam sentados no Oriente se, levantaram de suas cadeiras e elevaram o olhar para o Senhor; e em seguida se recolocaram em suas cadeiras e disseram: A Imagem de Deus é o receptáculo de Deus e Deus sendo o Amor mesmo e a Sabedoria mesma, a imagem de Deus é a recepção do amor e, da sabedoria que procedem de Deus, no homem; mas a Semelhança de Deus é uma perfeita semelhança e uma plena aparência como se o amor e a sabedoria estivessem no homem e por conseqüência absolutamente como se lhe pertencessem pois o homem não pode fazer outra cousa senão sentir que ama por si mesmo e que é sábio por si mesmo ou que quer o bem e compreende o vero por si mesmo quando entretanto, não o é na mínima cousa por si mesmo, mas o é por Deus; Deus só ama por Si mesmo e é sábio por Si mesmo, porque Deus é o Amor mesmo e a Sabedoria mesma; a semelhança ou a aparência que o amor e a sabedoria ou o bem e o vero estão no momem como lhe pertencendo, faz que o homem seja homem e possa ser conjunto a Deus e assim viver na eternidade; segue-se daí que o homem é homem pelo fato de poder querer o bem e compreender a verdade absolutamente como por si mesmo, e entretanto saber !e crer que é por Deus, pois à medida que sabe e crê, Deus põe Sua imagem no homem; isto seria de outro modo se êle cresse que é por si mesmo e não por Deus. Depois que êles assim falaram, o zêlo que produz o amor da verdade os tomou e êles pronunciaram estas palavras: Como pode o homem receber alguma cousa do amor e da sabedoria, o reter e reproduzir, se êle não o sente como lhe pertencendo? Como pode haver uma conjunção com Deus pelo amor e a sabedoria, se não for dado ao homem algum recíproco de conjunção, pois sem um recíproco nenhuma conjunção pode existir; e o recíproco da conjunção é que o homem ame a Deus e faça as coisas que são de Deus -como por si mesmo e creia entretanto que é por Deus! Como o homem pode viver na eternidade, se não for conjunto a Deus eterno? E por conseqüência como pode o homem ser homem sem esta semelhança nêle? A estas palavras todos aplaudiram e disseram: Que seja tirada uma conclusão do que acaba de ser dito e tirou-se esta: 0 homem é o receptáculo de Deus; e o Receptáculo de Deus é a Imagem de Deus; e como Deus é o Amor mesmo e a Sabedoria mesma, o homem é o Receptáculo do Amor e da Sabedoria e o Receptáculo torna-se Imagem de Deus conforme recebe; o homem é a Semelhança de Deus pelo fato de sentir que as cousas que vêm de Deus estão nêle como se lhe pertencessem; mas entretanto por esta semelhança êle não é a imagem de Deus senão tanto quanto reconhece que o amor e a sabedoria ou o bem e o vero, não são nêle cousas que lhe pertençam e que assim elas não vêm tampouco déle, mas que são únicamente de Deus e vêm por conseqüência de Deus. Depois disso, tomaram o segundo grau da discussão: "PORQUE 0 HOMEM NAO NASCE NA CIÈNCIA DE AMOR ALGUM, QUANDO ENTRETANTO AS BÉSTAS E OS PASSAROS, TANTO NOBRES COMO IGNÓBEIS, NASCEM NAS CIÈNCIAS DE TODOS OS SEUS AMORES". De comêço confirmaram a verdade da proposição por diversos meios, por exemplo, a respeito do homem, que êle não nasce em ciência alguma, nem mesmo na ciência do amor conjugal; e se informaram e observadores lhes disseram que a criança não conhece mesmo por uma ciência inata a mama da mãe, mas que é a mãe ou a ama que a faz conhecê-la, aproximando-a; que ela só sabe mamar e que aprendeu isso por uma contínua sucção no útero da mãe; que mais tarde não sabe nem caminhar, nem articular o som em palavra humana alguma, nem mesmo exprimir pelo som como as bêstas, as afeições do amor; que além disso não conhece alimento algum que lhe convém, como as bêstas, mas toma o que encontra, quer seja limpo ou sujo e o leva à boca; êstes observadores disseram que o homem, sem instrução, ignora absolutamente as maneiras de amar o sexo e que mesmo as moças e os rapazes o ignoram, se não forem instruídos por outros; em uma palavra, o homem nasce corporal como * verme; e permanece corporal, a menos que aprenda por outros * saber, a compreender e a ser sábio. Depois disso, confirmaram que as Bêstas, tanto nobres como ignóbeis, como os animais da terra, os pássaros do Céu, os réptis, os peixes, estes vermes que se chamam insetos, nascem em tôdas as ciências dos amores de sua vida, por exemplo, em tudo que concerne à alimentação, em tudo que concerne à habitação, em tudo que concerne ao amor do sexo e à prolificação e em tudo que concerne à educação de seus filhotes; confirmaram isso por maravilhas que lembraram em suas memórias, pelo que tinham visto, ouvido e lido no Mundo natural, onde tinham vivido antes e no qual há bestas não representativas, mas reais. Depois que a verdade da proposição foi assim provada, aplicaram suas mentes em pesquisar e encontrar as causas pelas quais desenvolveriam êste Arcano; e disseram todos: Isso não pode existir assim senão pela Divina Sabedoria, a fim de que -a homem seja homem e que, a bêsta seja bêsta e que assim a imperfeição de nascença do homem se torne perfeição e que a perfeição de nascença da bêsta seja a imperfeição.
Então os do Setentrião começaram, primeiro, a dar sua opinião e disseram que o homem nasce sem as ciências, a fim de que possa recebê-las tôdas, enquanto que se nascesse nas ciências não poderia receber outras a não ser aquelas em que nascesse; e que então não poderia tampouco se apropriar de nenhuma; ilustraram isso por comparações: 0 homem no seu nascimento é como um humus no qual semente alguma está espalhada, mas que pode entretanto receber todas as sementes e fazei-las crescer e frutificar; a besta, ao contrário, é como um húmus já semeado e cheio de grama e de ervas, o qual não recebe outras sementes senão as que nele estão semeadas; se outras lhe fossem confiadas, ele as abafaria; daí vem que o homem, para adquirir todo seu crescimento, emprega vários anos, durante os quais pode, como um húmus, ser cultivado e produzir como que colheitas, flores e árvores de toda espécie, enquanto que a besta adquire seu crescimento em muitos poucos anos, durante os quais não pode ser cultivada senão nas ciências que recebeu de nascença. Em seguida os do Ocidente falaram e disseram que o homem não nasce ciência, como a besta, mas nasce Faculdade e Inclinação; Faculdade para saber, e Inclinação para amar e nasce Faculdade não somente para amar as cousas que são dele e do mundo, mas também as que são de Deus e do Céu; que em conseqüência o homem nasce órgão, vivendo apenas pelos sentidos externos, portanto obscuramente, mas de modo algum pelos internos, a fim de que sucessivamente viva e se torne homem, a princípio natural, em seguida racional e pôr fim espiritual; o que não aconteceria, se nascesse nas ciências e nos amores como as bestas; com efeito, as ciências e as afeições do amor inatas (connata) limitam esta progressão; mas as faculdades e inclinações sós não limitam cousa alguma; é por isso que o homem pode ser aperfeiçoado pela ciência, a inteligência e a sabedoria durante a eternidade. Os do meio-dia falaram em seguida e emitiram sua opinião dizendo: V impossível ao homem adquirir por si mesmo alguma ciência, mas é pelos outros que ele deve adquirir a ciência, pois que nenhuma ciência é inata (connata) nele; e como não pode adquirir por si mesmo nenhuma ciência, não pode tampouco adquirir amor algum, pois que onde não está a ciência, aí não está o amor; a ciência e o amor são companheiros indivisíveis e não podem ser separados do mesmo modo que a vontade e o entendimento, ou a afeição e o pensamento, enfim do mesmo modo que a essência e a forma; à medida portanto que o homem adquire dos outros a ciência, o amor a esta se adjunta como companheiro da ciência; o amor universal que a ela se adjunta é o amor de saber e em seguida o amor de compreender e o amor de ser sábio; estes amores são do homem somente e não estão em besta alguma e influem de Deus. Concordamos com os nossos companheiros do Ocidente, que o homem não nasce em amor algum> nem por conseqüência em ciência alguma, mas nasce somente na inclinação de amar e, por conseguinte na faculdade de receber as ciências, não dele mesmo, mas pelos outros, isto é, por intermédio dos outros, porque estes também nada recebem deles mesmos, mas receberam originariamente de Deus. Concordamos também com os nossos companheiros do Setentrião, que o homem ao nascer é como um húmus no qual nenhuma semente foi espalhada, mas onde podem ser semeadas todas as cousas tanto nobres como ignóbeis; daí vem que ele tenha sido chamado Homem da palavra húmus e Adão da palavra Adama que é o Humus. A isso ajuntamos que as Bestas nascem nos amores naturais e, por conseguinte, nas ciências que a eles correspondem, e que entretanto dessas ciências eles nada sabem, nada pensam, nada compreendem e nada discernem, mas a elas são conduzidos por seus amores pouco mais ou menos como os cegos nas ruas por cães, pois são cegos quanto ao entendimento; ou antes são como sonâmbulos que fazem o que fazem por uma ciência cega, estando o entendimento entorpecido. Os do Oriente falaram em último lugar e disseram: Concordamos com as opiniões que nossos irmãos emitiram, que o homem nada sabe por si mesmo, mas sabe pelos outros e por intermédio dos outros, a fim de que conheça e reconheça que tudo o que sabe, compreende e discerne, vem de Deus; e que de outro modo o homem não pode nascer e ser engendrado de Deus, nem se tornar Sua imagem e semelhança; pois ele se torna imagem de Deus pelo fato de reconhecer e crer que recebeu e recebe de Deus e não de si mesmo, todo bem do amor e da caridade e todo vero da sabedoria e da fé; e é a semelhança de Deus, pelo fato de sentir em si este bem e este vero como vindos dele mesmo; sente isso porque não nasce nas ciências, mas as recebe e lhe parece que o que recebe vem dele; Deus dá mesmo ao homem sentir assim, a fim de que seja homem e não besta, pois que pelo fato de querer, pensar, amar, saber, compreender e ser sábio como por si mesmo, recebe as ciências, as exalta em inteligência, e por seus usos, em Sabedoria; assim Deus conjunta o homem a Ele, e o homem se conjunta a Deus; estas cousas não teriam podido se fazer se Deus não tivesse provido para que o homem nascesse em uma ignorância total. Depois destas palavras, todos quiseram que se formasse uma conclusão do que acabava de ser dito e formulou-se esta: "Que o homem não nasce em ciência alguma, a fim de que possa crescer em toda ciência, e fazer progressos na inteligência e, pela inteligência, na sabedoria; e não nasce em amor algum, a fim de que possa crescer todo amor, pelas aplicações das ciências segundo a inteligência e no amor para com Deus pelo amor em relação ao próximo, e assim ser conjunto a Deus, e por isso, tornar-se homem, e viver na eternidade. Em seguida, tomaram o papel e leram o terceiro Objeto da discussão, a saber: "0 QUE SIGNIFICA A ARVORE DA VIDA; 0 QUE SIGNIFICA A ARVORE DA CIÊNCIA DO BEM E DO MAL; 0 QUE SIGNIFICA A AÇÃO DE COMER DESSAS ARVORES?" todos pediram que os que estavam sentados ao Oriente desenvolvessem esse Arcano, como tendo um entendimento mais profundo e porque os que são do Oriente estão na luz inflamada, isto é, na sabedoria do amor e esta sabedoria é entendida pelo Jardim do Éden, no qual estas duas Arvores estavam colocadas; estes responderam: Vamos falar, mas como o homem nada pode tirar dele mesmo e tira tudo de Deus, falaremos segundo Deus, mas não obstante por nós como se fosse por nós mesmos; e então disseram: a Arvore significa o homem e o fruto da árvore é o bem da vida; daí a árvore da vida significa o homem vivendo por Deus; e como o amor e a sabedoria, a caridade e a fé, ou o bem e o vero fazem a vida de Deus no homem, a Arvore da vida significa o homem em que estas cousas estão por Deus e, por conseguinte, a vida eterna para o homem; a Arvore da Vida de que lhe será dado comer (Apoc. 11, 7, e XXII, 2 e 14), tem a mesma significação. A Arvore da ciência do bem e do mal significa o homem que crê viver por si mesmo e não por Deus, assim crê que o amor e a sabedoria, a caridade e a fé, isto é, o bem e o vero, pertencem no homem ao homem, e não a Deus, crendo isso porque pensa e quer, fala e age em toda semelhança, e em toda aparência como por si mesmo; e como o homem por conseguinte se persuade que é também um Deus, é por isso que a Serpente disse: "Deus sabe que no dia que comerdes do fruto desta árvore, os vossos olhos serão abertos, e vós sereis como Deus sabendo o bem e o mal" (Gen. 111, 5). A Ação de comer destas árvores significa a recepção e a apropriação; a ação de comer da árvore da vida, a recepção da vida eterna; e a grão de comer da árvore da ciência do bem e do mal, a recepção da danação; pela Serpente é entendido o diabo quanto ao amor de si e ao fasto da própria inteligência; e este amor é o possuidor desta árvore e os homens que estão no fasto segundo este amor são estas árvores. Estão portanto em grande erro aqueles que crêem que Adão foi sábio e fez o bem por ele mesmo e que era esse o seu estado de integridade, quando entretanto este Adão, foi maldito por causa desta fé; pois isso é significado por Comer da árvore da ciência do bem e do mal; é por isso que então ele caiu do estado de integridade, no qual tinha estado quando cria. Ser sábio e fazer o bem por Deus e de modo algum por si mesmo, pois isto é entendido por Comer da árvore da vida. O Senhor só, estando no Mundo, foi sábio por Si mesmo, porque por nascimento o Divino Mesmo estava n'Ele e Lhe pertencia, também é por isso que pela própria potência Ele se tornou o Redentor e Salvador. De tudo que acabavam de dizer fizeram esta Conclusão: "Que pela Arvore da vida e pela Arvore da ciência do bem e do mal e pela ação de comer destas árvores, é entendido, que a Vida para o homem é Deus nele, e que então ele tem o Céu e a Vida eterna; e que a Morte para o homem é a persuasão e a fé de que a vida para o homem é, não Deus, mas ele mesmo, donde lhe vem o Inferno e a Morte eterna, que é a danação.
Depois disso, examinaram o Papel deixado pelos Anjos sobre a mesa e viram escrito em baixo: "Reuni as três Decisões em uma única sentença"; e então eles as reuniram de novo e viram que se ligavam as três em uma única série; e que esta série ou esta sentença era esta: "Que o Homem foi criado para receber de Deus o amor e a sabedoria e, entretanto, em toda semelhança como dele mesmo; e isso por causa da recepção e da conjunção; e que em conseqüência o homem não nasce em amor algum, nem em ciência alguma, nem mesmo em poder algum de -amar e de ser sábio por si mesmo; é por isso que se atribui todo bem do amor e todo vero da sabedoria a Deus, torna-se Homem vivente; mas se os atribui a si mesmo, torna-se homem morto". Escreveram estas palavras sobre um novo Papel e o colocaram sobre a Mesa; e eis que, imediatamente, os Anjos foram presentes em uma nuvem de uma brancura resplandecente e levaram o, papel ao Céu e depois que ali foi lido, os que estavam sentados nas cadeiras ouviram vozes do Céu: Bem, bem, bem. E em seguida apareceu um Anjo que parecia voar, tendo como que duas asas nos pés e nas têmporas; trazia prêmios, que consistiam em Togas, Barretes e Coroas de louro; e desceu e deu aos que estavam sentadas ao Setentrião Togas de cor opala; aos que estavam ao Ocidente togas de cor escarlate; aos que estavam ao Meio-Dia. Barretes ornados em volta com faixas de ouro e pérolas, cuja elevação do lado esquerdo era enriquecida com diamantes talhados em forma de flores; e aos que estavam ao Oriente, coroas de louro nas quais estavam rubis e safiras; e todos, decorados com seus prêmios foram embora do Jogo da sabedoria para suas casas com alegria.

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