VRC &57

A Verdadeira Religião Cristã
Emanuel Swedenborg
Contendo toda a teologia da Nova Igreja

- A opinião dominante hoje é que a Onipotência de Deus é semelhante à potência, no Mundo, de um Rei absoluto, que pode a seu bel-prazer fazer tudo o que quiser, absolver e condenar quem quiser, fazer o culpado, inocente, declarar fiel o que é infiel, colocar o homem incapaz e sem mérito acima do homem. capaz e de mérito; e que pode mesmo sob um pretexto qualquer, tirar de seus súditos os seus bens e entregá-los à morte, além de muitos outros abusos semelhantes. Por esta opinião, esta fé e esta doutrina insensata sobre a Onipotência Divina, espalharam se na Igreja tantas falsidades, ilusões e quimeras, como há momentos, articulações e gerações da fé; e podem ainda se espalhar tantos quantos vasos se pode encher com a água de um grande lago ou quantas serpentes saem de suas cavernas e vão, gozar a exposição ao sol em um deserto da Arábia. Não temos necessidade senão de duas palavras, Onipotência e Fé; e então, espalha-se diante do vulgo tantas conjecturas, fábulas e futilidades, quantas caem sob os sentidos corporais, pois a razão é excluída por uma e por outra destas palavras; e uma vez a razão excluída, em que o pensamento do homem é superior à razão do pássaro que voa acima de sua cabeça? ou, a que se assemelha então o Espiritual, que o homem tem a mais que as bêstas, senão ao odor que exalam as jaulas, odor que convém as bêstas que aí estão encerradas, mas não ao homem, a menos que seja semelhante a elas? Se a Onipotência Divina tivesse a extensão para fazer o mal como para fazer o bem, que diferença haveria entre Deus e o Diabo? Não haveria outra senão a que existe entre dois Monarcas, um dos quais é Rei e ao mesmo tempo -tirano, e o outro um Tirano cuja potência foi amarrada, o que faz com que não possa ser chamado Rei; ou entre um Pastor a quem foi permitido agir como ovelha e também como leopardo; e um Pastor a quem isso não foi permitido. Quem não pode saber que o bem e o mal são opostos e que se Deus, pela Sua Onipotência, pudesse querer um e outro e fazer um e outro segundo esse quere-r, Ele nada mais poderia absolutamente e não teria, por conseqüência, potência alguma, nem com mais forte razão a Onipotência? Seria como duas rodas que agissem mutuamente em sentido contrário; por esta reação cada roda ficaria no lugar e estariam completamente -em repouso; ou como um Navio que, em uma torrente oposta à sua marcha, seria arrastado e pereceria se não estivesse em repouso sobre sua âncora; ou como o homem que tem duas vontades opostas entre si, das quais uma está necessariamente em repouso quando a outra age; mas se agissem as duas ao mesmo tempo, lançariam sua mente no delírio ou na vertigem.

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