VRC &85

A Verdadeira Religião Cristã
Emanuel Swedenborg
Contendo toda a teologia da Nova Igreja

- II. E JEHOVAH DEUS DESCEU COMO DIVINO VERO, QUE E' A PALAVRA E, ENTRETANTO, NÃO SEPAROU 0 DIVINO BEM.
Há duas cousas que constituem a Essência de Deus, a saber, o Divino Amor e a Divina Sabedoria, ou, o que dá no mesmo, o Divino Bem e o Divino Vero; que a Essência de Deus seja composta, dessas duas cousas, é o que foi demonstrado acima, ns. 36 a 48. Essas duas cousas na Palavra são entendidas também por Jehovah Deus; por Jehovah, o Divino Amor ou o Divino Bem, e por Deus, a Divina Sabedoria ou o Divino Vero; dai vem que na Palavra os dois são distinguidos de diversas maneiras; ora Jehovah só é nomeado, ora Deus só, pois onde se trata do Divino Bem, aí se diz Jehovah; onde se trata do Divino Vero se diz Deus, onde se trata de um e de outro, aí se diz Jehovah Deus. Que Jehovah Deus tenha descido como Divino Vero, que é a Palavra, vê-se em João por esta passagem: "No comêço era a Palavra e a Palavra estava com Deus; e Deus era a Palavra; tôdas as cousãs por Ela foram feitas e sem Ela não foi feito nada do que se fêz. E a Palavra carne foi feita e habitou entre nós" (1, 1, 3, 14). Se pela Palavra nesta passagem é entendido o Divino Vero, é porque a Palavra, que está na Igreja, é o próprio Divino Vero, pois foi ditada pelo próprio Jehovah; e o que é ditado por Jehovah é puramente o Divino Vero e não pode ser outra cousa; mas como a Palavra atravessou os Céus para chegar até ao Mundo, ela foi adaptada à concepção dos Anjos no Céu, e também à dos homens no Mundo; daí haver na Palavra um sentido espiritual, no qual o Divino Vero está na luz; e um sentido natural no qual o Divino Vero está na sombra; é por isso que o Divino Vero nesta Palavra é o que é entendido em João; isto é ainda mais evidente pelo fato do Senhor vir ao Mundo para cumprir todas as coisas da Palavra; por isso se lê (na Palavra) tão freqüentemente que tal ou tal cousa Lhe aconteceu a fim de que a Escritura fosse cumprida. Tampouco não é entendida outra cousa senão o Divino Vero pelo Messias ou o Christo, nem outra cousa pelo Filho do Homem, nem outra cousa pelo Paracelso, o Espírito Santo, que o Senhor enviou depois de Sua salda dêste Mundo. Que na transfiguração diante dos três discípulos sobre a montanha - Mateus XVII; Marcos IX; e Lucas IX - e também diante de João no Apocalipse - 1, 12 a 16 - Êle se tenha representado como sendo esta Palavra, é o que se verá no Capítulo sobre a Escritura Santa. Que o Senhor no Mundo tenha sido o Divino Vero, isso é evidente por Suas próprias palavras: "Eu sou o Caminho, a Verdade e a Vida" (João XIV, 6), e por estas: "Sabemos que o Filho de Deus veio e nos deu a entendimento, a fim de que conhecêssemos a Verdade; e estamos na Verdade, em Seu Filho Jesus Christo; Êle é o verdadeiro Deus e a Vida eterna (João I, Epístola V, 20 e 21). E também pelo fato d'Éle ser chamado a Luz, como nestas passagens: "Ele era a Verdadeira Luz, que ilumina todo homem vindo ao Mundo" (João 1, 4 e 9). "Jesus disse: Ainda por um pouco de tempo a Luz está convosco; caminhai enquanto tendes a Luz, de modo que as trevas não vos surpreendam; enquanto tendes a Luz, créde na Luz, a fim de que sejais filhos da Luz" (João XII, 35, 36 e 46). "Eu sou a Luz do Mundo" (João IX, 5). "Simão disse: Meus olhos viram a tua Salvação, Luz para a revelação das nações" (Lucas 11, 30 a 32). "E' êste o julgamento, que a Luz veio ao Mundo. Aquêle que faz a Verdade, vem à Luz" (João III, 19 e 21), e em outros lugares pela Luz é entendido o Divino Vero.

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