VRC &172

A Verdadeira Religião Cristã
Emanuel Swedenborg
Contendo toda a teologia da Nova Igreja

- IV. A TRINDADE DE PESSOAS DIVINAS DE TODA ETERNIDADE, OU ANTES DO MUNDO CRIADO, E' NAS IDÉIAS DO PENSAMENTO UMA TRINDADE DE DEUSES; E A IDÉIA DE TRÊS DEUSES NÃO PODE SER APAGADA PELA CONFIESAO ORAL DE UM úNICO DEUS.
Que a Trindade de três Pessoas Divinas de toda eternidade seja uma Trindade de Deuses, vê-se claramente por estas palavras do símbolo de Atanásio: "Outra é a Pessoa do Pai, outra a do Filho e outra a do Espírito Santo: Deus e Senhor é o Pai, Deus e Senhor é o Filho, Deus e Senhor é o Espírito Santo; mas, entretanto, não são nem três Deuses nem três Senhores, mas um único Deus e um único Senhor; porque, do mesmo modo que somos forçados pela verdade Cristã a confessar que cada Pessoa é em particular Deus e Senhor, do mesmo modo nos é proibido pela Religião Católica, dizer três Deuses ou três Senhores; êste símbolo foi recebido por toda a Igreja Cristã como Eucumênico ou universal; e tudo o que hoje se sabe e reconhece sobre Deus é tirado dêste símbolo. Que aquêles que estavam no Concílio de icéa, donde saiu como feto póstumo este Símbolo chamado símbolo de Atanásio, não tenham entendido outra Trindade senão uma Trindade de Deuses, quem quer que -o leia somente de olhos abertos pode vê-lo; que uma Trindade de Deuses tenha não sómente sido entendida por êles, mas ainda que não seja entendida outra Trindade no Mundo Cristão, isso resulta de que todo conhecimento sobre Deus é tirado deste símbolo e que cada um permanece na fé das palavras que aí estão. Que hoje, no Mundo Cristão, não seja entendida outra Trindade que não seja uma. Trindade de Deuses, eu apelo sobre isso para todo homem, tanto Leigo como Eclesiástico, tanto para os Professores e Doutores laureados, como para os Bispos e Arcebispos consagrados; e também para os Cardeais purpurados e o que é mais, para o Pontífice Romano mesmo, que cada um se consulte e se exprima então segundo as idéias de sua mente; pelas palavras desta doutrina recebida universalmente sobre Deus, isso é também visível e tão diáfano como a água através de um vaso de cristal; por exemplo, que há três Pessoas e que cada uma delas é Deus e Senhor; em seguida, que pela verdade Cristã se deve confessar e reconhecer que cada Pessoa é em particular Deus e Senhor, mas que a Religião ou- a Fé Católica ou Cristã proíbe dizer ou nomear três Deuses e três Senhores; e que assim a Verdade e a Religião, ou a Verdade e a Fé não são uma única cousa, mas são duas cousas que se contrariam. Se foi acrescentado que não são nem três Deuses nem três Senhores, mas um unico unico Deus e um único Senhor, foi para não se expor ao ridículo diante do Mundo Inteiro, pois quem não arrebentaria de rir com a idéia de três Deuses? mas quem não vê a contradição no que foi acrescentado? Se, ao contrário, tivessem dito que a Divina Essência é do Pai, a Divina Essência é do Filho, e a Divina Essência é do Espírito Santo, mas que não são três Essências Divinas, mas que a Essência é una e indivisível, então este mistério seria explicável, por exemplo, quando pelo Pai é entendido o Divino do qual (a quo) tudo provém, pelo Filho o Divino Humano que d'Ele provém, e pelo Espírito Santo, o Divino procedente, os quais pertencem, to-dos três, a um único Deus; ou se pelo Divino do Pai é entendida a mesma cousa que a alma no homem, pelo Divino Humano a mesma cousa que pelo corpo desta alma, e pelo Espírito Santo, a mesma coisa que pela Operação que procede da alma e do corpo, então são entendidos três essenciais que pertencem a uma única e mesma Pessoa; e assim, fazem em conjunto, uma Essência única e indivisível.

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