- I. A Caridade é o bem querer, e as boas são o bem-fazer segundo o bem-querer. A Caridade e as Obras são distintas entre si, como a Vontade e a Ação, e como a afeição da Mente e a operação do Corpo; por conseqüência, também como o homem Interno e o homem Externo e estes estão entre si como a Causa e o Efeito, pois as cassas de tôdas as coisas são Na madas no homem Interno e todos os efeitos se fazem, por cora seguinte, no homem Externo; é por isso que a Caridade, porque pertence ao homem Interno, é o bem-querer; e as obras, porque pertencem ao homem Externo, são o, bem-fazer segundo o bem-querer. Mas, não obstante, há uma diversidade infinita entre o bem querer de um e o de outro, pois tudo que é feito por alguém em favor de outro, acredita-se profluir, ou parece profluir do bem querer ou da benevolência; mas não se sabe, entretanto, se os benefícios vêm da Caridade e, ainda menos, de que Caridade vem, se é da caridade real ou da caridade bastarda, esta diversidade infinita entre o bem querer de um e o de outro, tira sua origem do Fim, da Intenção e assim do Desígnio (aquilo que alguém se propôs); estas coisas estão interiormente escondidas na Vontade de bem agir, a qualidade de cada vontade vem daí; e a vontade procura no entendimento os meios e os modos de chegar a seus fins, que são os efeitos e se põe aí na luz, para ver não somente as razões, mas também as ocasiões quando e como deve se determinar em atos, e assim produzir seus efeitos, que são as obras e, ao mesmo tempo, no entendimento, ela se põe em força para agir; daí, resulta que as obras pertencem, essencialmente, à Vontade, formalmente ao Entendimento e, em atualidade, ao Corpo; assim, nas boas obras desce a Caridade. Isso pode ser ilustrado pela comparação com a árvore: 0 homem, mesmo quanto a tudo que lhe pertence, é como a Arvore, em cuja semente estão escondidos por assim dizer, um fim, um desígnio (propositum) de produzir frutos; nisto a semente corresponde à Vontade do homem, na qual estão estas duas coisas, como acaba de ser dito; em seguida, a semente, por seus interiores, faz sair seu rebento para fora da terra, reveste-se de ramos e de folhas, e assim se prepara os meios para os fins, que são os frutos; nisso a Arvore corresponde ao Entendimento do homem; enfim, quando a estação se aproxima, a Arvore floresce e produz frutos; nisto ela corresponde às boas Obras do homem; que estes frutos pertençam essencialmente à semente, formalmente às folhas e à madeira da árvore, é evidente. Isto pode a" ser ilustrado pela comparação com um Templo; o homem é um Templo de Deus segundo Paulo (I Cor. 3, 16, 17; 11 Cor. 6, 16; Efes. 2, 21, 22); o fim, a intenção e o desígnio são a salvação e e a vida eterna para o homem, como Templo de Deus; -nisto há uma correspondência com a vontade, na qual estão estas duas coisas; em seguida, o homem recebe as doutrinas da fé em da. caridade de seus pais, de seus mestres e dos pregadores; e quando possui seu julgamento, da Palavra e dos Livros dogmáticos; tôdas as coisas que são meios para o fim; nisso há correspondência com o Entendimento; enfim, chega a determinação para os usos segundo os doutrinais como meios, e ela se faz por atos do corpo, que são chamados boas obras, assim o fim pelas Causas médias, produz efeitos, que pertencem essencialmente ao fim, formalmente aos doutrinais da Igreja e, em atualidade, aos usos; é assim que o homem se torna Templo de Deus.
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