VRC &398

A Verdadeira Religião Cristã
Emanuel Swedenborg
Contendo toda a teologia da Nova Igreja

- Do Bem e do Vero.
1) No universo tôdas as coisas que estão na Ordem Divina se referem ao Bem e ao Vero; não há cousa alguma no Céu, nem cousa alguma no Mundo, que não se refira a estes dois; e isto, porque um e outro, tanto o Bem como o Vero, procedem de Deus, de quem procedem tôdas as cousas. 2) Daí, é evidente que é necessário o homem saber o que é o Bem e o que é o Vero, como um encara o outro e como um é conjunto ao outro; mas isso é principalmente necessário ao homem da Igreja, pois como tôdas as cousas do Céu se referem ao Bem e ao Vero, do mesmo modo também todas as cousas da Igreja, pois que o bem e o vero do Céu são também o bem e o vero da Igreja. 3) É segundo a Ordem Divina que o Bem e o Vero sejam conjuntos e não separados, de tal sorte que sejam um e não dois, pois conjuntos procedem de Deus e conjuntos estão no Céu; por conseqüência, conjuntos devem estar na Igreja; a Conjunção do bem e do vero é chamada no Céu Casamento Celeste, pois neste Casamento estão todos que ai habitam; daí vem que na Palavra o Céu é comparado a um Casamento e o Senhor é chamado Noivo e Marido; e o Céu, Noiva e Esposa, igualmente a Igreja; se o Céu e a Igreja são chamados assim, é porque aqueles que aí estão recebem o Divino Bem nos Veros. 4) Toda inteligência e Toda sabedoria que possuem os Anjos vêm deste Casamento e não vêm de Bem algum separado do Vero, nem do Vero separado do Bem; dá-se o mesmo com o homem da Igreja. 5) Pois que a conjunção do bem e do vero é !como um casamento, é evidente que o Bem ama o Vero; que, reciprocamente, o Vero ama o Bem e que um deseja ser conjunto ao outro; o homem da Igreja, no qual não há um tal amor nem um tal desejo, não está Do Casamento celeste; por conseqüência, não há ainda nele a Igreja, pois que a Conjunção do bem e do vero faz a Igreja. 6) Os Bens são de várias espécies; em geral, há o bem espiritual-e o bem natural e um e outro foram conjuntos no Bem moral real. Como são os bens, do mesmo modo são os veros, porque os Veros pertencem ao Bem e são as formas do bem. 7) Como se dá com o Bem e o Vero, também se dá pelo oposto com o Mal e o Falso; pois como no Universo tôdas as cousas que estão segundo a Ordem Divina se referem ao Bem e ao Vero, do mesmo modo tôdas as que são contra a Ordem Divina se referem ao Mal e ao Falso; e também como o Bem ama ser conjunto ao Vero, do mesmo modo, o mal ama ser conjunto ao Falso, e reciprocamente; e ainda, como toda Inteligência e Toda Sabedoria nascem. da conjunção do bem e do vero, do mesmo modo toda Insensatez e toda Loucura nascem da conjunção do mal e do falso. A conjunção do mal e do falso, considerada interiormente, não é um Casamento, é um Adultério. 8) Por serem o Mal e o Falso opostos ao Bem e ao Vero, é evidente que o Vero não pode ser conjunto ao Mal, nem o Bem ao Falso do mal; se o Vero está conjunto ao Mal, não -é mais o Vero, mas é o Falso, porque foi falsificado; e se o Bem é adjunto ao Falso, não é mais o Bem, mas é o mal, porque foi adulterado. Todavia, o falso que não é o falso do mal, pode ser conjunto ao bem. 9) Quem quer que esteja no Mal e, por conseguinte, no Falso pela confirmação e a vida, não pode saber o que é o Bem e o Vero, porque acredita que seu Mal é o Bem e por isso acredita que seu Falso é o Vero; mas quem está no Bem e, por conseguinte, no Vero pela ,confirmação e a vida, pode saber o que é o mal e o falso; a razão disso é que todo Bem e todo Vero do bem são celestes em sua essência, e que todo Mal, por conseguinte todo Falso são infernais em sua essência; ora, toda coisa celeste está na luz e Toda cousa infernal está nas trevas.

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