- É notório que alguns dos que fizeram estes Benefícios que, diante do Mundo, se apresentam como imagens da Caridade, imaginam e crêem que exerceram as obras da Caridade e as consideram, como muitos no catolicismo-romano consideram as indulgências, crendo que, por causa desses benefícios, foram purificados de seus pecados e que o Céu lhes deve ser concedido como sendo regenerados; entretanto, não consideram como pecados os adultérios, os ódios, as vinganças, as fraudes, nem as cobiças da carne, às quais se entregam à vontade; mas então o que são estas boas obras, senão quadros representando Anjos grupados com diabos ou caixas de pedra lazuli nas quais estão serpentes? E' completamente diferente se estes benefícios são feitos por aqueles que fogem dos males acima enumerados como odiosos à Caridade. Todavia, estes Benefícios, particularmente dar aos pobres e aos mendigos, têm numerosas vantagens, pois por eles os rapazes e as moças são iniciados na Caridade, e os criados dos dois sexos, e em geral, todos os simples, pois que são os externos, pelos quais se compenetram dos deveres da Caridade, pois são os seus primeiros elementos e são então como frutos verdes; mas naqueles que mais tarde são aperfeiçoados por justos conhecimentos sobre a Caridade e sobre a Fé, tornam-se como frutos maduros; e então consideram as obras precedentes, feitas na simplicidade do coração, não de outra forma senão como dívidas.
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