VRC &490

A Verdadeira Religião Cristã
Emanuel Swedenborg
Contendo toda a teologia da Nova Igreja

- Que tudo que Deus criou era bom, vê-se claramente pelo primeiro Capítulo do Gênesis, onde se diz nos Vers. 10, 12, 18, 21 e 25: "Deus viu que isto era bom", e por fim, no Vers. 31: "Deus viu tudo que tinha feito, e eis que era muito bom"; e também pelo estado primitivo do homem no Paraíso; que o mal, ao contrário, deve sua origem ao homem, vê-se pelo estado de Adão conforme ou após a queda, pelo fato de ter sido expulso do Paraíso. Por isso, é evidente que, se o Livre-Arbítrio nas cousas espirituais não fosse dado ao homem, Deus mesmo teria sido a causa do mal, e não o homem, e que assim Deus teria criado o bem e o mal; pensar que Deus criou também o mal é uma cousa abominável. Que Deus, pois, que deu ao homem o Livre-Arbítrio nas cousas espirituais, não tenha criado o mal, e que jamais inspira ao homem mal algum, é porque Êle é o Bem mesmo, e que no bem Deus é onipresente, e continuamente bate e urge para ser recebido, e se não é recebido, todavia não se retira, pois, se êle se retirasse, o homem morreria no mesmo instante, mais ainda, cairia no não-ser, pois a vida do homem e a subsistência de todas as cousas de que êle se compõe, vêm de Deus. Que Deus não tenha criado o mal, mas que foi o homem que o introduziu, isto provém de que o homem muda em mal o bem que influi continuamente de Deus, porque se afasta de Deus e se volta para si mesmo; quando assim acontece, o prazer do bem permanece e êste prazer se torna então o prazer do mal, pois se não restasse um prazer que fosse como que semelhante, o homem não viveria, pois o prazer faz a vida do seu amor; mas entretanto êstes prazeres são diametralmente opostos; todavia o homem ignora isso enquanto vive no Mundo, mas depois da morte êle o saberá, e o perceberá mesmo claramente, pois então o prazer do amor do bem é mudado em beatitude celeste, e o prazer do amor do mal em tormento infernal. Pelo que acaba de ser referido, vê-se que todo homem foi predestinado para o Céu, e que ninguém o foi para o inferno, mas que o homem mesmo se entrega ao inferno pelo abuso de seu Livre-Arbítrio nas cousas espirituais, pelo qual êle abraça o que se exala do inferno; pois, como foi dito acima, todo homem é mantido no meio entre o Céu e o Inferno, a fim de que esteja no equilíbrio entre o bem e o mal, e por conseqüência em Livre-Arbítrio nas cousas espirituais.

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