VRC &564

A Verdadeira Religião Cristã
Emanuel Swedenborg
Contendo toda a teologia da Nova Igreja

Aquele que jamais fêz Penitência, é como que jamais se olhou interiormente nem escrutou, não sabe enfim o que é o mal que dana nem o que é o Bem que salva.
564 - Como no Mundo Cristão Reformado há poucos que façam penitência, é por isso que foi acrescentado aqui, que aquele que não se olhou interiormente, nem se escrutou, não sabe enfim o que é o mal que dana nem o que é o bem que salva pois não tem uma religião que o conduza a este conhecimento; com efeito, o mal que o homem não vê, não conhece e não reconhece, permanece, e o que permanece se enraíza cada vez mais, até obstruir os interiores da mente, o que faz com que o homem se torne a principio natural, em seguida sensual, e por fim corporal, e em um ou outro dêstes estados não conhece mal algum que dane, nem bem algum que salve; torna-se como uma árvore que, plantada sobre um duro rochedo, estende as raízes entre as fendas, e por fim murcha porque falta umidade. Todo homem bem educado é racional e moral, mas há dois caminhos que conduzem à racionalidade, um pelo Mundo e outro pelo Céu; aquele que se tornou racional e moral pelo Mundo, e não também pelo Céu, não é racional e moral senão de boca e de gesto, e por dentro é uma bêsta bruta, e mesmo uma bêsta feroz, porque faz um com os que estão no Inferno onde todos são assim; mas aquele que é racional e moral também pelo Céu, é verdadeiramente racional e moral, porque o é ao mesmo tempo de espírito, de boca e de corpo; por dentro do racional e do moral há, como alma, um espiritual que põe em ação o natural, o sensual e o corporal, êste faz um também com os que estão no Céu; é por isso que há o homem racional e moral-espiritual, e também o homem racional e moral puramente natural, e um não é distinguido do outro no Mundo, sobretudo se a hipocrisia passou para o hábito; mas os Anjos do Céu os distinguem tão facilmente quanto se distingue as pombas das corujas, e os cordeiros dos tigres. 0 homem puramente natural pode ver os males e os bens nos outros, e mesmo repreender os que neles estão; mas como não se olhou interiormente, nem se escrutou, não vê mal algum em si, e se um outro descobre um, êle o vela por meio de seu racional, como a serpente esconde a cabeça no pó; e mergulha nesse mal, como o vespão no estrume. Eis o que faz o prazer do Mal, que envolve êste homem, como o nevoeiro cobre o pântano, e absorve e abafa os raios da luz; o prazer infernal não é outra cousa; o prazer do mal é exaltado do Inferno, e influi em todo homem, mas na planta dos pés, no dorso e no occipute; mas se é recebido na cabeça, no sincipute, e pelo corpo no peito, o homem fica sujeito ao inferno; e isso, porque o cérebro humano foi destinado ao entendimento e à sabedoria do entendimento, e o Cerebelo à vontade e ao amor da vontade; dai vem que há dois cérebros. Mas este prazer infernal é corrigido, reformado e torcido unicamente pelo Espiritual racional e moral.

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