- Quarto Memorável (N. 63). Tendo sido acordado de meu sono no meio da noite, vi a uma certa altura para o lado do Oriente um Anjo tendo na mão direita um papel que, pelo Sol, aparecia de uma brancura resplandecente; tinha no meio uma Escritura em letras de ouro; e vi escrito: Casamento do Bem e do Vero; da Escritura saía um esplendor que formava um largo círculo em torno do Papel; êste círculo ou contorno apareceu em seguida como aparece a aurora na estação da Primavera. Depois disso, vi o Anjo descer com o Papel na mão, e à medida que descia, o Papel aparecia cada vez menos brilhante, e esta Escritura, a saber, Casamento do Bem e do Vero aparecia mudada da cor do ouro em cor de prata, e em seguida em cor de bronze; e por fim vi o Anjo entrar em uma Nuvem obscura, e chegar através da Nuvem à Terra; e aí, embora esse Papel estivesse ainda na mão do Anjo, não o vi mais; isso se passava no Mundo dos Espíritos, para o qual vão a principio todos os homens depois da -morte; e então o Anjo me falou dizendo: "Pergunta aos que vêm aqui se me vêem ou se vêem alguma cousa na minha mão". Veio uma multidão de espíritos, uns do oriente, outros do meio-dia, outros do ocidente, outros do setentrião, e eu perguntei aos que vinham do Oriente e do Meio-Dia, eram os que no Mundo se tinham entregue à erudição, se viam alguém perto de mim, ou se viam alguma cousa em sua mão; todos disseram que não viam absolutamente nada; em seguida fiz a mesma pergunta aos que vinham do Ocidente e do Setentrião, eram os que no Mundo tinham acreditado nas palavras dos eruditos, disseram que também não viam cousa alguma; entretanto os últimos dentre eles, que no Mundo tinham estado na fé simples pela caridade, ou em algum vero pelo bem, depois que os primeiros se retiraram, disseram que viam um Homem com um Papel, o Homem vestido elegantemente, e o Papel com letras traçadas em cima; e, quando aproximaram os olhos, disseram que liam Casamento do Bem e do Vero; e se dirigiram ao Anjo, pedindo que dissesse o que isto significava; e êle disse: "Tôdas as coisas que existem no Céu inteiro, e tôdas as que existem no Mundo inteiro, não são por criação senão o Casamento do Bem e do Vero, porque tôdas e cada uma dela, tanto as que vivem e são animadas, como as que não vivem e não são animadas, foram criadas do Casamento do bem e do vero e por êste Casamento; não existe cousa alguma criada pelo Vero só, nem cousa alguma pelo Bem só, o Bem só ou o Vero só nada é, mas pelo Casamento eles existem e se tomam alguma cousa tal como é um casamento. No Senhor Deus Criador o Divino Bem e o Divino Vero estão em sua Substância mesma, o Ser da Substância de Deus é o Divino Bem, e o Existir da Substância do Deus é o Divino Vero; n'Êle, por isso, eles estão em sua União mesma, pois n'Ele eles fazem um de uma maneira infinita; como estes dois são um no Deus Criador mesmo, é por isso que são também um em tôdas e cada uma das cousas criadas por Êle; por isto também o Criador foi conjunto com todas as Suas criaturas por uma aliança eterna como por uma aliança de Casamento". Além disso, o Anjo disse: "A Escritura Santa que foi ditada pelo Senhor, é no comum e na parte o Casamento do bem e do Vero, ver acima, ns. 248 a 253; e como a Igreja que é formada pelos Veros da Doutrina, e a Religião que é formada pelos Bens da vida segundo os Veros da Doutrina, são, nos Cristãos, tirados unicamente da Escritura Santa, pode-se ver que a Igreja também no comum e na parte, está no Casamento do Bem e do Vero". 0 que foi dito acima do Casamento do Bem e do Vero, foi dito também para o Casamento da Caridade e da Fé, porque o Bem pertence à Caridade e o Vero pertence à Fé. Depois que o Anjo assim falou, elevou-se da terra e, levado através das nuvens, subiu ao Céu; e então, à medida que subia, o Papel brilhava como antes; e eis então que o Círculo, que antes tinha aparecido como a aurora, abaixou se, e dissipou a Nuvem que havia espalhado trevas sobre a Terra, e o tempo se tornou claro e sereno.
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