- Por esta curta revista de discordâncias ou dissentimentos, é evidente que a fé e a imputação da Nova-Igreja não podem de modo algum estar em companhia com a fé e a imputação da Igreja precedente ou que dura ainda; e como há entre a fé e a imputação de uma e de outra Igreja uma tal discordância e um tal dissentimento, há uma completa heterogeneidade; se portanto estivessem juntas na mente do homem, fazer-se-ia, uma tal colisão e um conflito, que o todo da Igreja pereceria, e nas cousas espirituais o homem cairia em um delírio ou em desfalecimento; daí êle não saberia o que é a Igreja nem se há uma Igreja; então saberia êle alguma cousa de Deus, alguma cousa da fé e alguma cousa da caridade? A fé da Igreja precedente, porque excluiu toda luz proveniente da razão, pode ser comparada a uma coruja; a fé da Nova-Igreja, porém, pode ser comparada a uma pomba que voa em pleno dia, e vê pela luz do Céu; por isso a sua conjunção em uma mesma mente seria como a conjunção de uma coruja e de uma pomba no mesmo ninho, onde a coruja poria seus ovos, e a pomba os seus; depois da incubação os filhotes sairiam, e então a coruja despedaçaria os filhotes da pomba, e os daria como comida a seus filhotes; pois a coruja é uma ave voraz. A fé da Igreja precedente estando descrita no Apocalipse (Cap. 12.0), pelo dragão, e a fé da Nova-Igreja, pela mulher envolvida de sol, sobre cuja cabeça está uma coroa de doze estrelas, pode-se concluir da comparação, qual seria o estado da mente do homem, se elas estivessem juntas na mesma casa, a saber, que o dragão se deteria diante da mulher prestes a dar a luz para devorar seu filho, e depois que a mulher tivesse voado para o deserto, a perseguiria, e lançaria água como um rio sobre ela, para que fosse submergida.
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