- Pois que o bem pertence à vontade e o vero ao entendimento, e que no Mundo uma multidão de cousas, correspondem ao bem, como os frutos e os usos, e que a imputação mesma corresponde à estimação e ao preço, segue-se que o que foi dito aqui da imputação pode ser comparado com tôdas as cousas criadas; pois como foi mostrado aqui e ali, tudo no universo se refere ao bem e ao vero, e, em um outro sentido, ao mal e ao falso. A comparação pode portanto ser feita com a Igreja, por ser reputada Igreja segundo a caridade e a fé, e não segundo os ritos que lhe são adjuntos. A comparação pode também ser feita com um Ministro da Igreja, pelo fato de ser estimado por sua vontade e seu amor, e ao mesmo tempo por seu entendimento nas coisas, espirituais, e não por sua afabilidade e suas roupas. Há também comparação com o culto e o templo no qual ele se faz; o culto mesmo se faz na vontade, e no entendimento como em seu templo, e o templo é chamado santo não por êle mesmo, mas pelo Divino que aí se ensina; há ainda comparação com um Governo, que é amado quando o bem reina, e ao mesmo tempo o vero,, mas não quando reina o vero sem o bem. Quem é que julga um rei pelos seus guardas, seus cavalos e seus carros, e não pelo Sentimento real que se sabe existir nele? 0 Sentimento Real pertence ao amor e à prudência de governar. Em um triunfo quem é que não olha para o Conquistador e pelo Conquistador a pompa, em lugar de julgar o conquistador pela pompa? Julga-se portanto. pelo essencial o formal, e não pelo formal o essencial; a vontade é o essencial, e o pensamento é o formal; e ninguém pode imputar ao formal o que êle tira do essencial, assim imputa-se a êste e não aquele.
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