- Segue-se que as Abluções, e também os Batismos se o Interno do homem não é purificado dos males e dos falsos, não fazem mais do que os potes e os pratos lavados pelos Judeus; e segue-se também que, do mesmo modo que eles, somos como sepulcros que por fora parecem belos, mas por dentro estão cheios de ossos de morto se de toda podridão (Mateus XXIII, 25 a 28). Isso é ainda evidente pelo fato dos infernos estarem cheios de Satanases que tinham sido homens, uns batizados, e outros não. Quanto ao que produz o Batismo, ver-se-á no que segue; por isso sem seus usos e sem seus frutos, êle não contribui para a salvação mais do que a Tiara sÔbre a cabeça do Papa e o Sinal da cruz sÔbre seus chinelos contribui para a sobre-eminência pontifical; mais do que a vestimenta de púrpura do Cardeal contribui para a sua dignidade; ou o pallium do Bispo para a verdadeira função de seu ministério; ou o Trono, a Coroa, o Cetro e o Manto do Rei, para o seu poder real; ou o boné de seda sobre a cabeça do Doutor laureado, para a sua inteligência; ou o estandarte de um esquadrão de cavalaria, para a bravura dos cavaleiros mo combate; e mesmo pode-se ainda dizer que êle não purifica o homem mais do que a água purifica uma ovelha ou um cordeiro antes de ser tosquiado; pois o homem natural separado do homem espiritual é puramente animal; e mesmo, como já foi mostrado, é mais bêsta feroz do que a bêsta feroz das florestas; quando mesmo, portanto, fosse lavado com água da chuva, com água do orvalho, com água das fontes mais afamadas, ou, como dizem os profetas, com nitro, com hisope, com esmegma ou sabão, cada dia, Me não seria entretanto purificado de suas iniqüidades, senão pelos meios da Regeneração, de que se tratou nos Capítulos sobre a Penitência e sobre a Reforma e a Regeneração.
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