VRC &701

A Verdadeira Religião Cristã
Emanuel Swedenborg
Contendo toda a teologia da Nova Igreja

- Sem a abertura do sentido espiritual da Palavra, ou, e que é a mesma cousa, sem a revelação das correspondências das coisas naturais com as coisas espirituais, a Santidade do Sacramento, de que se trata aqui, não poderia ser reconhecida mais do que um tesouro escondido em um campo que não é estimado senão como um campo ordinário; mas quando se descobre que neste campo há um tesouro, esse campo é estimado a um preço elevado, e o adquirente então se apropria de sua riqueza; e é ainda mais estimado quando se conhece que encerra um tesouro mais precioso do que todo o ouro do mundo. Sem o sentido espiritual, êste Sacramento é como uma Casa fechada, cheia de objetos preciosos e de tesouros, diante da qual se passa como diante de uma casa da rua; todavia, como o clero recobriu-lhe as paredes de mármore, e seu teto de lâminas de ouro, a vista dos transeuntes é levada a olhar, a louvar e a estimar; é bem diferente, quando esta Casa é aberta, e cada um tem a faculdade de entrar, e, o guardião dêstes tesouros dá a uns emprestado, a outros de presente, a cada um segundo é digno disso; se dá de presente, porque as cousas preciosas que ela encerra são inesgotáveis e se renovam continuamente; dá-se o mesmo com a Palavra quanto às coisas espirituais, e dos Sacramentos quanto às cousas celestes. Sem a revelação da santidade que está interiormente escondida nele, o Sacramento de que se trata aqui se apresenta como a areia de um rio, na qual há uma grande quantidade de grãos de ouro invisíveis; mas quando sua santidade é revelada, é como o ouro recolhido de nossa areia, fundido em lingotes e posto em obras sob belas formas. Sem a sua santidade desvendada e vista, este Sacramento é como um cofre e um escrínio de faia ou de choupo, onde estão encerrados diamantes, rubis, e muitas outras pedras preciosas, colocadas em ordem em caixas; quem é que não estima êste cofre e êste escrínio, quando sabe que tais objetos aí estão encerrados, e com mais forte razão quando os vê, e também quando são distribuídos gratuitamente? Este Sacramento, sem a revelação de suas correspondências com o Céu, e assim sem a vista das cousas celestes às quais êle corresponde, é como um Anjo visto no Mundo com uma vestimenta vulgar; não é honrado senão conforme a vestimenta; é inteiramente diferente quando se sabe que é um Anjo, quando se ouve de sua boca uma linguagem angélica, e se vê as maravilhas que resultam de sua ação. 0 que é a Santidade unicamente pregada, e o que é a Santidade vista, é o que me é permitido ilustrar por êste exemplo visto e ouvido no Mundo espiritual: Uma Epístola escrita por Paulo enquanto viajava no Mundo, mas não publicada, foi lida sem que pessoa alguma soubesse que era de Paulo; foi a princípio desdenhada pelos ouvintes, mas quando foi declarado que era uma das Epístolas de Paulo, foi ela recebida com alegria, e todo seu conteúdo foi admirado. Por isso, vi claramente que a predicação unicamente da santidade da Palavra e dos Sacramentos, quando é feita pelos Chefes do Clero, imprime, é verdade, a santidade, mas que é bem diferente, quando a santidade mesma se desvenda e se faz ver diante dos olhos, o que acontece pela revelação do sentido espiritual; por êste Sentido a Santidade externa se torna interna, e o que era unicamente uma asserção se torna um reconhecimento. Dá-se o mesmo com a Santidade do Sacramento da Ceia.

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