- Os Conselheiros assistentes, os Conselheiros camaristas e os Governadores se mantinham de pé em torno da mesa,. e à ordem do Príncipe, juntaram as mãos, e pronunciaram ao mesmo tempo em voz baixa um louvor votivo ao Senhor; e em seguida, a um sinal do Príncipe, pus,eram-se à mesa sobre leitos; e o Príncipe disse aos dez recém-vindos: "Ponde-vos à mesa conosco; eis aí os vossos lugares". E eles se puseram à mesa; e oficiais da corte, enviados de antemão pelo Príncipe para os servir, se mantinham de pé por detrás dêles; e então o Príncipe lhes disse: "Tomai cada um prato de sua pilha, e depois um prato fundo da Pirâmide". E eles os tomaram; e eis que imediatamente novos pratos e novos pratos fundos foram vistos em substituição; e seus copos estavam cheios de vinho que jorrava da fonte da grande Pirâmide; e comeram e beberam. Quando estavam meia saciados, o Príncipe dirigiu a palavra aos dez convidados, e disse: "Soube que na terra, que está sob este Céu, fostes convocados para fazer conhecer os vossos pensamentos sobre as Alegrias do Céu e sÔbre a Felicidade Eterna que elas produzem, e que vos manifestastes de diversas maneiras, cada um segundo os prazeres dos sentidos de seu corpo; mas o que são os prazeres dos sentidos do corpo, sem os prazeres da alma? é a alma que faz com que eles sejam prazeres; os prazeres da alma são em si mesmos beatitudes não perceptíveis, mas se tornam cada vez mais perceptíveis à medida que descem aos pensamentos da mente, e por êstes pensamentos às sensações do corpo; nos pensamentos da mente, elas são percebidas como felicidade, nas sensações do. corpo como volúpias; umas e outras tomadas em conjunto constituem a Felicidade Eterna; mas esta Felicidade que não resulta, senão dos últimos sós não é eterna, é uma felicidade temporária que acaba e passa, e que por vezes se torna infelicidade. Vistes agora que todas as vossas alegrias são também alegrias do Céu, e bem acima do que pudestes jamais imaginar; mas não obstante estas alegrias não afetam interiormente as nossas mentes (animi). Há três cousas que influem como uma só do Senhor em nossas alunas; estas três cousas como uma só ou êste trino, são o amor, a sabedoria e o uso; todavia o amor e a sabedoria não existem senão de uma maneira ideal, quando não estão senão na afeição e no pensamento da mente, mas no uso existem na realidade, porque estão ao mesmo tempo no ato e na obra do corpo; e onde existem na realidade, aí também subsistem; e pois que o amor e a sabedoria existem e subsistem no uso, é o uso que nos afeta, o uso consiste em desempenhar fielmente, sinceramente e cuidadosamente as obras de sua função; o amor do uso, e em conseqüência a aplicação ao uso, impede a mente de se espalhar aqui e ali, de errar vagamente, e de se encher de tôdas as cobiças que influem do corpo e do mundo pelos sentidos como sedutores atrativos, e pelas quais os veros da Religião e os veros da Moral com seus bens são dissipados a todos os ventos; mas a aplicação da mente ao uso contém e liga juntamente êstes veros, e dispõe a mente em uma forma suscetível de receber a sabedoria por estes veros; e então joga para os lados os brinquedos e divertimentos das falsidades e das vaidades. Mas aprendereis mais sobre este assunto com os sábios de nossa Sociedade, que vos enviarei depois do meio-dia". 0 Príncipe, tendo assim falado, levantou-se, e com êle todos os convivas, e disse: "Paz!", e deu ordem ao Anjo, seu condutor, que os conduzisse a seus aparta, mentos, e lhes prestasse tôdas as honras da civilidade, e chamasse também homens polidos e afáveis para os entreter agradavelmente sobre as diferentes alegrias desta sociedade".
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