- A Consumação do Século pode ser ilustrada por diversas cousas no Mundo natural, pois neste Mundo tôdas e cada uma das coisas que estão sobre a terra envelhecem e se consomem, mas por vicissitudes alternativas chamadas Círculos das cousas; os tempos percorrem estes Círculos tanto no comum como na parte; no Comum, o Ano passa da primavera ao verão, e pelo verão ao outono, e acaba no inverno, e do inverno volta à primavera, mas este Círculo pertence ao calor; na Parte, o Dia passa da manhã ao meio-dia, e pelo meio-dia à tarde, e acaba na noite, e da noite volta à manhã, mas êste Círculo pertence à luz. Todo homem também percorre o círculo da natureza; começa a vida pela infância, daí avança para a adolescência e a juventude, e desta para a velhice, e morre; dá-se o mesmo com toda ave do céu (a com toda bêsta da terra toda árvore também começa por um germe, alcança a sua altura completa, e decresce sucessivamente até que cai. Acontece o mesmo a todo arbusto e a toda planta, e mesmo a toda folha e a toda flor, e também ao húmus mesmo que com o tempo se torna estéril; dá-se ainda o mesmo com uma água estagnada, que sucessivamente se corrompe. Tôdas estas cousas são consumações alternativas, que são naturais e relativas ao tempo, mas sempre periódicas, pois quando uma coisa passou de sua origem a seu fim, uma outra semelhante começa; assim tudo nasce e perece, e de novo nasce, a fim de que a criação seja continuada. Se acontece o mesmo à Igreja, é porque o homem é a Igreja, e no comum ele a constitui; ora, uma geração segue a outra, e há uma variedade entre tôdas as mentes (animi), e a iniqüidade uma vez enraizada quanto à inclinação para ela, passa à posteridade, e não pode ser extirpada senão pela regeneração que é feita pelo Senhor só.
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