VRC &838

A Verdadeira Religião Cristã
Emanuel Swedenborg
Contendo toda a teologia da Nova Igreja

- Em seguida houve conversações com eles a respeito do Senhor Salvador; e foi dito, que Deus em sua essência é o Divino Amor, e que o Divino Amor é como o Fogo mais puro; e pois que o Amor considerado em si mesmo, não tende a outra cousa senão a tornar-se um com um outro a quem ama, e o Divino Amor, a outra cousa senão a unir-se ao homem e a unir o homem a si, ao ponto d'Ele mesmo estar no homem e o homem n'Ele, e pois que o Divino Amor é como o mais puro Fogo, é evidente que Deus porque é tal, não podia de modo algum estar no homem, nem fazer com que o homem estivesse n'Ele, pois reduziria assim todo o homem a uma fumaça excessivamente sutil; mas como Deus por sua essência ardia de Amor para se unir com o homem, foi necessário que Ele se velasse com um corpo conveniente para a recepção e para a conjunção; é por isso que Ele, desceu e tomou o Humano segundo a Ordem estabelecida por Ele desde a Criação do Mundo, Ordem que era, que por uma Virtude propagada d'Ele fosse concebido, fosse conduzido em um útero, nascesse e em seguida crescesse em sabedoria e em amor, e assim se aproximasse para a união com sua Divina Origem; é desta maneira que Deus foi feito Homem, e que o Homem se tornou Deus. Que assim seja, a Escritura que trata d'Ele, a qual está com os Cristãos, e é chamada a Palavra, o ensina e atesta claramente; e Deus mesmo, que em seu Humano é chamado Jesus Christo, disse que o Pai está n'Ele, e Ele no Pai, e que aquele que o vê, vê o Pai, além de várias outras cousas sobre o mesmo assunto. Que Deus, cujo Amor é como o mais puro Fogo, não pudesse de outro modo se unir ao homem, nem unir o homem a Ele, a razão também o vê. Poderia o Fogo do Sol, tal qual é em si, tocar o homem, e o que é mais entrar nele, a não ser velando seus raios pelas atmosferas, e apresentando assim convenientemente em temperatura o seu calor? Poderia o Éter puro se espalhar em torno do homem, e o que é mais, influir em seus brônquios aos pulmões, a não ser que se envolva com o ar, e se torne assim conveniente? Um peixe não pode mesmo viver no ar, mas vive em um elemento que convém à sua existência. Mais ainda, sobre a terra, por sua pessoa ou imediatamente, um Rei não pode mesmo administrar seu Reino em tôdas e cada uma das cousas, se não recorrer a Prepostos superiores e inferiores, que constituem em conjunto seu Corpo Real. A alma do homem não pode também se fazer ver a um outro, travar relações com êle, nem comunicar provas de seu amor, a menos que o faça pelo corpo; como pois Deus o poderia, senão pelo Humano que lhe pertence? Os Africanos tendo ouvido estas explicações, as perceberam melhor do que todos os outros, porque são interiormente racionais, e cada um é favorável conforme percebe a coisa.

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