Texto
. Nesses dois versículos descreve-se a afeição do vero quanto à origem, quanto à qualidade e quanto ao primeiro [grau] de iniciação. Quanto à ‘origem’ por estas palavras: que “Rebeca tinha saído, a qual é nascida de Bethuel, filho de Milcah, esposa de Nahor, irmão de Abrahão”. (Que por essas palavras toda origem dessa afeição foi transmitida no sentido interno, ver os n. 3077, 3078.) Quanto à ‘qualidade’ por estas: “e o cântaro dela sobre o ombro dela, e a menina era muito bela de aparência”. (Que por essas palavras a qualidade tinha sido descrita, ver os n. 3079, 3080, 3081.) Quanto ao ‘primeiro [grau] de iniciação’ por estas: “que ela desceu à fonte, e encheu o seu cântaro, e subiu”. (Pode-se ver nos n. 3082, 3083, 3084).
[2] Mas assim acontece com essas coisas, como se disse acima, que elas excedem não apenas a compreensão ordinária, mas até a compreensão humana mais culta. Com efeito, as coisas que estão contidas, no sentido interno, neste capítulo e em alguns capítulos que seguem, são tais; a causa é, porque dificilmente vem à mente de alguém, que existe um contínuo influxo Divino por meio do homem interno no homem externo, isto é, um influxo dos celestes e dos espirituais pelo [homem] Racional no [homem] natural, ou, o que é mesmo, nas coisas naturais, que pertencem ao [homem] externo, e que por esse influxo os Veros são continuamente evocados do homem natural, elevados e implantados no Bem que está no Racional. Ninguém sequer se sabe que isso acontece, como seria possível saber de que modo se faz todo esse processo, processo que, porque provém do Divino, é de tamanha sabedoria que ela não pode jamais ser explorada até uma milésima parte; as coisas muitíssimo gerais são as que podem ser vistas.
[3] Ora, como as coisas são assim, que ninguém se admire que as coisas que estão aqui no sentido interno não possam ser descritas de modo que sejam compreendidas, e que as que são descritas sejam transcendentes, porquanto elas tratam deste processo e o descrevem; e também o sentido interno é principalmente para os anjos, por essa causa, para que por meio da Palavra haja comunicação entre o céu e o homem, e tais coisas estão para eles entre as deliciosas, porque a comida celeste não é outra coisa senão tudo isso que pertence à inteligência e à sabedoria, e para eles a bem-aventurança da sabedoria e da inteligência é tudo que trata do Senhor.