Texto
. ‘E eis, JEHOVAH estava sobre ela’; que signifique o Senhor no supremo, é o que se pode ver a partir disto, que JEHOVAH seja tantas vezes nomeado Senhor na Palavra do Antigo Testamento (n. 1736, 3023, 3035); e que na Palavra do Novo Testamento não se diga em parte alguma JEHOVAH, mas em vez de JEHOVAH se diga o Senhor (n. 2921). Que ‘estar sobre ela’ seja estar no supremo, isso é evidente sem necessidade de explicação. O arcano que está contido no sentido interno dessas palavras consiste em que todos os bens e todos os veros descem do Senhor e sobem para Ele, isto é, que o Senhor é o Primeiro e o Último. Com efeito, o homem foi criado de um modo tal, para que por ele os Divinos do Senhor desçam até os últimos da natureza, e que desde os últimos da natureza eles subam para o Senhor, de sorte que o homem seja o meio unindo o Divino com o mundo da natureza, e unindo o mundo da natureza com o Divino, e que assim, por meio do homem, como por um meio que une, o último mesmo da natureza vivesse a partir do Divino, é o que aconteceria se o homem tivesse vivido segundo a ordem Divina.
[2] Que o homem tenha sido assim criado, vê-se no fato de que ele é um pequeno mundo quanto ao seu corpo. De fato, todos os arcanos do mundo da natureza foram depositados nele, por isso que tudo que há de oculto no éter e em suas modificações, isto foi posto nos olhos; tudo que há de oculto no ar foi posto na orelha; tudo que há de invisível que flutua e atua no ar foi posto no órgão do olfato onde é percebido, e tudo que há de invisível nas águas e em todos os outros fluidos, isto foi posto no órgão do paladar; as próprias mudanças de estado foram também postas de todo o lado no sentido do tato, além de que as coisas que foram ainda mais escondidas seriam percebidas em seus órgãos interiores, se sua vida fosse segundo a ordem. Sendo assim, é evidente que por meio do homem haveria descida do Divino ao último da natureza, e subida desde o último até o Divino, se somente pela fé do coração, isto é, pelo amor, o homem reconhecesse o Senhor como seu fim Último e Primeiro.
[3] É em tal estado que estiveram os antiquíssimos, que eram homens celestes, pois tudo que eles compreendiam por algum sentido era para eles um meio de pensar a respeito das coisas que pertencem ao Senhor, assim, de pensar sobre o Senhor e sobre Seu Reino; o prazer de que compreendiam a partir das coisas mundanas e terrestres, foi visto (n. 1409, 2896, 2897, 2995); ainda mais, também quando as coisas inferiores e últimas da natureza eram assim contempladas, elas apareciam diante de seus olhos como se vivessem, pois a vida, de que eles descendiam, estava na visão interna e na percepção, e as coisas que se apresentavam aos seus olhos eram como as imagens dessa vida, as quais, ainda que inanimadas, eram, contudo, para eles como animadas. Os anjos celestes têm uma semelhante percepção de todas as coisas que estão no mundo, como foi dado perceber muitas vezes. É também daí que as crianças têm uma semelhante percepção (ver n. 2297, 2298). Pelo que acaba de ser estabelecido, vê-se quais são aqueles pelos quais os Divinos do Senhor descem até os últimos da natureza e sobem dos últimos da natureza para Ele, e que representam a Divina comunicação e, por conseguinte, a conjunção, que é significada no sentido supremo por ‘anjos subindo e descendo sobre uma escada posta na terra, cuja cabeça atingia o céu, sobre a qual estava JEHOVAH’.