Texto
. ‘E disse: Eu [sou] JEHOVAH, DEUS de Abrahão, teu pai’; que signifique o Senhor, que tal bem procede d’Ele, é o que se pode ver por isto, que JEHOVAH é o Divino Ser mesmo do Senhor, Que é chamado ‘Deus de Abrahão’ a partir do Divino Bem. Que ‘Abrahão’ represente o Senhor quanto ao Divino Bem, foi visto (n. 2172, 2198); e porque é o Divino Bem, do qual provêm todos os bens celestes e espirituais, e daí também todos veros, por isso aqui de Abrahão se diz ‘pai’, e até ‘teu pai’, isto é, pai de Jacó, quando, entretanto, seu pai é Isaque. Que, no sentido interno, o ‘pai’ seja o bem, isso vem de que é a partir do bem que todas e cada uma das coisas são, e que é a partir do vero que elas existem, assim, provêm do casamento do bem e do vero. O céu mesmo, que não tem consistência senão pelo Divino Casamento do bem e do vero, provém do Divino Casamento do bem com o vero, e do vero com o bem no Senhor.
[2] Em toda natureza também todas as coisas em geral e em particular se referem ao bem e ao vero, porquanto na natureza estão representados os bens e os veros celestes e espirituais que pertencem ao céu, e no céu estão representados os Divinos Bens e Veros que pertencem ao Senhor. Daí se pode ver que o bem é como um pai, e o vero como uma mãe, e que é por isso que, no sentido interno da Palavra, o pai significa o bem e a mãe, o vero, e até o bem e o vero de que procedem os bens e os veros inferiores ou derivados, que são relativamente como filhas e filhos e, por conseguinte, são também chamados filhas e filhos na Palavra (n. 489, 490, 491, 2362), e porque são ainda relativamente como irmãos e irmãs, como sobrinhos e bisnetos, como genros, sogras, noras, em uma palavra, como consanguinidades e afinidades em todos os graus, e isso provém do casamento do bem, que é o pai, com o vero, que é a mãe. Que nos céus todas e cada uma das coisas sejam dispostas segundo as consanguinidades do amor e da fé no Senhor, ou, o que é o mesmo, segundo as consanguinidades do bem e do vero, foi visto (n. 585, 917, 2739, 3612); e que os antiquíssimos tenham, por essa razão, comparado todas as coisas, em geral e em particular, aos casamentos (n. 54, 55, e também, n. 718, 747, 1432, 2508, 2516, 2524, 2556).
[3] Que o ‘Pai’ no sentido interno da Palavra signifique o bem, é o que provém de muitas passagens, por exemplo as seguintes: Em Isaías:
“Atendei a Mim, [vós] que considerais a justiça, que buscais JEHOVAH. Olhai para a rocha [de que] fostes cortados, e para a escavação da cova [de que] fostes escavados. Olhai para Abrahão, vosso pai, e para Sarah, [que] vos pariu, pois [sendo] único, o chamei e o abençoei, e multiplicá-lo-ei; porque JEHOVAH consolará Sião, consolará todas as vastações dela, e fará o deserto dela como o Éden, e a solidão dela como o jardim de JEHOVAH [...]” (51:1, 2, 3);
aí se trata do Senhor e de Sua vinda, como é evidente por cada coisa: Ele é chamado ‘rocha’ e ‘cova’ quanto ao Divino Vero, e ‘Abrahão, pai’, quanto ao Divino Bem, e porque o Divino casamento do Bem e do Vero é representado por Abrahão e Sarah (ver n. 1468, 1901, 1965, 1989, 2011, 2063, 2065, 2172, 2173 2198, 2507, 2833, 3904, 3245, 3251, 3305). Diz-se ‘Abrahão, vosso pai’ e ‘Sarah que vos pariu’, vem daí que se diga que ‘olhassem para a rocha e para a cova, e para Abrahão, o pai, e Sarah’; e daí vem que se acrescente imediatamente, que ‘JEHOVAH consolará Sião’, que é a igreja celeste, como foi visto (n. 2362), e que ‘[Ele] consolará as suas vastações e fará o seu deserto como o Éden, e a sua solidão como o jardim de JEHOVAH’.
[4] Igual coisa é significada por Abrahão, quando ele é chamado pai em outras passagens da Palavra, por exemplo, em João:
“Jesus disse: Eu, o que vi junto de Meu Pai pronuncio, assim vós também o que vistes junto de vosso pai fazeis. Responderam e disseram a Ele: Nosso pai é Abrahão. Disse-lhes Jesus. Se fôsseis filhos de Abrahão, as obras de Abrahão faríeis. [...] Vós fazeis as obras do vosso pai” (8:38, 39 [,41]);
E em Mateus:
“E não presumais de vós mesmos, dizendo: Temos por pai Abrahão; digo-vos que destas pedras Deus pode suscitar filhos a Abrahão. ...e o machado está à raiz das árvores; toda a árvore que não produz bom fruto é cortada e lançada no fogo” (3:9, 10);
e em Lucas:
“Lázaro pobre, quando morreu, foi arrebatado pelos anjos no seio de Abrahão. Morreu também o rico e foi sepultado. Quando estava no inferno, levantando os seus olhos... viu Abrahão de longe, e Lázaro no seio dele. Ele, exclamando, disse: Pai Abrahão tem misericórdia de mim, ...rogo-te, Pai, que o envies à casa do meu pai [...]” (16:19 até o fim);
que nessas passagens, seja o Senhor quanto ao Divino Bem que é entendido, e não Abrahão, isso é evidente. No céu Abrahão é desconhecido, e por ele, quando é mencionado na Palavra, é o Senhor que se entende (n. 1834, 1876, 1989, 3305).
[5] Que o pai é o bem no sentido interno, pode-se vê-lo por estas passagens em Moisés:
“Honra o teu pai e a tua mãe, para que sejam prolongados os teus dias sobre a terra que JEHOVAH, teu Deus, dá a ti” (Êx. 20:12; Dt. 5:16);
que este preceito, como todos os outros do Decálogo, seja um vero em um e outro sentido, e que, no sentido interno, ‘honrar pai e mãe’ seja amar o bem e vero, e no bem e vero, o Senhor, foi visto (n. 2609, 3690); que os ‘dias sobre a terra’ sejam os estados do bem que daí provêm no Reino do Senhor, vê-se pela significação dos ‘dias’, que são estados (n. 23, 487, 488, 493, 893, 2788), e pela significação de Canaã, que aqui é a ‘terra’, que é o Reino do Senhor (n. 1607, 3030, 3481); e que se predique ‘prolongar’ a respeito do bem (n. 1613).
[6] Como pelo ‘pai’ e pela ‘mãe’ eram significadas essas coisas, é por isso que na Igreja representativa Judaica foram decretadas sobre os pais e sobre os filhos muitas leis, e em todas são significados, no sentido interno, o bem e vero, e, no sentido supremo, o Senhor quanto ao Divino Bem e ao Divino Vero, como em Moisés:
“Quem ferir o seu pai e a sua mãe, morrendo morrerá, se alguém maldisser o seu pai ou a sua mãe, morrendo morrerá” (Êx. 21:15, 17).
No mesmo:
“Aquele varão que maldisser seu pai ou sua mãe sendo morto será morto. Quem ao seu pai e a sua mãe maldisser, o sangue dele [está] sobre ele” (Lv. 20:9);
“Maldito [é] quem despreza o seu pai e a sua mãe. E todo o povo dirá: Amém” (Dt. 27:16, 17).
Em Ezequiel:
“Eis, príncipes de Israel, um varão junto ao seu braço, estiveram em ti, para derramar sangue, desprezaram pai e mãe em ti” (22:6, 7).
Em Moisés:
“Quando tiver um varão um filho refratário e rebelde, de modo algum obediente à voz de seu pai, ou à voz de sua mãe, e apesar de o castigarem, ainda assim não lhes obedecer, apreendê-lo-ão o pai dele e a mãe dele, e conduzi-lo-ão aos anciãos da cidade e até o portão do seu lugar, e então todos os varões da sua cidade o apedrejarão com pedras para que seja morto” (Dt. 21:18, 19, 21).
[7] Em todas essas passagens, por pai e mãe se entende, no sentido da letra, o pai e a mãe, mas no sentido interno, o bem e o vero, e no sentido supremo o Senhor quanto ao Divino Bem e ao Divino Vero, como o Senhor mesmo o ensina em Mateus:
“Jesus estendendo a Sua mão sobre os Seus discípulos, disse: Eis a Minha mãe e os meus irmãos: quem fizer a vontade do Meu Pai que está nos céus, esse é Meu irmão e Minha irmã, e [Minha] mãe” (12:49 [Em JFA, 12:49, 50256]);
e no mesmo:
“Não vos deixeis ser chamados Mestre, pois um só é o vosso Mestre, o Cristo; vós, porém, sois irmãos; e não chameis o vosso Pai na terra, porquanto um só é o vosso Pai Que está nos céus” (23:8, 9);
não se proíbe aqui ser chamado mestre nem de ser chamado pai, na terra, mas é proibido reconhecer de coração outro Pai que não seja o Senhor, isto é, que se falando de Mestre e de Pai, deve-se entender o Senhor que, no sentido supremo, é representado por eles, segundo o que acaba de ser dito (n. 3702) sobre os antiquíssimos, que foram homens celestes, nisto que tudo que eles percebiam na terra lhes servia de meio de pensar no Senhor.
[8] Semelhante coisa envolve o que o Senhor dirigiu a um de seus discípulos, que lhe dizia:
“Senhor, permite antes me retirar e sepultar meu pai. Jesus lhe disse: Segue-me, deixa aos mortos sepultar os mortos” (Mt. 8:21, 22);
com efeito, o pai na terra é, em relação ao Pai no céu, ou ao Senhor, como o morto em relação ao vivo; do mesmo modo a própria lei sobre a honra que se deve prestar aos pais é, por assim dizer, morta se nela não há a honra, o culto e o amor ao Senhor, porquanto essa lei descende da lei Divina, daí vem o vivo mesmo que está nessa lei. Daí vem a razão de o Senhor dizer “siga-Me, deixa aos mortos sepultar os mortos”. A mesma coisa é significada pelas palavras que Elias disse a Eliseu:
“Passou Elias diante de Eliseu, e lançou o manto sobre ele, que deixou os bois, e correu atrás de Elias, e disse: [Que eu] beije, peço, o meu pai e mãe, depois irei após ti. Disse-lhe, porém, ele: Vai, volta, que, pois, fiz a ti?” (1Rs. 19:19, 20).
Que o Senhor seja representado por Elias, foi visto no prefácio do capítulo 18 e no n. 2762.
[9] Em Malaquias:
“Eis, Eu vos envio Elias, o profeta, antes que venha o dia de JEHOVAH grande e terrível, e converterá o coração dos pais aos filhos, e o coração dos filhos aos pais deles, para que não venha e fira a terra com maldição” (3:23, 24257 [Em JFA, 4:5, 6]);
E em Lucas:
“O anjo [disse] a Zacarias a respeito de João, seu filho: andará à frente, diante do Senhor, no espírito e na virtude de Elias; para converter os corações dos pais aos filhos” (1:17);
aqui, é evidente que por ‘pais e filhos’ se entendem não os pais nem os filhos, mas os bens e veros da igreja que o Senhor ia restaurar.
[10] Em Malaquias:
“Magnificado seja JEHOVAH acima do termo de Israel! O filho honrará ao pai, e o servo, ao Senhor; que se Eu [sou] o Pai, onde [está] a minha honra? Se Senhor Eu [sou], onde [está] o temor de Mim?” (1:6).
‘Pai’ é para aqueles que estão no bem da igreja, e ‘Senhor’ para os que estão no vero da igreja; ali evidentemente ‘Pai’ designa o Senhor quanto ao Divino Bem, e ‘Senhor’ designa o Senhor quanto ao Divino Vero.
[11] Em Davi:
“O meu pai e a minha mãe me abandonaram, e JEHOVAH me recolheu” (Salmo 27:10);
o pai e a mãe designam o bem e o vero, dos quais se diz terem abandonado o homem, quando o homem nota que, por si próprio, nada de bem ele pode fazer, e que nada de vero ele pode saber; é evidente que não se entende que o pai [de] Davi e a mãe o tinham abandonado.
[12] No mesmo:
“Belo és, de longe mais do que os filhos dos homens... Toda gloriosa [é] a filha do Rei, por dentro de tecidos de ouro [é] o seu vestido. [...] Em lugar dos teus pais estarão os teus filhos, far-lhes-ás como príncipes em toda a terra” (Salmo 45:3, 14, 17 Em JFA, 45:2, 13, 16]);
onde se trata do Senhor, ‘em lugar dos pais serão teus filhos’ está no lugar de ‘os Divinos veros serão como os Divinos Bens’; a ‘filha do Rei’ é amor do vero; o ‘vestido de tecidos de ouro’ é a qualidade desse vero proveniente do bem. Como se trata do Senhor e de Seu Divino Humano, como se vê por todo o Salmo e por cada particularidade dele, é evidente que tanto em geral como em particular aí é tomado em uma semelhante predicação, que assim pela ‘filha do Rei’ não se entende a filha do rei, nem que o seu vestido era de tecidos de ouro, nem que os filhos estarão em lugar dos pais, nem que eles serão príncipes em toda a terra, mas se vê que são coisas Divinas celestes e espirituais que são significadas por cada uma dessas particularidades. (Que a filha é a afeição ou o amor, vejam-se os n. 490, 491, 2362; que o rei é o Divino Vero, nos n. 1728, 1672, 2015, 2069, 3009; que o ouro é o bem, n. 113, 1551, 1552; que o tecido se diz do conhecimento natural, n. 2831, aqui, por conseguinte, do Divino vero natural. Que o vestido significa os veros que revestem o bem, n. 297, 2576; que os filhos em lugar dos pais são os veros que pertencem ao bem, aqui os Divinos Veros como Divinos Bens, n. 264, 489, 491, 533, 1147, 1729, 1733, 2159, 2623, 2803, 2813; que os príncipes em toda a terra são as principais coisas do reino e da Igreja do Senhor; os príncipes, as coisas principais n. 1482, 2089; que a terra seja o Reino e a Igreja do Senhor, n. 1413, 1607, 1733, 1850, 2117, 2118, 3355.)
[13] Em Moisés:
“Nos teus pais deleitou-se JEHOVAH, para os amar, e escolher a semente deles depois deles, vós, dentre todos os povos, como neste dia; por isso circuncidai o prepúcio do vosso coração, e o vosso pescoço não endureçais mais” (Dt. 10:15, 16).
Aqui os ‘pais’, no sentido interno, são a Igreja Antiga e a Igreja Antiquíssima; os dessas igrejas foram assim chamados por causa do amor do bem e do vero em que eles estavam, a saber, no amor do bem dos antiquíssimos, que foram homens celestes, e no amor do vero os antigos, que foram homens espirituais; os seus bens e os seus veros na igreja são o que se chama a ‘semente que Deus escolheu’. Que Abrahão, Isaque e Jacó e os doze filhos de Jacó não são aqui os pais, nem o povo israelita e judaico, a semente, é o que se pode ver; mas isso se diz deles e a eles, a fim de que o sentido interno tenha alguma coisa de externo e, assim, de inteligível para o homem.
[14] Em Isaías:
“Enfurecer-se-ão, o menino contra o velho, e o vil contra o honrado. Porque apanhará o varão o seu irmão na casa do seu pai: um vestido [é] teu, príncipe serás para nós... ...dirá... ...na minha casa não [há] pão, não ponha a mim por príncipe do povo” (3:5, 6, 7).
Aí se trata, no sentido interno, do estado pervertido da igreja, quando o vero não é mais reconhecido como vero, quando não se sabe mais o que é o bem; ‘o varão apanhará seu irmão na casa de seu pai’ é reconhecer seja o que for como bem; a ‘vestimenta’ é o vero (n. 1073, 2576); o príncipe é o principal da doutrina que daí provém (n. 1482, 2089); na casa não há pão nem vestimenta é porque não há bem nem vero, porque o pão é o bem (n. 276, 680, 3478); que a ‘vestimenta’ seja o vero, n. 297, 2576.
[15] 258Pelos representativos do bem e do vero pelo pai e a mãe, pelas filhas e os filhos, foram decretadas nas igrejas representativas muitas leis que, por isso, tiveram daí o seu Divino, como são as leis seguintes:
“Que a filha de um sacerdote tendo se profanado escortando, a seu pai profanando ela; no fogo será queimada” (Lv. 21:9);
a ‘filha do sacerdote’ é a afeição do bem; o ‘pai’ é o bem do qual provém essa afeição; ‘escortar’ é profanar o bem; o que é escortar, foi visto (n. 2466, 2729, 3399); e o que é profanar, n. 1008, 1010, 1059, 2051, 3398, 3399.
“Se a filha do sacerdote se tornou viúva ou é repudiada, e [que] não [tenha] semente alguma dele; voltará à casa do seu pai, como na sua adolescência, do pão do seu pai comerá; todo estranho não comerá dele” (Lv. 22:13).
[16] Também esta lei:
“Se vires em cativeiro uma esposa bela de forma, e a desejares para tomar para ti como mulher, conduzi-la-ás para o meio da tua casa, e apararás a sua cabeça, e farás as suas unhas, e tirarás o vestido do seu cativeiro de cima de si, e se assentará na tua casa, e chorará o seu pai e a sua mãe [durante] um mês de dias, e depois disto entrarás a ela e conhecê-la-ás, e será a ti por mulher” (Dt. 21:11, 12, 13);
nesta lei todas e cada uma das coisas são representativas do vero natural, que, depois de ter sido purificado dos falsos, é adotado pelo bem. Tal vero é significado pela ‘esposa no cativeiro, bela de forma’; a purificação do falso é designada por ‘conduzir ao meio da casa, raspar a cabeça, fazer as unhas, tirar o vestido do cativeiro e chorar pai e mãe’; a adoção é designada por ‘entrar depois a ela, conhecê-la e tomá-la por mulher’.
[17] As Leis dos casamentos, pelo fato de que eles eram contraídos dentro da tribo e dentro da família, e também as Leis das heranças, em que elas não passavam de uma tribo para tribo, leis de que se faz menção na Palavra, obtiveram também a sua origem daí, a saber, do casamento celeste e espiritual no Reino do Senhor, ou do casamento do bem e do vero, que são significados pelo pai e a mãe. O mesmo acontece com as Leis que foram decretadas sobre os graus permitidos e sobre os graus proibidos. Cada lei sobre essas coisas, na Palavra, se refere interiormente a uma lei de consociação e de conjunção do bem e do vero no céu, e às consociações do mal e do falso no inferno, que foram separadas das consociações no céu. Sobre os graus permitidos e proibidos, ver Levítico 20; sobre as heranças, que elas não deviam passar de tribo para tribo; e sobre os casamentos, que deviam ser contraídos dentro da tribo, ver Números 27:7, 8, 9, e outras passagens. Que nos céus todas e cada uma das coisas sejam dispostas conforme as consanguinidades e as afinidades do bem e do vero, foi visto (n. 685, 917, 2739, 3612).
[18] Como o povo israelita representava o Reino do Senhor nos céus, mas, entretanto, a ordem celeste nesse Reino, ordenou-se também que os israelitas se distinguissem segundo as tribos e segundo as famílias, e segundo as casas de seus pais (ver Nm. 26:1–65); e até se lhes ordenou que se acampassem, segundo essa ordem, ao redor da tenda da convenção, e que caminhassem; a respeito dessa ordem se fala assim em Moisés:
“O varão sob o seu estandarte, com as suas insígnias, junto a casa dos pais deles, marcarão os acampamentos os filhos de Israel, da região, ao redor da tenda da convenção”;
e se diz que também assim caminhariam (cf. Nm. 2:2, 34), por isso,
“quando Balaão viu Israel habitando junto as suas tribos, sobre ele veio o espírito de Deus, e ele pronunciou o seu enunciado, dizendo: ... Como são bons os teus tabernáculos, Jacó! Os teus habitáculos, Israel! como vales plantados, como um jardim perto de um rio” (Nm. 24:2, 5, 6 e seguintes);
que nesta profecia nem Jacó nem Israel foram entendidos, mas que seja o Reino do Senhor nos céus, e a igreja do Senhor nas terras, que foram representados por essa ordem em que eles apareciam, é evidente por cada palavra aí.
[19] Pode-se também saber o que significam, no sentido interno da Palavra, os órfãos, ou pupilos, isto é, os que estão sem pai; pode-se ver que eles significam os que se acham no estado da inocência e da caridade e que desejam conhecer e fazer o bem e não o podem. Nesse estado se acham principalmente os que estão fora da igreja, de que o Senhor tem cuidado, e que Ele adota como filhos na outra vida. E como estes são significados pelos órfãos, é por isso que, falando-se de órfãos na Palavra, se fala, na maioria dessas passagens, também de peregrinos e de viúvas, porquanto pelos ‘peregrinos’ são significados os que são instruídos nos bens e nos veros (n. 1463), e pelas ‘viúvas’, os que se acham no estado do bem e não do mesmo modo no vero, e os que se acham no estado do vero e não do mesmo modo no bem e, todavia, desejam estar neles. Como esses três, a saber, os órfãos, os peregrinos e as viúvas têm significações semelhantes em série, é por isso que eles são mencionados, como se disse, juntamente na maioria das passagens (ver Dt. 14:29; 16:14; 24:17, 19; Jr. 7:6; 22:3; Ez. 22:6, 7; Zc. 7:10; Sl. 94:6; 146:9). Pelo que acaba de ser dito, pode-se ver agora o que significa o ‘pai’, no sentido genuíno, isto é, que ele significa o bem, e que, no sentido supremo, ele significa o Senhor.
[20] Contudo, como a maior parte das expressões na Palavra também têm o sentido aposto, assim também ‘pai’, e neste sentido ele significa o mal; igualmente a ‘mãe’, que no sentido genuíno significa o vero, significa o falso no sentido oposto. Que isso assim seja, pode-se ver pelas passagens seguintes: Em Davi:
“Em memória será relembrada a iniquidade dos seus pais para com JEHOVAH, e o pecado da sua mãe não será apagado” (Salmo 109:14).
No mesmo:
“Desviaram-se e perfidamente procederam, como os pais deles, desviaram-se como um arco de fraude” (Salmo 78:57).
Em Moisés:
“Até que os restantes dentre vós se derretam na sua iniquidade, nas terras dos vossos inimigos e também nas iniquidades dos pais deles, com elas se derreterão” (Lv. 26:39).
Em Isaías:
“Preparai para os filhos dele a matança, por causa da iniquidade dos seus pais, e não se reergam e possuam a terra, e se encham as faces da terra de cidades” (14:21).
No mesmo:
“Retribuirei as vossas iniquidades, e as iniquidades dos vossos pais ao mesmo tempo” (Is. 65:6–7).
[21] Em Jeremias:
“Envergonhar-se-ão a casa de Israel, eles, os seus reis, os seus príncipes, e os seus sacerdotes, e os seus profetas, que dizem à madeira: Tu [és]Meu Pai; e à pedra: Tu me geraste, porque viraram para mim o pescoço e não a face” (2:26–27);
No mesmo:
“Eu ponho diante do povo este tropeço, e tropeçarão neles os pais e os filhos juntos, o vizinho e o seu sogro, e perecerão” (Jr. 6:21).
No mesmo:
“Os filhos recolhem a lenha, e os pais acendem o fogo, e as mulheres botem a massa para fazerem bolos a meleheth [outros deuses]” (Jr. 7:18).
Em Ezequiel:
“Farei em ti as coisas que não fez, e que não farei tais mais, por causa das tuas abominações; por isso os pais comerão os seus filhos e os filhos comerão os seus pais, e farei em ti juízos e dispersarei todas as tuas relíquias a todo vento” (5:9–10);
aí se trata da profanação do que é santo. No mesmo:
“Assim disse o Senhor JEHOVIH a Jerusalém: Os teus negócios e as tuas gerações vêm de terra cananeia; o teu pai [foi] amorreu, e tua mãe, uma heteia” (Ez. 16:3).
[22] Em Mateus:
“Entregará à morte o irmão ao irmão, e o pai ao filho, e se insurgirão os filhos contra os pais, e à morte entregá-los-ão; e até sereis adiados por todos por causa do Meu Nome. ... Vim para dividir o homem contra o seu pai, e a filha contra a sua mãe, e a nora contra o seu sogro, e os inimigos do homem serão os seus domésticos. Quem ama o pai e a mãe acima de Mim, não é digno de Mim, e quem ama o filho e a filha acima de Mim, não é digno de Mim” (10:21, 22, 35, 36, 37; Lc. 12:49, 52, 53).
No mesmo:
“Todo aquele que deixar casas, ou irmãos, ou irmãs, ou pai, ou mãe, ou esposa, ou filhos, ou campos, por amor do Meu Nome, receberá cem vezes mais e terá a vida eterna por herança” (Mt. 19:29; Lc. 18:29–30; Mc. 10:29–30).
Em Lucas:
“Se alguém vem a Mim e não odeia seu pai, e sua mãe, e esposa, e filhos, e irmãos e irmãs, e mesmo também a sua própria alma, não pode ser Meu discípulo (14:26).
[23] Em Marcos:
“E o irmão entregará o irmão à morte, e o pai aos filhos; e se levantarão os filhos contra os pais, e os matarão; porque sereis odiados de todos por causa do meu nome (Mc. 13:12–13; Lc. 21:16–17);
aí se trata da consumação do século, e se descreve o estado da igreja pervertida quanto ao bem e vero, a saber, que o mal se levantará contra a verdade, e a falsidade contra o bem. Que no sentido oposto por ‘pai’ é significado mal, é manifesto pelas passagens já aduzidas, e também por isso em João:
“Jesus disse: Se Deus fosse vosso pai, vós Me amaríeis; porquanto Eu saí e venho de Deus. Vós sois de [seu] pai, o diabo, e o desejo de vosso pai quereis fazer; ele foi homicida desde o princípio, e não permaneceu na verdade, porque a verdade não está nele; quando [ele] fala uma mentira, ele fala por si próprio; porque é mentiroso, e seu pai259” (João 8:42, 44).