ac 3833

Emanuel Swedenborg
Obra: Arcanos Celestes – Gênesis Explicado

Texto

. ‘E sucedeu que, na tarde’; que signifique o estado ainda obscuro, é o que se vê pela significação da ‘tarde’, que é o estado obscuro (n. 3056); e também os banquetes que se faziam à tarde, ou as ceias, entre os antigos que estavam em ritos adequados, não significavam também outra coisa senão o estado da iniciação que precede a conjunção, estado que é obscuro relativamente ao estado da conjunção. Com efeito, quando o homem é iniciado no vero e, por conseguinte, no bem, tudo que então aprende é para ele obscuro; mas quando o bem lhe é conjunto e que pelo bem ele olha o vero, então há claridade para ele, e isso sucessivamente mais e mais, pois então ele não está mais na dúvida se tal coisa é e se é de tal ou tal modo, mas conhece que ela é, e que é de tal modo.
[2] Quando o homem se acha nesse estado, ele começa saber inúmeras coisas, pois, então, do bem e do vero que ele crê e percebe ele avança como de um centro para as periferias, e quanto mais ele avança, tanto mais ele vê o que está ao redor, e sucessivamente de um modo mais extenso ainda, pois ele continuamente faz avançarem para fora e estende os limites; e também depois começa de cada coisa no espaço dentro dos limites, a daí, como de novos centros, ele tira novas periferias e assim por diante. Daí a luz do vero procedente do bem cresce imensamente, e se torna como um esplendor contínuo, pois [esse homem] então está na luz do céu, que procede do Senhor. Aqueles que, porém, estão na dúvida e que investigam se tal coisa é, e se ela é de tal modo, não veem de modo algum essas inúmeras e até indefinidas coisas; todas as coisas, em geral e em particular, são para eles absolutamente obscuras, e dificilmente são consideradas como uma só coisa que existe, mas sim como uma só coisa que eles não sabem se existe. É em tal estado que se acha hoje a sabedoria e inteligência humana: é considerado sábio raciocinar engenhosamente se é possível uma coisa existir, e considerado ainda mais sábio mostrar por meio dos raciocínios que ela não existe.
[3] Como exemplo, raciocinar se existe o sentido interno da Palavra, que eles chamam místico; antes de crer isso, eles nada podem saber das inúmeras coisas que estão no sentido interno, as quais são em tão grande quantidade que enchem com uma variedade infinita todo o céu. Seja também para exemplo, aquele que arrazoa sobre a Providência Divina, se ela é somente universal e não está nos singulares; esse também não pode saber esses inúmeros arcanos que pertencem à Providência, os quais são em tão grande quantidade que há coisas contingentes desde o primeiro instante da vida de um homem até o último, igualmente desde a criação do mundo até o seu fim, ou antes, grande quantidade que há de coisas contingentes pela eternidade. Seja ainda para exemplo: aquele que procura, pelo raciocínio, se alguém pode estar no bem, pois, a vontade do homem ficou radicalmente depravada; esse nada pode saber de todos esses arcanos que pertencem à regeneração, nem nunca que uma nova vontade é implantada pelo Senhor, nem os arcanos dessa implantação; o mesmo acontece com todas as coisas restantes. Por esse modo é possível saber em que obscuridade se acham aqueles que são tais, e que esses não veem sequer o primeiro limiar da sabedoria, e ainda menos o tocam.

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