Texto
. ‘Por isso chamou o nome dele Judá’; que signifique a sua qualidade, é o que se pode ver pela significação do ‘nome’ e de ‘chamar o nome’, que é a qualidade (n. 144, 145, 1754, 1896, 2009, 2724, 3006, 3431); a qualidade mesma esta contida no sentido interno destas palavras que Leah pronunciou: “Esta vez, confessarei JEHOVAH”, como foi explicado (n. 3880), a saber, no sentido supremo, o Senhor e o Divino de Seu Amor, no sentido interno, a Palavra e o Reino celeste do Senhor, e no sentido exterior, a doutrina oriunda da Palavra e pertencente à igreja celeste. Que seja isso o que é significado por ‘Judá’ na Palavra, onde ele é mencionado, é o que ainda dificilmente alguém soube, por esse motivo, porque se crê que os históricos são unicamente históricos, que os proféticos estão no número das coisas obliteradas, com exceção de algumas passagens das quais é possível haurir coisas dogmáticas. Que haja um sentido espiritual nela, isto não se crê, porque hoje não se sabe o que é o sentido espiritual da Palavra, e nem mesmo o que é o espiritual, e isso principalmente por essa razão, porque é a vida natural que é vivida, e que esta vida é tal que quando ela é tida como fim ou é amada unicamente, ela oblitera as cognições e a fé, ao ponto que, por exemplo, quando se fala da vida espiritual e do sentido espiritual, torna-se uma coisa quase nula, ou alguma coisa desagradável e triste que incita náuseas, conforme a discordância com a vida natural. Como o gênero humano está hoje em tal estado, por isso pelos nomes na Palavra ele não compreende e não quer compreender senão as nações, os povos, as pessoas, as regiões, as cidades, os montes, os rios que são nomeados, quando, todavia, os nomes, no sentido espiritual, significam coisas.
[2] Que por Judá seja significado, no sentido interno, a igreja celeste do Senhor, e, no sentido universal, o Reino celeste do Senhor, e, no sentido supremo, o Senhor mesmo, pode-se vê-lo por muitas passagens do Antigo Testamento onde Judá é mencionado; por exemplo, pelas que seguem: Em Moisés:
“Judá, a ti louvar-te-ão os teus irmãos, a tua mão, na cerviz dos teus inimigos, encurvar-se-ão para ti os filhos do teu pai; um pequeno leão, Judá; da presa, filho meu, subsiste; curvou-se, deitou-se como um leão, e como um leão velho, quem o fará levantar? Não será retirado o cetro de Judá, nem o legislador dentre os pés dele, até que venha Siló, e dele a congregação dos povos. Amarrando à vide o seu jumentinho, e à vide nobre o filho da sua jumenta; lavará no vinho a sua vestimenta, e no sangue das uvas o seu manto; rubro de olhos pelo vinho e branco de dentes pelo leite” (Gn. 49:8 a 12).
[3] Este [discurso] profético de Jacó, então Israel, a respeito de Judá, ninguém pode saber o que ele significa, nem mesmo compreender uma única expressão a não ser pelo sentido interno; por exemplo, o que significa ‘seus irmãos o louvarão, e os filhos de seu pai se encurvarão a ele’; ‘como um leãozinho, sobe da presa’; ‘como um leão ele se curva e se deita’; nem o que é significado por ‘Siló’, por ‘amarrar o seu jumentinho a uma vide e o filho da sua jumenta a uma vide nobre’, por ‘lavar no vinho o sua vestimenta e no sangue das uvas o seu manto’, por ‘rubro de olhos pelo vinho e branco de dentes pelo leite’. Essas expressões não podem, como se disse, ser compreendidas por ninguém, exceto por meio do sentido interno, e, entretanto, todas essas coisas, em geral e em particular, significam os celestes do Reino do Senhor e os Divinos, e por elas se prediz que o Reino celeste do Senhor e, no sentido supremo, o Senhor mesmo seriam representados por Judá; de todas essas coisas se falará, pela Divina Misericórdia do Senhor, nas explicações sobre esse capítulo (Gênesis 49).
[4] O mesmo acontece em outras partes em que Judá é mencionado, principalmente nos Profetas, como em Ezequiel:
“Tu, filho do homem, toma para ti uma madeira, e escreve sobre ela: a Judá e aos seus filhos, a Israel seus companheiros; e toma uma madeira e escreve sobre ela: A José, madeira de Efraim e de toda a casa de Israel seus companheiros; e as conjunge uma à outra para ti em uma só madeira, e serão em uma na Minha mão. Estabelecê-los-ei em uma só nação na terra, nas montanhas de Israel; e um só Rei haverá para todos eles como Rei; o meu servo Davi [será] Rei sobre eles, e um só pastor haverá para todos eles, e nos Meus juízos andarão, e os Meus estatutos guardarão e fá-los-ão; e habitarão sobre a terra, que dei ao Meu servo Jacó, na qual habitaram os vossos pais; habitarão sobre elas eles e os filhos deles, e os filhos dos filhos deles pela eternidade; e Davi, Meu servo, será o príncipe deles pela eternidade, e tratarei com eles uma aliança de paz, uma aliança de eternidade haverá com eles; dar-lhes-ei, e multiplicá-los-ei, e porei a Minha santidade no meio deles eternamente; assim será o Meu habitáculo neles, e serei para eles por Deus, e eles serão a Mim por povo” (37:15 a 28);
aquele que por ‘Judá’ entende Judá, por ‘Israel’, Israel, por ‘José’, José, por ‘Efraim’, Efraim e por ‘Davi’, Davi, crerá que todas essas coisas devem acontecer segundo o sentido da letra, a saber, que Israel será outra vez consociado com Judá, e que o mesmo sucederá com a tribo de Efraim, que então Davi reinará; que eles habitarão assim na terra dada a Jacó pela eternidade; que então haverá com eles uma aliança eterna, e que o santuário será para a eternidade no meio deles, quando todavia nada há nessa passagem que diga respeito a essa nação, mas se trata do Reino celeste do Senhor, que é ‘Judá’, de Seu Reino espiritual, que é ‘Israel’, e do Senhor, Que é ‘Davi’; daí é bem claro que pelos nomes se entendem não pessoas, mas coisas reais celestes e Divinas.
[5] O mesmo acontece com esta passagem em Zacarias:
“Virão muitos povos e nações numerosas a buscar JEHOVAH Zebaoth; nesses dias pegarão dez varões de todas as línguas das nações, e pegarão a orla da vestimenta de um varão de Judá, dizendo: Iremos convosco, porque ouvimos [que] Deus [está] convosco” (8:22, 23);
os que compreendem esta passagem segundo a letra dirão, como ainda o crê essa nação judaica, que, porque essa profecia ainda não se cumpriu, se cumprirá; assim, os judeus voltarão à terra de Canaã, e que um grande número de homens de toda nação e de toda língua os seguirão, e pegarão a orla da vestimenta de um varão de Judá, rogando-lhes a permissão de os seguir, e que com eles estará então Deus, a saber, o Messias, que o cristãos chamam Senhor, ao qual os judeus se converterão anteriormente. Tal seria a fé que se teria nessas palavras se por um varão de Judá se entendesse um homem judeu [vir judaeus]; mas, no sentido interno, aí se trata da nova igreja espiritual entre as nações, e o ‘varão de Judá’ significa a fé salvífica que procede do amor ao Senhor.
[6] Que por ‘Judá’ não se entende Judá, mas, no sentido interno, como se disse, o Reino celeste do Senhor, que foi representado na igreja instituída em Judá ou entre os judeus, é também o que se pode ver claramente pelas passagens que seguem: em Isaias:
“O Senhor quando levantar o estandarte [diante das] nações, reunirá os expulsos de Israel, e os dispersos de Judá ajuntará das quatro extremidades da terra; então partirá a rivalidade de Efraim, e os inimigos de Judá serão cortados; Efraim não terá rivalidade com Judá, e Judá não angustiará a Efraim” (11:12, 13).
Em Jeremias:
“Eis dias virão, dito de JEHOVAH, e suscitarei a Davi um renovo justo, que reinará Rei, e prosperará, e fará juízo e justiça na terra. Nos dias d’Ele será salvo Judá, e Israel habitará em segurança; e este [é] o Nome d’Ele, que O chamarão: JEHOVAH nossa justiça” (Jr. 23:5, 6).
Em Joel:
“Então conhecereis que Eu, JEHOVAH, vosso Deus, habito em Sião, montanha da Minha santidade, e será Jerusalém santidade; ... e acontecerá nesse dia [que] as montanhas destilarão mosto, e as colinas manarão leite, e todos os ribeiros de Judá fluirão águas, e uma fonte sairá da casa de JEHOVAH, e regará o rio de Sitim; ... Judá pela eternidade se assentará, e Jerusalém de geração em geração” (3:17,18, 20).
[7] Em Zacarias:
“Nesse dia ... ferirei todo cavalo de estupor, e o seu cavaleiro de demência, e sobre a casa de Judá abrirei os Meus olhos, e todo cavalo dos povos ferirei de cegueira; e dirão os chefes de Judá no seu coração: O meu fortalecimento são os habitantes de Jerusalém em JEHOVAH Zebaoth, Deus deles; nesse dia porei os chefes de Judá como um braseiro de fogo na lenha, e como um tição de fogo em um molho, e devorarão à direita e à esquerda todos os povos ao redor; e será habitada Jerusalém ainda sob si em Jerusalém; e salvará JEHOVAH as tendas de Judá primeiro, para que não se eleve a glória da casa de Davi, e a glória do habitante de Jerusalém acima de Judá. Nesse dia JEHOVAH protegerá o habitante de Jerusalém; ... e a casa de Davi [será] como Deus, como o Anjo de JEHOVAH diante deles; ... e derramarei sobre a casa de Davi, e sobre o habitante de Jerusalém o espírito de graça” (12:4–10).
Aí se trata do Reino celeste do Senhor, e que ali o vero não deve dominar sobre o bem, mas que o vero deve ser subordinado ao bem; o vero é significado pela ‘casa de Davi’ e pelo ‘habitante de Jerusalém’, e este, ou o bem, por ‘Judá’; daí é evidente por que a razão primeiro se diz que ‘a glória da casa de Davi e a glória do habitante de Jerusalém não devem elevar-se acima de Judá’, e porque se diz em seguida que ‘a casa de Davi será como Deus e como o Anjo de JEHOVAH’, e que ‘o espírito de graça se derramará sobre ela e sobre o habitante de Jerusalém’ porque tal é o estado quando o vero foi subordinado ao bem, ou a fé ao amor; ‘o cavalo que será ferido de estupor’ e ‘o cavalo dos povos que será ferido de cegueira’ significam a inteligência própria (n. 2761, 2762, 3217).
[8] No mesmo:
“Nesse dia haverá sobre as campainhas dos cavalos: Santidade a JEHOVAH; e serão as panelas na casa de JEHOVAH como as bacias diante do altar; e será toda panela em Jerusalém, e em Judá uma santidade a JEHOVAH Zebaoth” (Zc. 14:20, 21);
aí se trata do Reino do Senhor. Em Malaquias:
“Eis, Eu mando o Meu Anjo, que preparará o caminho diante de Mim, e imediatamente virá ao seu Templo o Senhor, a Quem vós buscais, e o Anjo da aliança, a Quem vós desejais; eis, vem; ... quem suportará o dia da vinda d’Ele? ... Então doce será para JEHOVAH a minchah de Judá e de Jerusalém, como nos dias do século e como nos anos antigos” (3:1, 2, 4);
Aí se trata evidentemente do Advento do Senhor; sabe-se que então a ‘minchah de Judá e de Jerusalém’ não Lhe foi doce, mas o que Lhe é doce é o culto procedente da fé dali, que é a ‘minchah de Jerusalém’.
[9] Eu Jeremias:
“Assim disse JEHOVAH Zebaoth: ... Ainda dirão essa palavra na terra de Judá, e nas suas cidades quando retornar o cativeiro deles: Abençoe a ti JEHOVAH, habitáculo de justiça, montanha de santidade! E habitarão nela, Judá, e todas as suas cidades juntamente. ... Eis, dias, virão, dito de JEHOVAH, nos quais semearei ... a casa de Judá semente de homem, e semente de besta. ... Eis dias virão, dito de JEHOVAH, nos quais firmarei com a casa de Israel, e com a casa de Judá, uma aliança nova, não como a aliança que tratei com os pais deles” (31: 23, 24, 27, 31, 32).
Em Davi:
“O Senhor escolheu a tribo de Judá, a montanha de Sião, a quem amava, e edificou como alturas o Seu santuário, como a terra fundou pela eternidade” (Salmo 78:68, 69).
[10] A partir dessas passagens e de muitas outras (que se passa em silêncio), é possível ver o que é significado por ‘Judá’ na Palavra, e que não é a nação judaica, porque ela em nada foi a igreja celeste ou o Reino celeste do Senhor. Ela foi, pois, quanto ao amor ao Senhor e à caridade para com o próximo, e quanto à fé, a pior de todas as nações, e isso, desde seus primeiros pais, a saber, dos filhos de Jacó até os tempos de hoje; mas é fato que tais [homens] puderam representar as coisas celestes e espirituais do Reino do Senhor (n. 3479, 3480, 3481), porque nas representações nada reflete sobre a pessoa, mas sobre a coisa que é representada (n. 665, 1097, 1361, 3147, 3670).
[11] Contudo, quando eles não persistiam nos ritos ordenados por JEHOVAH, ou o Senhor, deles se desviavam para as idolatrias, eles não representavam mais as coisas celestes e espirituais, mas as que são opostas, a saber, as coisas infernais e diabólicas, segundo as palavras do Senhor em João:
“Vós, por pai tendes o diabo, [e] os desejos do vosso pai quereis fazer; ele foi homicida desde o começo, e não ficou na verdade” (8:44).
Que seja isso o que é significado por Judá no sentido oposto, pode-se vê-lo por estas passagens: Em Isaias:
“Tropeçou Jerusalém, e Judá caiu, porque a sua língua, e suas obras [são] contra JEHOVAH, para rebelarem os olhos da glória d’Ele” (3:8).
Em Malaquias:
“Perfidamente procedeu Judá, e a abominação foi feita em Israel e em Jerusalém, e profanou Judá a santidade de JEHOVAH, porque amou e se casou com a filha de um deus estrangeiro” (2:11);
e, além disso, nas passagens seguintes: Isaías 3:1 e seguintes; 8:7, 8; Jeremias 2:28; 3:7 a 11; 9:25; 11:9, 10, 12; 13:9; 14:2; 17:1; 18:11, 12, 13; 19:7; 32:35. 36:31; 44:12, 14, 26, 28; Oseas 5:5; 8: 14; Amós 2:4, 5; Sofonias 1:4; e em muitos outros lugares.