Texto
. Que, nesse sentido, por ‘tocou a concavidade da coxa de Jacó’ seja significado onde o amor conjugal é conjungido ao bem do natural, é o que se vê pela significação da ‘concavidade da coxa’; que seja onde há conjunção do amor conjugal, foi visto acima (n. 4277). Que seja significada a conjunção aí com o bem natural, é porque ali a coxa está conjungida com os pés; os ‘pés’, no sentido interno, significam o bem natural. Que os ‘pés’ tenham essa significação foi visto (n. 2162, 3147, 3761, 3986).
[2] Que a coxa seja o amor conjugal, e os pés, o bem natural, está entre as coisas que foram obliteradas e inteiramente perdidas. A Antiga Igreja, que estava nas coisas representativas e significativas conheceu muito bem essas representações e significações; o conhecimento de tais significações constituía a inteligência e a sabedoria dos homens dessa igreja, e não só dos homens dessa igreja, mas também daqueles que estavam fora da igreja, como se pode ver pelos livros mais antigos das nações, e pelos que hoje são chamados fábulas, porquanto as coisas significativas e as representativas foram derivadas desde a Igreja Antiga até eles. Entre estes também as coxas e os lombos significavam o conjugal, e os pés as coisas naturais. Que as coxas e os pés signifiquem essas coisas, vem das correspondências de todos os membros, órgãos e vísceras do homem com o Máximo Homem, correspondências de que se trata agora no fim dos capítulos. Na continuação, falar-se-á das correspondências com a coxa e com os pés, e ali será confirmado por uma viva experiência que é essa a sua significação.
[3] Tais coisas não podem deixar de parecerem paradoxos hoje, porque, como foi dito, essa ciência foi obliterada e ficou inteiramente perdida; contudo, ainda se pode ver quanto essa ciência está acima das outras ciências por isto, que sem ela a Palavra não pode jamais ser conhecida quanto ao sentido interno, e porque é segundo esse sentido que os anjos que estão juntoao homem percebem a Palavra, e que, enfim, é por essa ciência que ao homem é dada comunicação com o céu; e, o que é incrível, o homem interno mesmo não pensa de outro modo, pois quando o homem externo compreende a Palavra conforme a letra, o homem interno a compreende segundo o sentido interno, ainda que ele nada saiba a respeito enquanto vive no corpo; é sobretudo o que pode tornar-se evidente no fato que o homem, quando chega na outra vida e se torna anjo, conhece esse sentido sem instrução como por si próprio.
[4] O que é o amor conjugal, que é significado pelas coxas e depois pelos lombos, ver os n. 995, 1123, 2727 ao 2759; e que o amor conjugal seja o fundamental de todos os amores, n. 2686, 3021. Daí vem que os que estão no amor conjugal genuíno, também estão no amor celeste (isto é, no amor ao Senhor) e no amor espiritual (isto é, na caridade para com o próximo); por essa razão, pelo amor conjugal não se entende somente esse amor mesmo, mas também todo amor celeste e todo amor espiritual. Diz-se que esses amores estão conjuntos com o bem do natural quando o homem interno está conjunto com o homem externo, ou o homem espiritual, com o homem natural. É essa conjunção que é significada pela concavidade da coxa. Que entre Jacó e os seus descendentes não tenha havido no geral conjunção alguma, isso se tornará evidente pelas coisas que se seguirão, pois aqui se trata desse assunto no sentido interno histórico.