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Emanuel Swedenborg
Obra: Arcanos Celestes – Gênesis Explicado

Texto

. Ouviu-se um sussurro tonitruante que defluía de muito alto acima do occipício e se propagava ao redor de toda essa região. Fiquei admirado [por não saber] quem eram [esses]. Foi-me dito que eram os que se referem ao sentido geral involuntário, e depois foi dito que tais espíritos podiam perceber habilmente o que foi pensado pelo homem, mas que não querem expor coisa alguma, nem pronunciar, assim como o cerebelo, que percebe tudo o que pensa o cérebro, mas não divulga. Quando cessou a operação manifesta deles em toda a província do occipício, mostrou-se até onde se estendia a operação deles.Primeiro ela se fixava em toda a face, depois se transferia para a parte esquerda da face, e afinal para a orelha esquerda. Por esses era significado qual tinha sido a operação do sentido geral involuntário, desde os primeiros tempos, nos homens nesta terra, e de que modo ela progrediu.
[2] O influxo proveniente do cerebelo se insinua principalmente na face, o que se vê a partir disso, que tenha sido na face que foi inscrita a disposição do ânimo, e que na face se mostrem as afeições, e isso na maioria das vezes sem a vontade do homem, por exemplo, o temor, a reverência [ou respeito], o pudor, diversos gêneros de alegria e também de tristezas, além de muitas outras coisas que se fazem notar por esse modo a um outro, de maneira que se sabe pela face quais são as afeições, e quais são as mudanças de ânimo e da mente. São essas as operações do cerebelo por meio de suas fibras quando a simulação não está presente. Mostrou-se assim que o sentido geral nos primeiros tempos, ou nos antiquíssimos, tinham ocupado toda a face, e que sucessivamente depois desses tempos ele ocupou somente a parte esquerda, e por fim depois desses tempos ele se propagou fora da face, de sorte que hoje dificilmente tenha restado algum sentido geral involuntário na face. A parte direita da face com o olho direito corresponde à afeição do bem; a parte esquerda por sua vez, à afeição do vero. A região onde está a orelha corresponde à obediência só, sem afeição.
[3] Com efeito, com os antiquíssimos, cujo século foi chamado a idade de ouro, porque que eles viveram em um certo estado de integridade, e no amor ao Senhor e no amor mútuo, como os anjos, todo o involuntário do cerebelo se manifestava na face, e então eles absolutamente não sabiam mostrar pela face outra coisa, senão segundo o que o céu influía nos esforços involuntários e, daí, na vontade. Mas com os antigos, cujo século foi dito idade de prata, porque eles se achavam no estado da verdade e, daí, na caridade para com o próximo, o involuntário, que pertencia ao cerebelo, manifestava-se não na parte direita da face, mas somente na parte esquerda. Porém, com os seus descendentes, cujo tempo foi chamado idade do ferro, porque eles viviam não na afeição do vero, mas na obediência do vero, o involuntário não mais se manifestou na face, mas se retirou para a região que está ao redor da orelha esquerda. Fui instruído que as fibras do cerebelo mudaram assim o seu efluxo na face, e que em lugar dessas fibras, foram ali transportadas fibras que provêm do cérebro, as quais imperam então sobre as que provêm do cerebelo; e isso vem do empenho de formar a fisionomia da face segundo o sinal da vontade própria, que provém do cérebro. Ao homem não parece que essas coisas sejam assim, mas é o que veem claramente os anjos pelo influxo do céu e pela correspondência.

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