ac 5126

Emanuel Swedenborg
Obra: Arcanos Celestes – Gênesis Explicado

Texto

. ‘E darás a taça do faraó na mão dele’; que signifique para que daí [elas] sirvam ao natural interior, é o que se vê pela significação de ‘dar a taça para beber’, que é apropriar, do que se falou acima (n. 5120); que seja também servir, é evidente; e pela representação do ‘faraó’, que é o natural interior (n. 5080, 5095, 5118).
[2] Que haja um natural interior e um natural exterior, e que o natural exterior se constitua das coisas que do mundo entram imediatamente por meio dos sensuais na mente natural, a saber, em sua memória e, daí, na imaginação, foi visto (n. 5118). Para que se saiba o que é o natural exterior e o que é o natural interior, os quais pertencem ao homem exterior e, portanto, o que é o racional que pertence ao homem interior, devem ser ditas umas poucas palavras: O homem, desde a sua infância até a meninice, é meramente sensual, pois então ele recebe somente por meio dos sensuais do corpo coisas terrestres, corporais e mundanas. Dessas coisas também provêm então as suas ideias e os seus pensamentos. A comunicação com o homem interior ainda não foi aberta, não mais além do necessário para que ele possa compreendê-las e retê-las. A inocência que então está nele é somente externa, mas não interna, pois a verdadeira inocência habita na sabedoria; por ela, a saber, pela inocência externa, o Senhor repõe na ordem as coisas que entram pelos sensuais. Sem o influxo da inocência procedente do Senhor nessa primeira idade, jamais existiria algum fundamental sobre o qual o intelectual, ou racional, que é próprio do homem, pudesse ser construído.
[3] Desde a meninice até a adolescência, a comunicação é aberta para o interior natural por meio disto: que aprenda o que é decente, civil e honesto, tanto pela instrução procedente dos pais e mestres, quanto por meio dos estudos. Desde a adolescência até a idade juvenil, é aberta a comunicação entre o natural e o racional por meio disto: que então aprenda os veros e os bens da vida civil e moral e, principalmente, os veros e os bens da vida espiritual, por meio da audição e da leitura da Palavra; mas quanto mais então ele se imbui dos bens por meio dos veros, isto é, quanto mais ele faz os veros que aprende, tanto mais é aberto o racional. Ao contrário, quanto mais ele não se imbui nos bens por meio dos veros ou quanto mais ele não faz os veros, tanto mais não é aberto o racional; mas ainda assim as cognições permanecem no natural, a saber, em sua memória, assim, por assim dizer, fora da casa no limiar.
[4] Mas quanto mais, nessa ocasião e na idade seguinte, enfraquece esses veros, os nega e age contra eles, isto é, no lugar deles ele crê os falsos e faz os males, tanto mais é fechado o racional e também o natural interior. Não obstante, ainda resta, pela Divina Providência do Senhor, bastante comunicação para que possa por algum entendimento compreender esses veros, mas não entretanto apropriá-los a si, a não ser que faça uma séria penitência e, durante muito tempo depois, ele lute contra os falsos e os males. Naqueles que por sua vez se deixam regenerar acontece o contrário, neles gradual ou sucessivamente o racional é aberto, e o natural interior é subordinado ao racional, e o natural exterior é subordinado ao natural interior; isso acontece principalmente na idade juvenil até a idade adulta, e progressivamente até o último [momento] da vida deles, e depois, no céu, pela eternidade. Daí se pode saber o que é o interior e o que é o exterior no homem.

Versão impressa (opcional)

Para estudo mais confortável, você pode adquirir esta obra em formato impresso: ver orientações.