ac 5127

Emanuel Swedenborg
Obra: Arcanos Celestes – Gênesis Explicado

Texto

. ‘Segundo o costume anterior’; que signifique pela lei da ordem, vê-se pela significação de ‘costume anterior’, que é a lei da ordem. Com efeito, a lei da ordem é para que os exteriores estejam sujeitos aos interiores, ou, o que é o mesmo, que os inferiores estejam submetidos aos superiores e sirvam a ele como criados, pois os exteriores (ou inferiores) nada são senão serviços, e os interiores (ou superiores) são relativamente dominações. Que as palavras da expressão ‘segundo o costume anterior’ signifiquem essas coisas, vem de que o copeiro tinha, anteriormente como servo, servido ao faraó como seu senhor pela lei da subordinação; assim, o sensual, que é representado pelo copeiro, deve servir ao natural interior, que é representado por faraó, pela lei da ordem.
[2] Que haja uma lei da ordem, que os inferiores, ou exteriores, devem servir aos superiores, ou interiores, o homem sensual desconhece completamente, pois quem é meramente sensual não sabe o que é o interior, assim, nem o que é relativamente exterior. Ele sabe que pensa e fala e que quer e faz; daí supõe que pensar e querer seja o interior, e que falar e fazer seja o exterior; mas não sabe que pensar somente a partir dos sensuais e fazer a partir do apetite pertence ao homem externo e, assim, que o seu pensar e o seu querer pertencem somente ao natural exterior, e mais ainda quando ele pensa os falsos e quer os males. E porque em tais homens a comunicação foi fechada com os interiores, por isso ele não sabe o que é o pensamento interior nem o que é a vontade interior. Se lhe fosse dito que o pensamento interior é pensar a partir do vero, e que a vontade interior é fazer a partir do bem, isto ele absolutamente não compreenderia; menos ainda que o homem interior é distinto do homem exterior, e de tal modo distinto que o homem interior, por assim dizer, pode ver de um lugar superior o que se efetua no homem exterior, e que o homem interior está na faculdade e no poder de corrigir o homem exterior e de não querer e não pensar o que o homem exterior vê a partir da fantasia e apetece a partir da cobiça.
[3] Estas coisas ele não vê enquanto o seu homem externo está no domínio e reina; porém, fora desse estado, por exemplo, quando ele está em alguma dor proveniente de infortúnios ou de doenças, ele pode ver e compreender, pois então o domínio do homem externo cessa. Com efeito, a faculdade ou o poder de compreender é sempre conservada ao homem pelo Senhor, mas é muitíssimo obscura naqueles que estão nos falsos e nos males, e sempre mais clara conforme os falsos e os males estão entorpecidos. O Divino do Senhor influi continuamente no homem e o ilumina, mas onde os falsos e os males estão, isto é, onde estão os contrários dos veros e dos bens, ali a Divina luz é ou refletida, ou sufocada, ou pervertida, e só é recebido dela uma quantidade como por fendas, pela qual o indivíduo está na faculdade de pensar e de falar a partir dos sensuais; mesmo sobre as coisas espirituais, a partir das fórmulas impressas na memória natural ou corporal.

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