AE 69

Apocalipse Explicado
Emanuel Swedenborg
Explicatione super Apocalypsin — Interpretacao Espiritual do Livro da Revelacao

. (Vers. 15) "E os Seus pés semelhantes a latão reluzente, como que inflamados numa fornalha." - Que isto signifique o último da ordem Divina, que é o natural, cheio do Divino Amor vê-se pela significação de 'pés', que é o natural (de que se trata nos nºs 2162, 3147, 3761, 3986, 4280 e 4938-4952); assim, como se trata do Senhor, os 'pés' são o último da ordem Divina, porque este é o natural; pela significação de 'latão reluzente' ou bronze polido, que é o bem natural (de que se tratará a seguir); e pela significação de 'inflamado', quando se trata do Senhor, que é o que procede do Divino Amor (de que se trata no nº 10055). Diz-se 'como que inflamados numa fornalha' para que seja exprimido o Divino Amor no máximo grau e em sua plenitude, pois o Divino está em sua plenitude quando está em seu último, e o último é o natural (vê-se acima, nº 66). Assim é que pelos 'Seus pés semelhantes a latão reluzente como que inflamados numa fornalha' é significado o último da ordem Divina, que é o natural, cheio do Divino Amor. Estas coisas, como também as precedentes, são relatadas comparativamente, por exemplo, que 'a cabeça e os cabelos eram brancos como a lã branca e como a neve', e que 'os pés eram semelhantes a latão reluzente como que inflamados numa fornalha', mas cumpre saber que todas as comparações na Palavra têm significação, porque são semelhantes às coisas mesmas por meio das correspondências (vê-se nos nºs 3579, 4599 e 8989).
[2] Que os 'pés', quando se trata do Senhor, signifiquem o último da ordem Divina e que este seja o natural, é porque o céu é céu pelo Divino Humano do Senhor, e, por isso, o céu em todo o conjunto se refere a um Homem. E, também, pois que há três céus, o supremo se refere à cabeça, o médio ao corpo e o último, aos pés. O Divino que faz o céu supremo é chamado Divino celeste, enquanto o Divino que faz o céu médio é chamado Divino espiritual e o Divino que faz o último céu é chamado Divino natural, proveniente do espiritual e do celeste. Por aí é evidente a razão pela qual o Senhor é aqui descrito quanto ao Divino Humano, que é o Filho do homem visto no meio dos castiçais, não apenas quanto às vestes, mas também quanto à cabeça, ao peito e aos pés. (O Filho do homem é o Senhor quanto ao Divino Humano, como se vê acima, nº 63; e os 'castiçais' são o céu, como se vê também acima, nº 62. Como, porém, estas coisas são arcanos até agora desconhecidos no mundo, e, todavia, são coisas que devem ser entendidas para que se compreenda o sentido interno destas e das que se seguem neste livro profético, por isso foram descritas uma a uma em particular na obra O Céu e o Inferno, ou seja, o Divino Humano do Senhor faz o céu, nºs 7-12, 78-86 e seqüência; e por isso, o céu em todo o conjunto se refere a um Homem, nºs 59-77; há três céus, e o supremo se refere à cabeça, o médio ao corpo e o último aos pés, nºs 29-40). Quando se entende isso, pode-se ver o que é significado pelos 'pés de JEHOVAH' ou 'do Senhor', na Palavra, a saber, o último da ordem Divina ou o natural. E como o externo da igreja, do culto e da Palavra é o último da ordem Divina na igreja e é natural, por isso este é significado em particular aqui pelos 'pés de JEHOVAH' ou 'do Senhor'.
[3] Visto que é isto o que significam 'os pés de JEHOVAH' ou 'do Senhor', por isso, quando o Senhor foi visto como um Anjo pelos profetas em outros lugares, também foi visto de modo semelhante, como em Daniel:
"Ergui meus olhos e vi, e eis, um Varão vestido de linho, cujos lombos eram cingidos com ouro de Ufaz, Seu corpo como de Tarsis (...) e Seus olhos como faces de fogo; Seus braços e pés como o esplendor do bronze polido" (Dn. 10-5,6).
É o mesmo com os querubins que foram vistos por Ezequiel, pelos quais se entende o Senhor quanto à providência e à proteção (nºs. 9277, 9509 e 9673):
"Seus pés eram (...) cintilantes como o esplendor do bronze polido" (Ez. 1:7).
E também o mesmo quando o Senhor foi visto como Anjo depois, no Apocalipse:
"Vi um anjo descendo do céu, vestido de uma nuvem e com o arco-íris em redor da cabeça, e Sua face era como o sol, e Seus pés como colunas de fogo" (Apoc. 10:1).
Visto que o Senhor foi visto assim quanto aos pés, por isso sob os pés alguns dos filhos de Israel viram
"Como obra de pedra de safira e como que uma substância do céu quanto à pureza" (Êx. 24:10).
Que o Senhor não tenha sido visto por eles quanto aos pés, mas 'sob os pés' foi porque eles não estavam no externo da igreja, do culto e da Palavra, mas sob esse externo (vide a Doutrina da Nova Jerusalém, nº 248).
[4] Porquanto os 'pés de JEHOVAH' ou 'do Senhor' significam o último da ordem Divina, e aqui, em particular, o externo da igreja, do culto e da Palavra, por isso esse [externo] se chama 'escabelo de Seus pés', como em Isaías:
"A glória do Líbano virá a ti para ornar o lugar do Meu santuário, o lugar dos Meus pés farei honorável; e eles se curvarão às solas dos teus pés" (Isa. 60:13, 14).
No mesmo:
"O céu é Meu trono, e a terra o escabelo dos Meus pés" (Isa. 66:1).
Em Jeremias:
Deus "não Se lembrará do escabelo dos Seus pés no dia da ira" (Lm. 2:1).
Em David:
"Adorai a JEHOVAH diante do escabelo dos Seus pés" (Sl. 99:5).
No mesmo:
"Entremos em Seu habitáculo, curvemo-nos ante o escabelo de Seus pés" (Sl. 132:7).
Em Naum:
"JEHOVAH (...) as nuvens são o pó dos Seus pés" (Nm. 1:3);
que as 'nuvens' sejam o externo da Palavra, ou a Palavra quanto à letra vê-se acima (nº 36); e como as 'nuvens' são o externo da Palavra, também são o externo da igreja e do culto, pois a igreja e o culto são provenientes da Palavra. Diz-se 'pó dos pés' porque as coisas que estão no sentido da letra da Palavra, que é natural, parecem esparsas.

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