. (Vers. 18) "E ao anjo da Igreja em Tiatira escreve". Que isto signifique aqueles da igreja em quem o interno e o externo, ou o homem espiritual e o natural fazem um, vê-se pelo que a esse anjo foi escrito, entendido no sentido interno; trata-se aí da conjunção do interno ou homem espiritual com o externo ou natural, ou seja, daqueles na igreja em que esses são conjuntos. Existe em cada homem um interno e um externo; o seu interno é o que se chama homem espiritual e o externo é o que se chama homem natural. Quando o homem nasce, abre-se primeiro o seu externo ou homem natural; em seguida, conforme cresce e se aperfeiçoa em inteligência e sabedoria, abre-se o interno ou homem espiritual. O externo ou natural do homem se abre pelas coisas que o homem haure do mundo, mas o interno ou homem espiritual se abre pelas coisas que ele haure do céu. Pois o homem externo ou natural é formado para a recepção de coisas tais as que estão no mundo, enquanto o homem interno ou espiritual é formado para a recepção de coisas tais as que estão no céu. As que estão no mundo, para cuja recepção o homem externo ou natural é formado, se referem em geral a todas as coisas que pertencem à vida moral e civil, enquanto as que estão no céu, para cuja recepção o homem interno ou espiritual é formado, se referem em geral a todas as coisas que pertencem ao amor e a fé.
[2] Porquanto esses dois estão no homem, e um e outro são abertos diferentemente por seus meios, é evidente que, a menos que o interno seja aberto por seus meios, o homem permanece somente natural e, então, o seu interno é fechado. Mas esses em que o homem interno é fechado não são homens da igreja, pois a igreja no homem é formada pela comunicação com o céu, e a comunicação com o céu não existe senão quando o seu interno é aberto por seus meios, os quais se referem, todos, ao amor e à fé, como se disse acima. Cumpre saber, além disso, que no homem da igreja - que é aquele que foi regenerado pelo Senhor e por meio dos veros que se chamam da fé e uma vida segundo esses veros - o interno é conjunto ao externo, ou o homem espiritual ao natural, e são conjuntos pelas correspondências. (Quais são essas correspondências e, assim, qual é a conjunção efetuada por elas, pode-se ver pelas coisas que a este respeito foram mostradas nos Arcanos Celestes, das quais algumas se vêem coligidas na Doutrina da Nova Jerusalém, nº 261).
[3] Ora, visto que o homem não se torna homem da igreja antes que seu interno ou homem espiritual seja aberto e este seja conjunto ao externo ou homem natural, por isso se trata agora desses na igreja, pois (como acima, nº 20, se disse) pelas 'sete Igrejas' não se entendem sete igrejas, mas todos em geral que são da igreja do Senhor. Assim, o que é escrito ao anjo de cada igreja se refere àqueles que fazem a igreja; por conseguinte, aqui, pelo que é escrito ao anjo da Igreja em Tiatira, trata-se do interno e do externo e da conjunção de um e outro neles. (Como, porém, até hoje se ignorou que esses dois existam realmente no homem, e que devem ser abertos e conjuntos para que o homem seja uma igreja, e como essas coisas não podem ser descritas em poucas palavras, por isso tratou-se deste assunto nas coisas que se vêem na Doutrina da Nova Jerusalém, nºs 36-53 e 179-182).
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